
Trump: «algo de grande poderá acontecer muito em breve em relação ao Irão»


Após os ataques de drones da milícia iemenita pró-Irão contra a capital saudita neste fim de semana, os Estados Unidos afirmaram temer «uma rápida escalada» na região e emitiram, no domingo, um alerta aos seus cidadãos. No que diz respeito ao Líbano, a reunião de preparação para a conferência de apoio ao exército libanês, em Paris, não produziu resultados conclusivos, numa altura em que um confronto com o exército israelita no sul surge como um sinal preocupante.

No final de uma semana marcada sobretudo, no Médio Oriente, pela contínua escalada promovida pelos houthis do Iémen contra a Arábia Saudita, poder-se-ia pensar que prevalece a estagnação na frente iraniana. Como tem sido habitual desde o início deste conflito, as declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, transmitem sinais contraditórios sobre as intenções militares ou diplomáticas do seu país.
Contudo, as próximas horas poderão não ser tão tranquilas, a julgar por alguns indícios, nomeadamente um apelo à vigilância lançado no domingo pelo Departamento de Estado norte-americano: a mensagem pede aos cidadãos dos Estados Unidos presentes na região que redobrem a atenção perante a possibilidade de uma «rápida escalada» na sequência dos ataques dos rebeldes houthis contra Riade, a capital saudita.
Segundo a AFP, Trump regressou prematuramente a Washington na noite de sábado, embora devesse passar o fim de semana na residência de campo da presidência, em Camp David.
Outro indício preocupante referido pelo canal saudita al-Hadath: os funcionários do Pentágono já não saem das instalações, como sugere o famoso indicador das «entregas de pizzas» no local.
Ao fim da tarde de domingo, o presidente Donald Trump declarou estar «prestes a tomar uma decisão sobre o Irão», indicando ainda que «algo de grande poderá acontecer muito em breve».
Estará, portanto, iminente uma nova escalada no Médio Oriente, após semanas de hesitações norte-americanas e de esforços concentrados sobretudo em asfixiar economicamente o Irão por meio de sanções e do bloqueio?

Segundo observadores, a escalada promovida pela milícia iemenita pró-Irão e o seu rápido avanço em direção às regiões que fazem fronteira com o estreito de Bab al-Mandeb, no mar Vermelho, poderão desencadear um novo conflito regional.
Com efeito, após o encerramento parcial do estreito de Ormuz devido aos ataques dos Guardas da Revolução iranianos contra petroleiros — que prosseguiram esta semana — e a consequente subida acentuada dos preços do petróleo, as tensões em torno de outro estreito da região poderão ter repercussões mundiais ainda mais catastróficas.
É certo que os houthis garantiram repetidamente que pretendem atingir apenas petroleiros sauditas, mas o risco é real.
E, nos últimos dias, demonstraram a sua capacidade de causar danos.
Um ataque a Meca, cidade sagrada do Islão, em 16 de setembro, provocou reações indignadas não só entre os sauditas, mas também por parte de vários países árabes e muçulmanos. Outro ataque, desta vez perto do aeroporto de Riade, no sábado, demonstrou a dimensão desta escalada.
Iniciativas do Paquistão
Até onde poderá ainda ir a milícia pró-Irão, a única que continua tão ativa após o enfraquecimento do Hezbollah no Líbano e do Hamas em Gaza?
Poderá a administração norte-americana correr o risco de uma nova subida acentuada do preço do petróleo, cujo barril já ultrapassa os 100 dólares, a poucas semanas de eleições intercalares que se anunciam difíceis para Trump devido a esta guerra impopular?
Perante esta escalada dos houthis, a semana ficou marcada pelos esforços sauditas para reunir apoio contra esta ofensiva.
O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, foi recebido pelo presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, no Cairo, em 15 de setembro, e as tensões no Mar Vermelho ocuparam um lugar de destaque nas conversações. Recorde-se que o Egito não aderiu ao acordo de defesa mútua de Meca, assinado em agosto passado pela Arábia Saudita, pelo Paquistão e pela Turquia.
Quanto a esse acordo, cabe destacar que o Paquistão se empenhou esta semana em convencer o Irã a instar o seu representante iemenita a pôr fim à ofensiva, aparentemente sem sucesso. Em 18 de setembro, o Exército paquistanês comprometeu-se a defender a Arábia Saudita «tanto no plano diplomático como no físico» e «até ao fim», a fim de garantir a segurança do Reino e dos locais sagrados do Islão.

