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O Essencial do Dia

A Arábia Saudita mira milícias pró-iranianas no Iraque

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Um enorme cartaz de propaganda em Teerã ameaça o presidente Trump com uma "vingança inevitável". (AFP)
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Por Taline Becharraoui
Publicado jul 27, 2026 - 22:57

Enquanto a tensão no Médio Oriente diminuiu em grande parte no que diz respeito ao conflito iraniano, é a frente iemenita que parece mais ativa nesta segunda-feira, 27 de julho, com novos ataques dos rebeldes houthis às instalações petrolíferas na Arábia Saudita.

Neste contexto, o reino saudita é também alvo, na fase atual, de outros grupos pró-iranianos instalados no Iraque. Os sauditas intercetaram drones provenientes do território iraquiano e, ao mesmo tempo, solicitaram às autoridades iraquianas que impedissem esses ataques perpetrados por esses grupos «terroristas», tanto mais que o novo governo demonstra vontade de gerir melhor a sua situação interna.

Mais uma vez, o Irão prova que utiliza os seus proxies com base num plano bem oleado, aproveitando-se, sem dúvida, das hesitações americanas.

Mas por que razão visar particularmente a Arábia Saudita num momento de relativa acalmia?

Outros incidentes foram igualmente registados desde a cessação dos bombardeamentos americanos contra o Irão, na sexta-feira passada.

A marinha dos Guardiões da Revolução iraniana indicou, esta segunda-feira, ter impedido a passagem de seis navios que pretendiam atravessar o estreito de Ormuz, ao tentarem «transitar por rotas não autorizadas pelas autoridades iranianas».

Mais cedo durante o dia, a televisão estatal tinha noticiado um «incidente» envolvendo um navio, sem fornecer mais detalhes, indica a AFP.

Por outro lado, o exército israelita anunciou ter intercetado dois drones perto da fronteira com a Jordânia, sem que estes tivessem entrado em território israelita.

No sul do Líbano, o exército israelita acusou o Hezbollah de lançar pelo menos um drone na zona muito disputada de Ali el-Taher, e de tentar recolher informações sobre os seus soldados. Vários incidentes de segurança foram registados nessa zona na segunda-feira.

O partido xiita não tinha conduzido operações desde o cessar-fogo decretado em Islamabad.

Netanyahu em Washington

Entretanto, a Cisjordânia continua a inflamar-se com confrontos entre colonos e habitantes, e as tensões estão no limite.

Outro incidente preocupante das últimas horas: o ataque ucraniano contra um navio iraniano no mar Cáspio, que causou vítimas, continua a suscitar polémica no Irão.

O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, não só criticou severamente Kiev numa mensagem no X, como acusou Israel de ter fomentado o ataque com o intuito de arrastar a Europa para o conflito iraniano.

É neste contexto particularmente tenso que o primeiro-ministro israelita deveria deslocar-se esta segunda-feira a Washington, onde será recebido na terça-feira pelo presidente Donald Trump.

Na véspera deste encontro, o jornal israelitaIsrael Hayomdivulgou informações segundo as quais o Sr. Netanyahu deverá resistir firmemente a qualquer pressão americana para uma retirada de Gaza, da Síria ou do sul do Líbano.

Segundo o jornal israelita, o primeiro-ministro afirmaria claramente que as necessidades de segurança de Israel deveriam prevalecer sobre qualquer outra consideração, enquanto a região continua a ser abalada por conflitos sobrepostos e frágeis iniciativas diplomáticas.

Esta perspetiva deverá acentuar as divergências entre os dois homens, tendo o presidente Trump já pedido publicamente ao Sr. Netanyahu que retire as suas tropas do Líbano e da Síria.

Fragilizaria também as negociações em curso com o Líbano, que deverão culminar numa retirada progressiva do exército israelita do sul do Líbano, em paralelo com um desdobramento do exército libanês, sob condição de uma desmilitarização do Hezbollah nas zonas designadas como «piloto».

O exército libanês já se desdobrou numa aldeia do sul, na terça-feira passada, Zawtar el-Gharbiya, na região de Nabatiyeh.

Para o Líbano oficial, representado pelo presidente da República Joseph Aoun e pelo primeiro-ministro Nawaf Salam, que persistem no caminho das negociações diretas com Israel (a próxima rodada está prevista para 4 de agosto em Roma), certas declarações israelenses intransigentes são prejudiciais, mesmo que se inscrevam no quadro de disputas ligadas a cálculos internos (prazos eleitorais) e internacionais.

Essas atitudes israelenses extremistas são ainda mais deploráveis pelo fato de o acordo-quadro assinado entre as partes libanesa e israelense em 26 de junho continuar sendo alvo, no cenário libanês, de campanhas conduzidas pelo eixo iraniano.

Além das críticas tradicionais do Hezbollah, o presidente do Parlamento e líder do Amal, Nabih Berry, fez uma declaração na segunda-feira na qual renovou sua rejeição a qualquer negociação direta com Israel, afirmando-se pessimista em relação ao acordo-quadro e considerando que o primeiro desdobramento do exército libanês em Zawtar el-Gharbiya o leva a um pessimismo ainda maior. Ele defendeu um patrocínio americano, saudita e iraniano para a situação no Líbano.

As negociações americano-iranianas

A segunda-feira também foi marcada pela visita do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, a Beirute, durante a qual declarou que seu escritório «documentou violações generalizadas do direito internacional, algumas das quais poderiam constituir crimes de guerra».

Ao receber o Sr. Türk em Baabda, o presidente libanês Joseph Aoun afirmou que «as destruições contínuas perpetradas pelos israelenses no sul do Líbano correm o risco de comprometer a aplicação do acordo-quadro» líbano-israelense.

Registre-se ainda, no âmbito das negociações americano-iranianas, que o Irã, pela voz de seu porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Esmaïl Baghaï, negou a existência de quaisquer negociações diretas em curso com os Estados Unidos, reconhecendo apenas a troca de mensagens por meio de mediadores.

O responsável iraniano aproveitou a ocasião para criticar as múltiplas declarações americanas segundo as quais os iranianos estariam desesperadamente tentando voltar à mesa de negociações.

Retomando, ademais, sua inqualificável arrogância em relação aos Estados Unidos, o Ministério iraniano das Relações Exteriores sublinhou que «o Irã jamais permitirá que os Estados Unidos decidam o momento da guerra ou da paz»!

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