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O essencial da semana

Perspectiva de escalada no Irã: todos os sinais estão no vermelho

Segundo comandante do F-15 abatido na sexta-feira é encontrado

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Foto de arquivo de um caça F-15 lançando iscas infravermelhas contra mísseis termoguiados. (Jack Guez/AFP)
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Por Taline Becharraoui
Publicado abr 5, 2026 - 13:23

A semana que acaba de terminar no Oriente Médio foi marcada por um crescendo de retórica e de ações militares que culminou, nesta segunda-feira, 6 de abril, com o fim do ultimato lançado por Donald Trump ao regime dos aiatolás. O chefe da Casa Branca ameaçou “aniquilar” as instalações energéticas do Irã. Foi uma semana em que o presidente americano multiplicou declarações, atingindo o ápice no sábado, quando deu 48 horas às autoridades em Teerã para aprovar o acordo proposto, sob pena de “o inferno” cair sobre elas. Trump exige que o Irã “feche um acordo ou abra o estreito de Ormuz”, em referência a negociações baseadas nos 15 pontos apresentados pelos Estados Unidos, centrados sobretudo no abandono dos programas nucleares e balísticos, além da interrupção do financiamento a aliados regionais como o Hezbollah.

Segundo piloto americano é encontrado vivo

Ao longo da semana, o presidente americano alternou entre pressão e abertura, como tem feito desde o início desta guerra contra o regime iraniano, ora estabelecendo prazos de duas ou três semanas para o fim do conflito, ora apostando na via diplomática ao afirmar que os iranianos “querem fechar um acordo a qualquer custo”.

No entanto, no fim da semana, foram os iranianos que deram a impressão de buscar a escalada. No sábado, recusaram um cessar-fogo de 48 horas proposto pelos americanos e intensificaram seus ataques contra Israel e, sobretudo, contra países do Golfo, atingindo infraestruturas sensíveis, como usinas de dessalinização e centrais elétricas, por exemplo, no Kuwait. Em um momento em que os ataques contra seu próprio território também se intensificam, um incidente incomum ocorreu no sábado, quando uma usina nuclear no sul do país foi atingida.

Além disso, os Guardiões da Revolução iraniana obtiveram uma “vitória” simbólica ao derrubar, na sexta-feira, um avião F-15 americano com dois comandantes a bordo. Um deles foi rapidamente resgatado pelo exército dos Estados Unidos; o segundo foi encontrado vivo, porém ferido, na noite de sábado (horário de Beirute), após uma ampla e ousada operação de busca conduzida em território iraniano durante 48 horas por unidades de elite americanas, apoiadas continuamente por helicópteros e aeronaves de reconhecimento voando a baixa altitude.

A operação de resgate, conduzida sem incidentes durante dois dias, foi marcada em sua fase final por um confronto com elementos dos basij, a força paramilitar ligada aos Guardiões da Revolução, que tentaram, no último momento, capturar o comandante do F-15 cuja posição havia sido identificada. Os milicianos sofreram perdas significativas, e a unidade de elite conseguiu resgatar o piloto antes de se retirar em direção a um país árabe vizinho.

Ataques intensos contra Emirados e Kuwait

No campo das operações militares convencionais, o fim da semana foi marcado por uma intensificação dos lançamentos de mísseis e drones contra, principalmente, os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait. O exército kuwaitiano informou no sábado ter interceptado, em 24 horas, oito mísseis balísticos e 19 drones com explosivos. Já os Emirados declararam ter interceptado, em um único dia, 23 mísseis balísticos e 56 drones.

Neste momento, porém, o estreito de Ormuz permanece como o elemento central do conflito armado, eclipsando outras questões como o programa nuclear e o posicionamento regional do regime iraniano. A aposta de Teerã nos efeitos da eventual interrupção dessa rota marítima estratégica já começa a produzir impacto: a alta dos preços dos combustíveis pesa sobre a economia de diversos países e sobre o poder de compra mesmo em regiões distantes do epicentro do conflito. O Irã mantém o estreito praticamente fechado há semanas, permitindo a passagem apenas de navios autorizados, como embarcações turcas e indianas, reforçando a percepção de controle sobre a área. No sábado, fontes iranianas afirmaram ter atingido um petroleiro “ligado a Israel”.