Numa declaração mais moderada, a Turquia, por intermédio do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, afirmou estar pronta para responder às necessidades militares sauditas, recusando, no entanto, que Riade seja arrastada para um conflito por procuração entre os Estados Unidos e o Irã, que poderia desencadear uma guerra generalizada na região.
E qual é o papel de Washington em tudo isto? Em 18 de setembro, os Estados Unidos aprovaram a venda de 48 caças furtivos F-35 à Arábia Saudita.
Riade saudou vivamente a iniciativa, uma vez que há anos tenta adquirir essas aeronaves, apesar das reservas manifestadas por Israel, que até agora era a única potência regional a dispor delas. Mais um exemplo de como este conflito está a alterar os equilíbrios regionais.
A Assembleia Geral da ONU
No plano diplomático regional, a semana começou com o adiamento de uma reunião prevista em Omã entre o Irã e os seus vizinhos do Golfo, destinada a discutir as modalidades de gestão do estreito de Ormuz. Um adiamento que diz muito sobre o nível das tensões regionais.
Com o processo de negociações entre os Estados Unidos e o Irã num impasse, as atenções voltam-se já para os possíveis contactos políticos previstos durante o debate de alto nível da 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, de 22 a 28 de setembro de 2026.
Está prevista uma reunião entre Donald Trump e os líderes dos países do Golfo à margem do seu próprio discurso.
Recorde-se que o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, estará presente neste grande encontro mundial. A esse respeito, o presidente Trump afirmou no domingo que veria «com bons olhos» uma reunião com o presidente iraniano em Nova Iorque…
O outro grande encontro da próxima semana será a visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Washington, em 24 de setembro, para uma cimeira muito aguardada com o presidente Trump. Entre os inúmeros temas de interesse para os dois líderes mundiais, deverá estar o apoio tradicional da China ao Irã.
Voltando à ONU, o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, deslocou-se a Nova Iorque no sábado. Em sintonia com o presidente libanês, Joseph Aoun, Salam deverá manifestar o empenho do Líbano na manutenção de uma força da ONU no sul, uma proposta que enfrenta a oposição dos Estados Unidos e de Israel.
Os contornos de uma futura força internacional no Líbano parecem mais indefinidos do que nunca, num momento em que a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) se prepara para iniciar a retirada do sul no final de 2026.
O Exército libanês e a sua incapacidade, até agora, de desmilitarizar as milícias — nomeadamente o Hezbollah — e de assumir o controlo das zonas de conflito estiveram no centro de uma ampla operação diplomática esta semana.

Em 17 de setembro, realizou-se em Paris uma reunião preparatória para a conferência internacional de apoio ao Exército libanês.
O presidente libanês, bem como líderes e representantes de Estados árabes — entre os quais o rei Abdullah II da Jordânia —, estiveram presentes.
Para além dos belos discursos sobre a necessidade de reforçar as capacidades da instituição militar libanesa e dos calorosos abraços entre o presidente francês, Emmanuel Macron, e o presidente Aoun, os indicadores não são animadores.
Com efeito, a data final da conferência ainda não foi definida — embora seja geralmente aceite que deverá realizar-se em outubro.
Além disso, segundo fontes da imprensa coincidentes, dado que o exército libanês (e, por extensão, a classe política) não demonstrou «entusiasmo» por qualquer confronto com o Hezbollah, muitos intervenientes estariam hesitantes em dar o seu apoio.
A intransigência dos dois beligerantes das duas últimas guerras, Israel, por um lado, e o Hezbollah, por outro, constitui outro fator determinante.
Na cena política libanesa, dois acontecimentos ocorridos esta semana vêm reforçar esta impressão.
Por um lado, durante a sessão plenária do Parlamento libanês, na qual se debateu o desempenho do governo de Salam (o Parlamento renovou-lhe a confiança em 16 de setembro), Hassan Ezzeddine, deputado do Hezbollah, afirmou que «não se deve apostar num enfraquecimento da Resistência», voltando a denunciar o acordo-quadro assinado pelas autoridades libanesas e israelitas em julho passado.
Declarações corroboradas no dia seguinte por uma figura de destaque da formação pró-iraniana, o deputado Hussein Hajj Hassan.
Por outro lado, numa entrevista crucial concedida esta semana à AFP, Joseph Aoun afirmou estar determinado a desarmar o Hezbollah, mas «sem confronto». Uma resposta às chamadas forças soberanistas, que o exortam a adotar uma política mais proativa perante a milícia xiita.
A situação no Líbano continua mais inextricável do que nunca. Será que os esforços diplomáticos e a intervenção de Nawaf Salam na ONU permitirão esclarecer a situação? Ou voltará o país a pagar o preço de acontecimentos regionais sobre os quais não tem qualquer controlo?