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O Essencial do Dia

Os houthis às portas de Bab el-Mandeb

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Por LevantTime .
Publicado set 10, 2026 - 22:42

Nesta quinta-feira, 10 de setembro, foi sobretudo a frente iemenita que concentrou as atenções no Médio Oriente. Enquanto há vários dias prosseguem intensos combates entre as forças governamentais pró-sauditas e os houthis pró-iranianos, estes últimos assumiram, na quinta-feira, o controlo da cidade de Mokha, no mar Vermelho, num avanço significativo rumo ao estreito de Bab el-Mandeb.

Esta passagem, que liga a Ásia à Europa através do mar Vermelho e do canal de Suez, ganhou importância desde o início da guerra no Médio Oriente, com o bloqueio do estreito de Ormuz pelo Irão, do outro lado da península.

Os houthis terão também tomado a ilha de Zuqar, situada bem no centro do estreito.

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Estes desenvolvimentos são de extrema gravidade, por um lado porque confirmam a persistência do controlo iraniano nesta frente iemenita e, por outro, porque, se controlarem zonas mais próximas do estreito, os houthis terão maior margem de manobra para dominar uma rota cada vez mais utilizada pelos petroleiros sauditas para contornar o estreito de Ormuz.

Os mercados de petróleo bruto não tardaram, aliás, a reagir: o preço do barril, que vem batendo recordes, ultrapassou a marca dos 100 dólares na quarta-feira. Ontem, o WTI chegou mesmo aos 106 dólares.

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Trump: 5.000 dólares por adulto em caso de vitória dos republicanos

Enquanto os combates prosseguem no Médio Oriente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta pressões internas devido à aproximação das eleições legislativas.

Depois de afirmar, na véspera, que «a guerra terminará após as eleições intercalares», declarou ao público que o aclamava no Texas, já no fim da noite de quarta-feira, que, em caso de vitória nas eleições, atribuiria 5.000 dólares a cada adulto norte-americano… sem, no entanto, indicar as fontes de financiamento de tal medida.

Estas declarações foram contrapostas por um artigo publicado na quinta-feira no Wall Street Journal, que cita fontes segundo as quais os colaboradores mais próximos do presidente dos Estados Unidos o terão alertado de que a guerra contra o Irão poderá prolongar-se até ao fim do seu mandato, ou mesmo até à tomada de posse do próximo presidente, em janeiro de 2029.

Entre os colaboradores próximos mencionados no artigo estão o secretário de Estado Marco Rubio e o vice-presidente JD Vance, ambos apontados como possíveis futuros candidatos e, portanto, preocupados com a possibilidade de esta guerra impopular se prolongar.

Segundo estes conselheiros próximos, os iranianos, embora enfraquecidos, podem continuar a resistir apesar do bloqueio e das sanções. Mas, até ao momento, o presidente dos Estados Unidos parece continuar a privilegiar o bloqueio, ainda segundo o WSJ.

Líbano: mobilização de forças de segurança em Nabatiyeh

Na frente libanesa, as destruições sistemáticas levadas a cabo por Israel prosseguem em algumas localidades, onde enormes explosões são ouvidas durante todo o dia e toda a noite, como em Mansouri, uma aldeia nos arredores de Tiro.

Já no fim da noite de quinta-feira, Israel anunciou ter destruído «as infraestruturas subterrâneas da organização terrorista Hezbollah na crista de Ali el-Taher, concluindo assim a criação da zona de segurança no sul do Líbano», segundo um comunicado conjunto do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e do seu ministro da Defesa, Israel Katz.

Segundo o exército israelita, foram utilizadas cem toneladas de explosivos para destruir os túneis, provocando um abalo sísmico de magnitude 4,1 no sul, de acordo com o observatório norte-americano USGS.

E enquanto a região de Nabatiyeh continua a sofrer as repercussões da tomada da colina de Ali el-Taher, na semana passada, o apelo feito por dezenas de personalidades da cidade a favor da mobilização das forças armadas libanesas na zona começa a dar frutos.

Além do destacamento do Exército libanês observado no dia anterior, agentes da Segurança do Estado e da Segurança Geral patrulharam as ruas da cidade, sendo recebidos de braços abertos pela população.

A partir de agora, esses dois órgãos de segurança, juntamente com o Exército, patrulharão Nabatiyeh, devolvendo aos moradores alguma sensação de segurança após o pânico que se seguiu ao ataque israelense que matou 13 pessoas no fim de semana, segundo a agência oficial.

Como que para reforçar essas medidas, o presidente libanês, Joseph Aoun, que presidiu à reunião do Conselho de Ministros na noite de quinta-feira, afirmou que «chegou a hora de o sul voltar a fazer parte do Líbano e de o Estado voltar a estar presente na região».

Os Estados Unidos, por meio de sua embaixada em Beirute, saudaram o fato de que «o povo libanês demonstra todos os dias que prefere as instituições do Estado libanês às armas do Hezbollah». Em comunicado publicado no X, a embaixada afirmou que «o sul do Líbano não está vinculado a nenhuma potência regional nem a nenhuma milícia», em referência ao Hezbollah e ao Irã.

Cabe destacar, nesta quinta-feira, as declarações do presidente do partido Kataeb, Sami Gemayel, que se dirigiu às autoridades libanesas, pedindo-lhes que tomem medidas para desarmar efetivamente o Hezbollah e pôr fim ao «estado de rebelião» que ele representa. Caso contrário, acrescentou, as potências estrangeiras — mais especificamente os Estados Unidos — poderão fechar um acordo com a milícia, em detrimento dos demais libaneses.

Ele provavelmente se refere a uma recente declaração dos Estados Unidos segundo a qual Washington estaria disposto a dialogar com o Hezbollah, mas «por intermédio do Estado libanês».

Outro acontecimento com consequências importantes nesta quinta-feira: o Conselho de Ministros decidiu «impedir a venda de terrenos nas áreas ocupadas por Israel» no sul do país.

Uma medida crucial para evitar abusos. Vale lembrar que uma medida semelhante foi adotada após a explosão no porto de Beirute, em 2020, para impedir a venda dos edifícios destruídos naquela ocasião.

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