

Nos nossos artigos anteriores, sobrevoamos a construção do Grande Museu Egípcio e destacamos o seu papel principal como centro de pesquisa. Também revisamos alguns dos fabulosos tesouros que lá são conservados. Mas qual a sua importância econômica, cultural e nacional para o Egito?
Um dos principais desafios do Grande Museu Egípcio (GEM) é, sem dúvida, de ordem econômica. Ele tem como objetivo atrair turistas de todo o mundo, desempenhando assim um papel central no dinamismo econômico do país.
Situado perto das pirâmides de Gizé, o GEM é um dos pilares da nova estratégia turística do Egito, com o objetivo de atrair até 30 milhões de visitantes por ano até 2030. Isso o colocaria entre as instituições culturais mais frequentadas do mundo. Essa afluência deverá revitalizar os setores relacionados, como hotelaria, restauração, transportes e até pequenas empresas locais, e criar, consequentemente, milhares de empregos, diretos e indiretos.
Os impactos econômicos de um projeto como este seriam (e já são) consideráveis, podendo representar, de acordo com as primeiras estimativas, até 12% do PIB do Egito.
Segundo os especialistas, entre 2025 e 2030, o GEM contribuiria com 20 a 25% para o crescimento do turismo no Egito.
Um símbolo de soberania cultural
« Um povo que não ensina a sua história é um povo sem identidade », dizia François Mitterand. Com o GEM, esta afirmação faz todo o sentido: pela primeira vez, o Egito reapropria-se da sua história e da sua identidade.
São os próprios egípcios que contam a sua própria história e retomam as rédeas do seu destino. E eles sentem orgulho disso. Basta ouvir os testemunhos dos especialistas do Museu ou dos simples visitantes para medir o orgulho nacional que o GEM suscita.
Trinta e três anos após o seu lançamento, o Grande Museu Egípcio representa um sucesso monumental para o país, transcendendo a arquitetura e a museologia. Ele testemunha a capacidade de uma nação de honrar a sua herança milenar enquanto se projeta resolutamente no mundo moderno. Ao oferecer ao mundo um acesso sem precedentes às maravilhas do antigo Egito, o GEM torna-se a ponte entre as épocas, transformando o passado faraônico num patrimônio vivo, fonte de inspiração e de orgulho para todo o Egito.
Restituir os seus tesouros espalhados
Os efeitos positivos da edificação de tal monumento rapidamente se fizeram sentir. A inauguração relançou os apelos à restituição de importantes artefatos egípcios conservados em museus ocidentais, nomeadamente a Pedra de Roseta no Museu Britânico, o busto de Nefertiti no Neues Museum de Berlim e o Zodíaco de Dendera no Louvre.
Zahi Hawass, egiptólogo e ex-ministro das Antiguidades, sublinhou com razão que o Egito conta agora com mais de 22 museus que cumprem os mais exigentes padrões internacionais. Assim, ele quis contestar o argumento comum de que o país não disporia das infraestruturas necessárias para a preservação do seu patrimônio.
Os Países Baixos anunciaram recentemente a restituição de uma cabeça de pedra de 3.500 anos, datada da dinastia de Tutmés III, apreendida durante uma feira de arte em Maastricht em 2022.
Em conclusão, a edificação do GEM é celebrada no Egito como um símbolo de unidade nacional e de renascimento, refletindo a capacidade do país de superar desafios para valorizar o seu legado. Ele encarna a memória e a continuidade da civilização egípcia, ao mesmo tempo que serve de plataforma para a pesquisa e cooperação internacional na preservação do patrimônio. Permite posicionar o Egito como uma nação farol e um dos principais centros de referência do patrimônio no Oriente Médio.