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Cultura

Sharjah, pioneira da cultura nos Emirados

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Por Micha Moussallem
Publicado dez 21, 2025 - 23:35

Há várias décadas, Sharjah se destaca como a capital cultural do mundo árabe, título concedido oficialmente pela UNESCO em 1998, em reconhecimento ao compromisso do emirado com a arte, a cultura e a educação, além da solidez de seu panorama cultural. Sob a liderança do xeique Sultan bin Mohammed Al Qasimi, que governa o emirado desde 1972, o emirato desenvolveu um ecossistema artístico singular no Oriente Médio, consolidando-se como um destino essencial tanto para amantes da arte quanto para profissionais da cultura.

A história moderna da arte em Sharjah está intimamente ligada à criação da Sharjah Art Foundation, em 2009, sob a direção da xeica Hoor Al Qasimi. De caráter multidisciplinar, a instituição apoia produções artísticas locais e regionais e, ao mesmo tempo, promove conexões com artistas internacionais. Entre suas principais atividades estão a realização regular de grandes exposições, a organização de oficinas em parceria com diferentes instituições e a oferta de bolsas de pesquisa e programas de mentoria voltados ao fortalecimento de jovens artistas, mulheres e criadores inovadores.

Além disso, é responsável pela renomada Bienal de Sharjah, criada em 1993, que atrai milhares de visitantes e apresenta obras que refletem transformações sociais e artísticas no mundo árabe e além. A edição mais recente, em 2025, intitulada To Carry, reuniu mais de 200 artistas de origens diversas, que abordaram questões contemporâneas urgentes e promoveram o diálogo intercultural.

Sharjah também investiu fortemente na preservação e revitalização de seu patrimônio arquitetônico. O histórico bairro de Al Mareijah abriga diversos museus e espaços de arte instalados em casas tradicionais cuidadosamente restauradas, oferecendo aos visitantes a oportunidade de entrar em contato com obras contemporâneas enquanto se inserem na arquitetura urbana histórica do emirado.

No centro da cena cultural está o Museu de Arte de Sharjah, um dos maiores da região do Golfo. Com entrada gratuita, o museu apresenta uma ampla gama de exposições, que vai da pintura árabe clássica à fotografia contemporânea, tornando a arte acessível a todos os públicos.

Além dessas instituições centrais, Sharjah abriga outros marcos importantes, como a Barjeel Art Foundation, criada para expor a coleção privada de Sultan Sooud Al Qassemi; o Maraya Art Centre, dedicado às artes visuais e digitais; e o Museu da Civilização Islâmica de Sharjah, que destaca a riqueza da arte islâmica tradicional. Somam-se a eles dezenas de galerias e estúdios independentes, que ampliam e diversificam o cenário cultural do emirado, estimulando o intercâmbio entre artistas, curadores e público.

Um fluxo constante de eventos e editais reflete a política cultural proativa de Sharjah, voltada à inovação, à formação e à experimentação artística. A visão cultural do emirado busca democratizar o acesso à arte e contribuir para a construção de uma sociedade aberta e participativa. As iniciativas artísticas são frequentemente acompanhadas por conferências, concertos, exibições de filmes e retrospectivas de artistas árabes de destaque, como Tarek Al Ghoussein e Hassan Sharif, ao mesmo tempo em que recebem criadores europeus, americanos e asiáticos.

Embora profundamente enraizada nas tradições locais e árabes, a influência artística de Sharjah tem alcance internacional. Parcerias estreitas com instituições culturais globais, incluindo a UNESCO, e a participação de artistas da diáspora árabe ampliam a projeção cultural do emirado. O Prêmio UNESCO Sharjah para a Cultura Árabe, criado em 1998, simboliza essa colaboração ao reconhecer anualmente duas personalidades, grupos ou instituições por sua contribuição excepcional à promoção das artes e da cultura árabes.

A vitalidade constante do emirado na promoção cultural lhe rendeu reconhecimento internacional, como os títulos de Capital da Cultura Islâmica, concedido em 2014 pela Organização da Cooperação Islâmica, e de Capital Mundial do Livro, atribuído pela UNESCO em 2019. Ao equilibrar tradição e modernidade, Oriente e Ocidente, Sharjah assumiu o desafio de se afirmar como um polo artístico dinâmico e inovador. Sua programação ambiciosa, a valorização da diversidade e a colaboração com artistas e instituições internacionais continuam a consolidar seu papel como pioneira global da cultura árabe.

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