Outro sinal de escalada por parte de Teerã surgiu quando um veículo de mídia iraniano informou que as exportações de petróleo da estratégica ilha de Kharj, alvo de ameaças americanas, aumentaram apesar do conflito.

Essa postura iraniana, marcada pela negação de negociações com os Estados Unidos e pela recusa de um cessar-fogo, indica uma radicalização da liderança? Poucas informações circulam sobre a situação interna do país, mas um indicativo relevante pode ser visto nas reações a um artigo publicado na revista Foreign Affairs por Mohammad Javad Zarif. No texto, ele afirma que o Irã “tem vantagem no conflito”, tendo resistido à ofensiva, o que teria levado ao “fracasso de ambos os lados em forçar a capitulação do regime”. Segundo Zarif, o país deveria aproveitar essa posição para negociar, propondo limitar voluntariamente seu programa nuclear e reabrir o estreito de Ormuz em troca do fim das sanções.

As reações hostis ao artigo evidenciam a polarização interna. Setores conservadores radicais chegaram a classificar Zarif como “ingênuo” ou até “traidor”, acusando-o de sinalizar fraqueza em plena guerra. Enquanto isso, o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, permanece fora de cena.

Em síntese, o Irã parece disposto a levar seus adversários ao limite. Trata-se de uma estratégia de negociação ou de uma fuga para frente? Quais serão os possíveis cenários para uma eventual intervenção americana na próxima semana? A recente substituição do chefe do Estado-Maior das forças armadas dos Estados Unidos por decisão do secretário de Defesa indica um possível endurecimento da posição americana.

De todo modo, a semana que se inicia dá a impressão de marcar um ponto de inflexão no conflito.

No Líbano

No outro front, o do Líbano, a mesma dinâmica de escalada se observa entre o Hezbollah e Israel. A milícia xiita conduz operações paralelas às do Irã, lançando continuamente foguetes, mísseis e drones contra o norte de Israel e posições militares. Em resposta, o exército israelense adota uma estratégia de devastação nas aldeias fronteiriças e amplia os bombardeios. O número de mortos continua a crescer, ultrapassando 1400 vítimas desde 2 de março.

Um desenvolvimento preocupante ocorreu no sábado à noite, confirmando o aumento do envolvimento do vale da Bekaa no conflito. Ameaças israelenses de atacar o posto fronteiriço de Masnaa, entre o Líbano e a Síria, levaram as forças de segurança libanesas a evacuar a área às pressas. As razões permanecem incertas: suspeitas de contrabando de armas para o Hezbollah ou tentativa de impor um bloqueio mais amplo.

Uma coincidência chamou a atenção: em 28 de março, autoridades sírias anunciaram a descoberta e o fechamento de um túnel transfronteiriço supostamente utilizado para contrabando pelo Hezbollah.

Durante a semana, a resistência das aldeias cristãs no sul do Líbano ganhou destaque. A decisão de reposicionar gradualmente o exército libanês diante do avanço israelense gerou críticas intensas, sendo vista por alguns como abandono das populações locais. O exército justificou a medida como necessária para evitar cerco, garantindo que manteria presença militar na região.

Se o exército libanês está sob pressão, o mesmo ocorre com a Força Interina das Nações Unidas no Líbano. Em 30 de março, três capacetes azuis indonésios foram mortos em um ataque, e outros três ficaram feridos dias depois. A menos de um ano do fim de sua missão, previsto para 2026, o papel da força volta a ser questionado.

Outro episódio levantou dúvidas: apesar do discurso de confiança do Hezbollah, o exército israelense divulgou vídeos de interrogatórios de combatentes capturados no Líbano. Segundo essas imagens, os detidos demonstrariam moral baixa e dúvidas sobre o sentido de sua participação, ainda que afirmem não poderem se opor ao grupo. A autenticidade desses materiais pode ser questionada, mas sua divulgação provoca forte impacto.

O futuro do Líbano parece cada vez mais incerto, e uma eventual escalada no Irã tende a ampliar as preocupações. Outro país que demonstra crescente fragilidade é o Iraque, que começa a se configurar como um novo palco do conflito. Além dos ataques contra interesses americanos, o sequestro de uma jornalista americana em Bagdá por milícias pró-iranianas evidencia o grau de instabilidade e a influência das facções alinhadas aos Guardiões da Revolução.

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