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Opinião

O grande porrete e o efeito dissuasivo!

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Por Youssef Mouawad
Publicado fev 7, 2026 - 11:14

E se o Irã cedesse diante do maciço despliegue da força americana? E se não aceitasse o desafio da frota dos EUA que vem ancorar nas suas próprias águas, as do Golfo Pérsico?

Bem, ele perderia a face, ele que, há tão pouco tempo, se gabava e proclamava solenemente ocupar quatro capitais árabes!

Não nos enganemos, Teerã terá que escolher entre a guerra e o compromisso, ou seja, um recuo que traria de volta a diplomacia da canhoneira tão criticada nos círculos acadêmicos. Essa suposta diplomacia, de antes do primeiro conflito mundial, consistia em atirar do mar contra as costas de um país que tinha algo a ser repreendido, geralmente dívidas financeiras.

Para fazer um adversário entrar na razão, não é preferível recorrer ao blefe ou aos tiros de advertência, ou seja, a uma ameaça não seguida de execução, em vez de um envolvimento militar que seria contabilizado em número de vítimas e destruições em grande escala.

É o dilema que os aiatolás enfrentam neste momento: fazer as pazes, submeter-se, tentar salvar a face ou então serem apagados do mapa.

Precedentes históricos

Ninguém esperou pelos americanos para usar o «big stick». Em 1793, durante a segunda partição da Polônia, Catarina II da Rússia cercou a sede da Dieta polonesa: apontando seus canhões para a dita assembleia, impôs seu ponto de vista sob ameaça. «O voto foi arrancado em um silêncio de terror, tanto a ocupação tornava impossível qualquer oposição», nos é relatado.

Essa prática coercitiva provavelmente não escapou aos defensores da Doutrina Monroe nos Estados Unidos, e o presidente Theodore Roosevelt podia declarar duas vezes em 1904 e 1905: Embora relutantemente, em casos flagrantes de injustiça ou impotência, os Estados Unidos têm o direito de exercer um «poder de polícia internacional».

O New Jersey e a doutrina Weinberger

Certamente, Donald Trump não vai engajar suas tropas para apoiar os manifestantes iranianos que clamam por pão e liberdade. Essa é a menor das suas preocupações. Na realidade, ele busca apenas resolver as questões nuclear, dos mísseis e do apoio a proxies como o Hezbollah e os Houthis e controlar, sorrateiramente, o fornecimento de hidrocarbonetos à China.

No entanto, desta vez não assistiremos, como em 1984 ao largo de Beirute, a um remake da deplorável retirada do New Jersey. Neste caso, será aplicada a doutrina Weinberger. E esta última é categórica: se as tropas americanas só devem ser engajadas como último recurso, então «elas devem sê-lo sem reservas e com a clara intenção de vencer (with the clear intention of winning) ou então não serem engajadas de todo».

Além disso, entende-se que o regime iraniano, apesar de suas capacidades de perturbação, não está em condições de contra-atacar a ofensiva das forças combinadas americano-israelenses. Ele terá que ceder se não for suicida. Ao final da provação, se ceder no nuclear ou em outro ponto, perderá parte de sua soberba. E até mesmo terá que engolir o orgulho para se manter no poder.

E é aí que o excêntrico Donald Trump pode intervir e contentar-se com um sucesso de pura formalidade, ou seja, um triunfo de pacotilha que poderá alardear à vontade. Daí o medo do ministro da Defesa saudita, Khaled ben Salman, de ver o regime dos aiatolás reforçado caso os Estados Unidos não passassem à ofensiva.

Pois não há motivo para comemorar a vitória se não houver mudança de regime em Teerã. De que adianta pegar os mesmos e começar de novo?

Em suma, sem intervenção militar, o Irã terá ganhado mais uma vez a rodada!

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