


Bogotá, Colômbia, por Maxime Pluvinet
Um desenvolvimento imprevisto ocorrido no meio desta semana poderá ter um impacto notável na sequência dos acontecimentos em curso na América Latina. Um início de distensão surge (timidamente) no horizonte entre os Estados Unidos e a Colômbia, embora as relações entre os dois países estejam particularmente tensas há vários meses. Acusado por Washington de facilitar a ação dos narcotraficantes no continente americano, nomeadamente com destino aos Estados Unidos, o presidente colombiano, Gustavo Petro, foi recentemente alvo de sanções americanas.
Esta tensão bilateral aumentou vários níveis após a operação de «golpe» realizada em 3 de janeiro em Caracas por forças americanas. Essa intervenção resultou na prisão por uma unidade de comando dos EUA do presidente venezuelano Nicolás Maduro, que foi extraditado para os EUA.
Após este ataque contundente, o presidente Donald Trump apontou o dedo ao chefe de Estado colombiano, sugerindo que ele poderia ser um dos próximos alvos, no âmbito da luta contra o narcotráfico. Mas um desenvolvimento inesperado ocorreu neste plano nas últimas quarenta e oito horas: enquanto o presidente Petro se preparava para proferir um discurso incendiário e atacar ferozmente a Administração Trump, ocorreu um telefonema entre o chefe da Casa Branca e o presidente colombiano. Segundo fontes fidedignas em Bogotá, este telefonema decorreu num ambiente descontraído e sereno. Consequentemente, o discurso de Petro foi muito menos virulento do que os observadores esperavam.
Nos círculos diplomáticos em Bogotá, indica-se que esta reviravolta marca o início de um degelo entre os Estados Unidos e a Colômbia. Um processo de discussões francas e de negociações teria sido iniciado «com a bênção da Arábia Saudita e de alguns países europeus», segundo os círculos diplomáticos em questão. Uma reunião foi realizada no Ministério das Relações Exteriores da Colômbia com um representante da Administração Trump.
«Este é um primeiro passo no caminho de um longo processo de diálogo bilateral que deverá abranger várias questões de primeira importância, incluindo o levantamento das sanções contra o presidente Petro, que deverá poder viajar para Washington para conduzir negociações com o presidente Trump», afirma uma fonte diplomática de alto nível em Bogotá.
Esta dinâmica, se confirmada e levada a cabo, introduzirá, sem dúvida, um novo e significativo cenário no delicado jogo de xadrez de caráter geopolítico que se desenrola atualmente no continente americano.