

Antes de mais nada, xeque Naim, o senhor precisa compreender que todos os libaneses estão pagando hoje o preço de sua irresponsabilidade política, de sua submissão cega ao Irã e de suas decisões unilaterais, que arrastaram o Líbano para guerras que nem seu povo nem seu Estado escolheram nem decidiram.
Quem levou o país a essa realidade trágica e permitiu o retorno da ocupação israelense a partes do sul do Líbano não foi quem hoje procura salvar o país. Foram aqueles que se submeteram às ordens do Irã e decidiram declarar guerra por conta própria, à margem das instituições do Estado e de sua autoridade soberana.
Quem lançou o sul do Líbano em um confronto aberto e expôs os libaneses à destruição e ao deslocamento foi quem arrastou o país para uma guerra a serviço do projeto iraniano, e não quem hoje trabalha para tirar o Líbano da crise e restaurar suas instituições.
Quem hoje procura salvar o que resta da pátria é o presidente da República, general Joseph Aoun, e o primeiro-ministro, que trabalham para devolver ao Estado o pleno controle de suas decisões soberanas e retirar o Líbano do ciclo das guerras.
Um exemplo claro disso é a proposta do presidente da República de entregar a instalação de Tallat Ali al-Taher para o controle do Exército libanês, proposta que os senhores rejeitaram, embora tenha sido aceita pelo lado israelense.
A questão que hoje se impõe não é a importância estratégica dessa colina, pois isso está fora de discussão. A verdadeira pergunta é por que os senhores se recusam a entregá-la à instituição militar libanesa.
Será porque ela constitui o ponto de observação mais elevado sobre amplas áreas do sul do Líbano, dando a quem a controla uma vantagem decisiva em vigilância e no controle do fogo?
Ou porque suas instalações militares, fortificações e rede de túneis representam um investimento militar construído ao longo de muitos anos, de modo que entregá-las ao Exército libanês significaria perder um dos principais elementos de força no terreno?
Ou a verdadeira razão é que entregá-la ao Exército libanês significaria, na prática, reconhecer o princípio do monopólio das armas pelo Estado e transferir a decisão militar para as autoridades legítimas?
Seja qual for a resposta, o paradoxo continua sendo chocante. Se a escolha se resume a entregar essa posição ao Exército libanês ou vê-la destruída por Israel, como a opção israelense pode ser considerada mais grave do que a primeira opção? E como se pode preferir que uma posição libanesa seja destruída pelo inimigo em vez de passar para a autoridade do Exército libanês?
O senhor não deve perder de vista, xeque Naim, que lidera uma milícia armada fora da legalidade libanesa. Nem os discursos nem as campanhas de deslegitimação e de acusações de traição mudarão essa realidade. O monopólio das armas pelo Estado não é um simples slogan político, mas um princípio de soberania e um imperativo constitucional do qual não há retorno. Mais cedo ou mais tarde, ele será posto em prática.
Por fim, as negociações diretas decididas pelo Estado libanês, em conformidade com sua soberania e com seu interesse nacional, não constituem uma concessão. Elas são um instrumento para recuperar os direitos e o caminho menos custoso para libertar o território, garantir a libertação dos prisioneiros e reconstruir o que as guerras impostas ao Líbano, a serviço de projetos alheios ao interesse nacional, destruíram.