


Uma calma precária – e perturbadora – reina há quase 48 horas em toda a região do Levante e do Golfo, após os ataques lançados no início da semana pela milícia iemenita pró-iraniana dos Houthis contra posições sauditas, na fronteira entre o Iémen e a Arábia Saudita, bem como contra setores controlados pelas forças iemenitas leais ao governo reconhecido pela comunidade internacional.
Essas unidades leais deviam lançar, na noite de sexta-feira para o amanhecer de sábado, ataques de grande envergadura contra as posições dos Houthis.
O único desenvolvimento notável, do ponto de vista da segurança, ocorrido nesta tarde de sábado, 8 de agosto, foi o ataque levado a cabo pelos Guardiões da Revolução Islâmica iraniana contra um petroleiro dos Emirados Árabes Unidos na região do estreito de Ormuz. Os Emirados condenaram o ataque, sublinhando tratar-se de um ato de "pirataria iraniana".
Mais tarde no dia, a Arábia Saudita, o Qatar e a Jordânia condenaram veementemente a agressão iraniana.
A Arábia Saudita atribuiu ao Irão a responsabilidade pela "continuação das agressões ignóbeis e dos ataques contra navios". Por sua vez, o Qatar destacou a "necessidade de pôr fim às agressões iranianas injustificadas".
Os Pasdaran sobem o tom
Paralelamente a este desenvolvimento no plano da segurança, o dia de sábado ficou marcado por três tomadas de posição de importância vital, que resumem por si só a situação atual relacionada com a crise do estreito de Ormuz.
A meio do dia de sábado, o porta-voz dos Guardiões da Revolução Islâmica iraniana afirmou sem rodeios que o restabelecimento da livre circulação marítima no estreito de Ormuz dependia da submissão dos Estados Unidos às condições impostas pelo Irão.
Ao final do dia, o Alto Conselho Nacional de Segurança – a instância suprema que toma atualmente as grandes decisões estratégicas – publicou um comunicado definindo explicitamente seis condições impostas aos Estados Unidos para a reabertura do estreito de Ormuz: a cessação de todas as ameaças e insultos dirigidos ao Irão; o fim definitivo de todos os conflitos armados no Irão, no Líbano, no Iraque, no Iémen e na Palestina; o levantamento do bloqueio imposto aos portos iranianos e a retirada de todas as forças americanas da vizinhança do Irão; o pagamento de compensações pelos danos causados nas trocas de tiros; o levantamento de todas as sanções; e o desbloqueio incondicional de todos os ativos congelados.
As confidências do presidente
Neste contexto, o presidente iraniano Massoud Pezechkian declarou abertamente no sábado que "a decisão de guerra e de paz está nas mãos dos Guardiões da Revolução Islâmica". "A decisão de pôr fim à guerra ou de a prosseguir está nas mãos do comando militar iraniano", sublinhou o presidente iraniano.
Estas declarações implicam o eclipse, ou mesmo o desaparecimento, do papel do Guia Supremo da Revolução Islâmica, a quem cabe, em princípio, tomar decisões de caráter estratégico.
A meio da semana, recorde-se, o presidente Pezechkian tinha declarado que os contactos com o Guia Mojtaba Khamenei se tornaram extremamente difíceis.
Sinal revelador da profunda crise socioeconómica que o Irão enfrenta: o presidente iraniano salientou, na sua declaração de sábado, que "já não é fácil introduzir mercadorias no país, e temos de encontrar outros caminhos para atingir esse objetivo".
De qualquer forma, os meios políticos aguardavam, na noite de sábado, a reação do presidente Donald Trump às condições impostas pelos Pasdaran para aceitar a reabertura do estreito de Ormuz.