

Nos dois artigos anteriores, examinamos os diversos recursos da Síria e os inúmeros desafios que o país enfrenta. Desde a queda do regime de Bashar al-Assad, a Síria entrou em uma nova era, marcada por grandes oportunidades. A formação de um novo governo, liderado por Ahmad al-Charaa, e o anúncio de Donald Trump sobre o fim das sanções americanas desencadearam o processo de reconstrução do país.
Desde então, doações, investimentos e capitais passaram a fluir para a Síria. Vale, portanto, analisar quais setores devem se beneficiar mais dessas injeções de recursos e qual impacto isso pode ter no futuro desenvolvimento econômico do país.
Energia, prioridade do governo
Com a produção de eletricidade limitada a poucas horas por dia, a reabilitação da rede energética tornou-se imperativa. Para isso, a Síria assinou um acordo de 7 bilhões de dólares com a UCC Holding, um consórcio energético do Catar, para construir novas usinas baseadas principalmente em gás natural e energia solar. Juntas, essas plantas deverão produzir cerca de 5.000 megawatts — aproximadamente metade do consumo elétrico sírio antes da guerra.
Além disso, durante a cúpula sírio-saudita em julho de 2025, a Arábia Saudita prometeu 150 milhões de dólares para projetos de energia. Empresas americanas, como Baker Hughes, Hunt Energy e Argent LNG, também planejam modernizar a infraestrutura petrolífera e gasífera do país, a fim de melhorar a extração e o refino de hidrocarbonetos, reforçando a autonomia energética da Síria e abrindo caminho para futuras exportações.
Infraestrutura, a espinha dorsal do fluxo comercial
Graças à sua posição geográfica, a Síria está destinada a se tornar um importante polo regional de comércio. Por isso, é crucial recuperar e modernizar as infraestruturas terrestres, marítimas e aéreas, garantindo a circulação eficiente de pessoas e mercadorias.
Nesse contexto, o país assinou um acordo de 800 milhões de dólares com a DP World, gigante logística dos Emirados Árabes Unidos, para ampliar o Porto de Tartus. Latakia também está em desenvolvimento: um acordo de 262 milhões de dólares foi fechado com a CMA CGM para modernizar seu porto.
No setor aéreo, o Catar se comprometeu a modernizar o Aeroporto Internacional de Damasco com um investimento de 4 bilhões de dólares. Além disso, um acordo de 2 bilhões de dólares foi assinado para construir uma linha de metrô ligando as zonas leste e oeste da capital.
Construção civil: tudo precisa ser reconstruído
No Fórum Sírio-Saudita de julho de 2025, cerca de 3 bilhões de dólares foram destinados aos setores imobiliário e de construção. A Arábia Saudita, em parceria com a Khashoggi Holding e a Radiant Structures, anunciou a construção de uma fábrica capaz de produzir mais de 6 mil toneladas de cimento por dia — quantidade necessária para erguer um edifício residencial de 15 andares.
Outro acordo, de 2 bilhões de dólares, foi firmado com a empresa italiana UBAKO para erguer as “Torres de Damasco”, um complexo de dezenas de arranha-céus residenciais que pretende rivalizar com os de Nova York e Dubai.
Devastada por anos de guerra, a Síria enfrenta uma grave escassez habitacional, que tende a se agravar com o retorno de refugiados. Esse aumento da demanda impõe desafios urgentes de planejamento urbano. O governo precisará seguir um plano rigoroso que integre moradia, infraestrutura, serviços públicos e uma reorganização cuidadosa das cidades, garantindo que se tornem espaços realmente habitáveis.