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O Essencial do Dia

O adiamento do ultimato de Trump tem um impacto limitado

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Famílias libanesas deslocadas, forçadas a fugir de suas casas após ataques militares israelenses no subúrbio sul de Beirute, lutam para sobreviver em tendas improvisadas instaladas em parques públicos, escolas e estádios de futebol transformados em abrigos temporários, em 26 de março de 2026. (Murat Sengul/Anadolu via AFP)
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Por Taline Becharraoui
Publicado mar 27, 2026 - 20:06

A guerra no Oriente Médio, desencadeada em 28 de fevereiro por um ataque israelense-americano contra o regime iraniano dos aiatolás, parece estar se prolongando, e, por isso, o destino de eventuais negociações entre o Irã e os Estados Unidos permanece uma incógnita.

Após uma escalada verbal por parte dos iranianos que afirmaram recusar o plano de quinze pontos proposto esta semana por Washington, o ministro alemão das Relações Exteriores, Johann Wadephul, veio contradizer as declarações oficiais. Ele declarou, assim, na sexta-feira à imprensa alemã que os Estados Unidos e o Irã estão preparando discussões diretas no Paquistão. Em paralelo, o presidente americano Donald Trump prolongou seu ultimato (ameaçando destruir as instalações energéticas do Irã) até 6 de abril, visivelmente para dar uma chance às negociações em curso.

Embora esta iniciativa dê a impressão de uma calmaria, a situação no terreno é completamente diferente, e a guerra se intensifica em todas as frentes. Segundo o meio de comunicação americano Axios, o exército dos EUA estaria preparando uma vasta operação que consistiria na invasão de ilhas estratégicas iranianas. Pelo menos 10.000 soldados americanos adicionais são esperados na região nos próximos dias, de acordo com a mídia americana.

Do lado israelense, a linguagem das ameaças domina. O ministro da Defesa Israel Katz prometeu uma intensificação dos ataques contra o território iraniano. Os ataques contra o território iraniano não cessaram, de fato, mesmo enquanto os mísseis iranianos continuam a cair sobre Israel, notadamente sobre Tel Aviv, causando feridos.

Os próprios iranianos parecem endurecer sua posição. A AFP cita o «Soufan Center», instituto especializado baseado em Nova Iorque, que estima que «os assassinatos de altos funcionários não só permitiram que os radicais permanecessem no poder, mas também marginalizaram a liderança política e colocaram o Corpo da Guarda Revolucionária no centro do jogo». Esta análise explicaria o endurecimento de certas posições atualmente expressas por Teerã.

Na prática, os Guardiões da Revolução ameaçam agora atacar hotéis nos países do Golfo e em outros lugares, onde se encontrariam americanos. Eles também anunciaram que o Estreito de Ormuz está praticamente fechado, tendo forçado três porta-contentores a dar meia-volta. Mesmo porta-contentores chineses, que pertencem a um aliado, tiveram de voltar atrás. Ao fechamento de Ormuz, somar-se-ia o do Estreito de Bab el-Mandeb, que liga a Ásia ao Mar Vermelho e ao Canal de Suez, se outro aliado do regime iraniano, os houthis iemenitas, decidirem entrar em cena como têm clamado nos últimos dias.

Nesse contexto, as repercussões econômicas globais desta guerra tornam-se cada vez mais claras. O barril de petróleo ultrapassou os 110 dólares, e continua a sua progressão apesar do adiamento do ultimato de Donald Trump.

As consequências para a economia estão no centro da reunião dos ministros das Relações Exteriores do G7 na França, na sexta-feira, na presença do ministro americano Marco Rubio. Este deverá ser questionado pelos seus colegas sobre os planos de guerra, enquanto ele próprio, segundo as suas próprias declarações aos jornalistas que o acompanhavam, deverá pedir-lhes mais uma vez que ajudem na reabertura do Estreito de Ormuz. Nesse âmbito, o Sr. Rubio teria informado os seus pares que a guerra iraniana se prolongará ainda por «algumas semanas», precisando, ademais, durante um encontro com os jornalistas, que «a Rússia não impede de forma alguma a nossa ação no Irã».

Avanços israelenses no Líbano do Sul

Na frente libanesa, os combates ainda se alastram no Líbano do Sul em várias frentes, nomeadamente as de Marjayoun e Bint Jbeil. Informações de diversas fontes dão conta de um avanço das tropas israelenses no terreno e de destruições massivas nas aldeias fronteiriças. O exército israelense chegou a postar, na sua conta X, um vídeo mostrando a descoberta de esconderijos de armas do Hezbollah na aldeia de Khiam, numa escola, com a intenção de mostrar que os milicianos se escondem entre os civis.

O túnel de Khiam

O exército israelense também divulgou um vídeo mostrando um importante túnel que a milícia pró-iraniana havia construído e equipado nas imediações da igreja da localidade. A divulgação desses vídeos ilustra que as FDI agora controlam totalmente a cidade de Khiam.

Nesta atmosfera tensa, interveio a declaração de um porta-voz do exército israelense, Effie Defrin: ele assegurou na sexta-feira que as tropas israelenses estão «em posições mais avançadas no Líbano do Sul», e que Israel se comprometia a desarmar o Hezbollah se o governo libanês não o fizesse.

O Hezbollah joga o mesmo jogo midiático, postando vídeos, nomeadamente do ataque a tanques Merkava no Líbano do Sul. O partido também intensificou, na noite de quinta para sexta-feira, os seus ataques contra o território israelense, atingindo um novo recorde de lançamento de mísseis desde o início deste novo conflito.

Os avanços israelenses no Líbano do Sul começam a fazer temer uma anexação de territórios libaneses. Um risco contra o qual o Primeiro-Ministro libanês Nawaf Salam alertou o Secretário-Geral da ONU, Antonio Guterres, na quinta-feira, baseando-se em ameaças explícitas proferidas por responsáveis israelenses.

Por outro lado, a catástrofe humanitária no Líbano está a tomar proporções gigantescas: segundo o Ministério da Saúde, o número de mortos ultrapassou os 1100 e os feridos 3200. O escritório da Unicef no Líbano acaba de publicar um relatório avassalador no qual a organização da ONU indica que cerca de 20% da população libanesa está atualmente deslocada, que mais de 370.000 crianças fazem parte dela, que 121 crianças foram mortas e cerca de 400 feridas, desde o início da guerra. ONU Mulheres, por sua vez, especifica que um quarto das mulheres e meninas tiveram que fugir de suas casas.

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