
A visita de Aoun a Ancara resulta numa promessa de ajuda turca em vários domínios


Dia após dia, a ala radical do regime iraniano – pelo menos, como a classificam certos meios ocidentais – empenha-se em demonstrar a sua capacidade de estender progressivamente a sua influência desestabilizadora a novas zonas do Médio Oriente.
Na sequência da reativação da sua milícia iemenita, os Houthis, com o objetivo de tomar como reféns o estreito de Bab el-Mandeb e a correspondente rota marítima do Mar Vermelho (após o estreito de Ormuz), os Guardas da Revolução quiseram mostrar que têm «braço longo» no que diz respeito ao alcance dos seus mísseis.
Assim, atacaram com um drone carregado de explosivos o porto de Damieta, no Egito, atingindo dois navios – um deles americano – de armazenamento de gás.
Um incêndio deflagrou nos dois navios. O governo egípcio responsabilizou o Irão por este ataque, que foi veementemente condenado pelo secretário-geral da Liga Árabe, que o classificou como uma agressão «inaceitável» contra o Cairo.
Paralelamente, os Guardas da Revolução lançaram cinco mísseis contra a Jordânia – agressão fortemente condenada pelo Qatar – e atacaram mais uma vez o Kuwait, onde o edifício de uma empresa chinesa foi atingido em cheio e gravemente danificado pela explosão, que causou a morte de um trabalhador.
Em reação, a China apelou aos protagonistas para que pusessem fim imediato à escalada militar.
Sinal da extensão do conflito a novos atores: o Ministério da Defesa saudita organizou em Riade uma reunião alargada que reuniu os chefes de Estado-Maior (ou os seus representantes) de 43 países.
O objetivo desta cimeira era dar o pontapé de saída para a criação de uma vasta «aliança marítima de Defesa». O ministério saudita indicou tratar-se de uma iniciativa internacional destinada a garantir a segurança e a liberdade de navegação nas rotas marítimas.
Importa recordar neste contexto que a aviação saudita, em colaboração com as forças aéreas americanas, realizou no início desta semana ataques aéreos contra posições dos Houthis, no Iémen, em represália pelos lançamentos de mísseis (frustrados) que a milícia iemenita pró-iraniana tentara efetuar contra as instalações sauditas da Aramco.
Note-se a este respeito que, segundo fontes citadas pelo canal em língua árabe al-Hadath, foi a partir do território iraquiano, e com a cumplicidade de milícias iraquianas pró-iranianas, que os Houthis lançaram os mísseis em direção ao território saudita.
É a primeira vez, desde o início deste conflito, que o exército saudita se envolve diretamente em operações militares contra os aliados do Irão.
No início do mês de julho, o Kuwait e o Barém tinham bombardeado posições no Irão, com o apoio e a cobertura aérea assegurados pelos Emirados Árabes Unidos, o que constituiu o primeiro indício de uma participação ativa dos países do Golfo na guerra contra o Irão.
Esta tendência dos Guardas da Revolução para querer estender ao máximo o conflito armado a novas zonas do Médio Oriente levou o presidente Donald Trump a dar, na noite de quarta para quinta-feira, luz verde a uma nova vaga de ataques aéreos contra posições, infraestruturas e depósitos de munições dos Guardas da Revolução em várias regiões iranianas.
O comando central americano anunciou na quinta-feira que «dezenas de posições dos Guardas da Revolução foram atingidas com sucesso durante esses ataques».
Segundo informações provenientes de Israel, Washington teria informado na noite de quinta-feira as autoridades israelitas de que novos bombardeamentos aéreos massivos contra os quartéis-generais e os centros dos Guardas da Revolução deveriam ser lançados na noite de quinta-feira.
O único ponto positivo neste sombrio panorama regional: o anúncio, na quinta-feira, de um acordo, chancelado pelo Hamas, com o objetivo de entregar as armas pesadas a um comitê internacional que ficará responsável por recolher e armazenar o armamento do Hamas, em conformidade com o processo de solução para Gaza elaborado pelo presidente Trump.
Aoun em Ancara
É neste contexto regional em plena transformação que o presidente Joseph Aoun realizou, na quinta-feira, uma visita relâmpago a Ancara, onde se reuniu com o presidente Recep Tayyip Erdogan. Este aproveitou a ocasião para destacar que seu país está disposto a contribuir para o fortalecimento da segurança no Líbano.
O chefe de Estado regressou a Beirute na noite de quinta-feira, e a presidência da República informou, em comunicado, que a cooperação entre os dois países incidirá, nomeadamente, no apoio ao exército, no fornecimento de casas pré-fabricadas para os deslocados do Sul, bem como em auxílio nas áreas de energia elétrica, transporte aéreo e desenvolvimento das infraestruturas básicas. O presidente Aoun endereçou ao presidente Erdogan um convite para visitar o Líbano.