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O Essencial do Dia

Teerão impõe um novo tipo de condições a Washington…

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Donald Trump causou uma onda de choque mediático na sexta-feira ao anunciar que iria renomear o lago Ontário, na fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá, para «lago América», o que irritou profundamente as autoridades canadianas. (AFP)
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Por Taline Becharraoui
Publicado ago 29, 2026 - 00:24

Desde que os Estados Unidos adotaram uma política de sanções e pressões econômicas sobre o Irã, as negociações entre as duas partes não registraram nenhum avanço.

A visita do primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Catar, Xeique Mohammad Abdel Rahmane al-Thani, a Teerã na quinta-feira tinha como objetivo relançar essas conversações, com vistas, em especial, a garantir uma passagem mais fluida pelo estreito de Ormuz.

Na sexta-feira, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, aproveitou habilmente essa visita para fazer uma tímida abertura em direção aos Estados Unidos.

Publicando uma foto com o responsável catari em sua conta no X, ele a acompanhou de uma mensagem afirmando que retornar à mesa de negociações «não é impossível».

Como era de se esperar, ele acompanhou essa formulação muito calculada com condições: os Estados Unidos devem compreender que as pressões não adiantam nada, devem estabelecer uma relação de confiança com o Irã, dialogar com respeito (!) e reconhecer seus direitos, além de honrar seus compromissos.

Um programa ambicioso. Exceto que os americanos não dão, por enquanto, nenhum sinal de querer abandonar sua estratégia de pressões econômicas para retomar as conversações.

Na sexta-feira, o Tesouro americano informou ter identificado as redes e os intermediários utilizados pelo Irã para exportar seu petróleo por meio de contrabando e para contornar as sanções… «Vamos ter como alvo qualquer fonte de receita ilícita do regime iraniano, em cooperação com todas as instituições governamentais (americanas) e com nossos aliados», destacou o Tesouro dos EUA.

Além disso, segundo o site de informações Axios, os Estados Unidos consideram ter enfraquecido significativamente o controle iraniano sobre o estreito de Ormuz, que se tornou, ao longo do tempo, o centro das negociações, mais importante até do que o dossiê nuclear ou os mísseis balísticos.

A esse respeito, o Ministério iraniano das Relações Exteriores (novamente ele) publicou um comunicado na sexta-feira alertando «todos os países» contra a aplicação das sanções americanas «ilegais e injustificadas» contra o Irã, e reivindicando a aplicação do «direito internacional».

O país permanecerá determinado a enfrentar «a ofensiva militar e econômica conjunta dos Estados Unidos e de Israel», prossegue o texto.

Além disso, o chefe da segurança iraniana, Mohsen Rezaei, desmentiu categoricamente as informações divulgadas pelos serviços de inteligência americanos na terça-feira, segundo as quais Teerã teria tramado um plano para assassinar Barron, o filho mais novo do presidente americano Donald Trump.

E foi no canal do Hezbollah que o dirigente iraniano escolheu denunciar as «mentiras» americanas sobre o projeto de assassinato de Barron Trump.

É a televisão estatal iraniana, recorde-se a este respeito, que havia divulgado essa informação há alguns dias, mencionando uma grande recompensa por qualquer contribuição a essa operação…

Ataques no subúrbio de Damasco

A outra notícia do dia é uma nova escalada de tensão entre Damasco e Tel Aviv, na sequência de dois incidentes ocorridos na quinta-feira à noite e na sexta-feira de manhã.

O primeiro foi uma incursão israelense em Ras el-Ajraf, em território sírio, ao nível do planalto de Golã, na quinta-feira à noite.

Segundo o canal pró-Hezbollah el-Mayadeen, os soldados israelenses teriam revistado várias residências nessa localidade.

O segundo incidente ocorreu nos arredores da capital Damasco, na sexta-feira de manhã. O correspondente da agência síria Sana relatou que dois projéteis caíram em campos agrícolas no Rif de Damasco, sem causar vítimas.

Os israelenses não parecem ter pressa em reduzir a tensão com a Síria, apesar da recente reunião do ministro sírio das Relações Exteriores, Assaad Chibani, com o chefe do Mossad, na Jordânia, destinada a acalmar os ânimos, após ataques israelenses contra um aeroporto sírio em Idlib.

Este ataque também quase provocou uma grave escalada com a Turquia, aliada do regime sírio.

Além disso, a quinta-feira foi um dia sangrento nos territórios palestinos. Ataques israelenses mataram três pessoas em Gaza, duas delas da mesma família.

E ataques em Jenin, no norte da Cisjordânia, visaram «vários terroristas», de acordo com um comunicado do exército israelense.

Haykal recebe o encarregado de negócios francês

O sul do Líbano, entretanto, continua a viver ao ritmo das explosões e dos bombardeios israelenses. Cada vez mais, o exército israelense realiza incursões em território libanês, nomeadamente para buscas ou para dinamitar casas.

O processo de destruição dá a impressão de se intensificar, sobretudo em algumas localidades como Nabatieh ou Mansouri, em Tiro.

Na ausência de qualquer nova perspetiva no âmbito das negociações diretas conduzidas pelas autoridades libanesas com Israel, sob patrocínio americano, o papel francês começa novamente a emergir na cena libanesa.

O comandante-chefe do exército libanês, Rodolphe Haykal, recebeu na sexta-feira o encarregado de negócios francês Bruno Da Silva, em antecipação à conferência que deverá ser realizada em Paris em apoio ao exército libanês.

Uma reunião preparatória deverá ter lugar na capital francesa a 17 de setembro, com a prevista participação do general Haykal.

O chefe do exército tinha sido recebido, pouco antes da visita do diplomata francês, pelo presidente da República Joseph Aoun em Baabda.

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