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Opinião

O Levante: é preciso ousar acreditar na paz

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Por Jawad Pakradouni
Publicado dez 7, 2025 - 17:35

A seguinte pergunta foi feita a um programa de inteligência artificial: o Levante já viveu um verdadeiro período de paz desde que existe? A resposta é dura. A região conheceu momentos de calma, mas nunca uma paz duradoura. O único período que se pode chamar de estável foi a Pax Romana, do século I ao III — uma paz imposta pela espada, uma pax manu militari. Uma paz comprada com sangue, cujo balanço nem a própria inteligência artificial conseguiria calcular. Os conflitos sempre tiveram motivações religiosas, entrelaçadas com disputas políticas ou territoriais.

Ironicamente, hoje o único conceito capaz de oferecer uma paz verdadeira leva o nome do ancestral comum das três religiões monoteístas que se sucederam — e pelas quais tanto sangue foi derramado, e continua sendo: Avraham, Abraham, Ibrahim. Em nome de Yahweh, de Allah ou de Deus, as pessoas continuam se matando. E, mesmo assim, muitos desejam uma paz duradoura, embora essa paz tenha um preço: o perdão. Quantas gerações ainda serão necessárias para que esse perdão seja concedido, e para que uma paz real seja possível entre povos que se matam há séculos, no mesmo território e por ele?

Nas três religiões abraâmicas, repete-se um mesmo preceito: “Perdoo completamente quem me feriu ou ofendeu.” “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.” “A punição para o mal é um mal equivalente. Mas quem perdoa e reconcilia, sua recompensa pertence a Deus.” Essas três passagens pertencem, respectivamente, às três religiões, na ordem em que surgiram. Os crimes cometidos de um lado contra o outro são abomináveis, e tentar voltar à Idade da Pedra para descobrir quem ocupou qual território é inútil. Os fenícios, por exemplo, chegaram até Gibraltar; deveríamos então reivindicar os países que nossos ancestrais colonizaram? Claro que não — sobretudo quando já lutamos para administrar os 10.452 km² do nosso pequeno país.

É difícil esquecer as feridas abertas e os escombros das últimas guerras, mas as futuras gerações estão condenadas a carregar o peso dos nossos erros? Em algum momento, é preciso curar o passado e pensar no futuro: o futuro dos nossos filhos, dos filhos deles e dos que virão. Dois mil anos de história e conflitos para apenas algumas centenas de anos de paz: a equação fala por si. Não escolhemos nossa família nem o país onde nascemos, mas podemos influenciar o rumo dos acontecimentos. Basta engolir o orgulho e perdoar — talvez o passo mais difícil.

O filósofo contemporâneo Jonathan Lockwood Huie escreveu: “Perdoe os outros, não porque eles merecem perdão, mas porque você merece paz.” Nossa geração cresceu embalada pela guerra, com apenas uns quinze anos de trégua. O Líbano talvez seja o único país do mundo que serviu de palco para guerras dos outros: guerras de blocos, guerras por procuração, guerras de apoio. Até sua guerra civil não foi exatamente uma guerra civil. É hora de poupar o país das suas próprias guerras — e, sobretudo, das guerras alheias.

Talvez seja ingênuo acreditar em uma paz duradoura e imaginar que podemos desmentir o refrão dos Poppys: “Eu queria, eu sonhava que a paz reinaria… Mas tudo continuou, não, nada mudou.” Hoje, tudo parece apontar para uma solução do conflito, uma esperança de paz; agarrar-se a essa esperança talvez seja ingenuidade. Mas como escreveu Virgil Gheorghiu em A Vigésima Quinta Hora, o inferno é perder toda esperança. Já vivemos um inferno físico todos os dias; não precisamos acrescentar um inferno moral. Por isso, precisamos ousar fazer a paz.


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