

Santidade,
O senhor teve a gentileza de escolher este país do Levante como seu primeiro destino após ser eleito para liderar a Igreja Católica. Agradecemos profundamente.
Sua presença aqui foi como a sombra de uma nuvem branca cruzando um céu escuro, encoberto há tempo demais, deixando passar sua luz sobre este espaço geográfico descrito nos livros de história como a terra do leite e do mel, da hospitalidade e da convivência, a terra do Cedro eterno, majestoso, forte e inabalável.
Uma terra de encontro e intercâmbio entre culturas e comunidades diversas; uma terra de vida, de amor e de uma paz regularmente agredida e muitas vezes violentada. Mas, por um breve momento, sua visita veio “abrir um parêntese” e iluminar de repente a vida de todo um povo exausto e desmoronado sob o peso de tragédias que o perseguem há décadas, muitas delas provocadas pelas guerras de outros travadas em seu território.
Com sua atitude discreta e firme, amável e reservada; com seu olhar sereno, benevolente e cheio de sabedoria; com palavras simples e pontuações fortes e profundamente sentidas, o senhor conseguiu chegar rapidamente ao coração de todos: grandes e pequenos, jovens e idosos, doentes e saudáveis, honestos e corruptos, patriotas e coveiros da República. Em poucas palavras, de todo esse povo libanês que ainda hoje vive em salas de emergência, entre a vida e a morte, em um estado de caos exaustivo, preocupação permanente, insegurança latente e instabilidade sufocante.
O senhor falou de paz e concórdia, acalmou corações e lembrou a todos da necessidade de tomar consciência dessa solidariedade humana que enriquece e fortalece a fé e as relações entre cidadãos de um mesmo país, uma sociedade de luz, de ajuda mútua e de apoio aos mais necessitados, física e materialmente.
Testemunhou alto e claro, sem jamais ferir ou agredir um povo enfraquecido e duramente provado.
Santidade, o senhor que insuflou uma lufada de oxigênio a todos esses cidadãos à deriva, permita-lhes apoiar-se em seus conselhos e orações, pedindo que continue, mesmo após deixar nosso pequeno país, a interceder junto à Virgem Maria para que a paz se instale aqui, abrindo o caminho da convalescença e, quem sabe, em breve permitindo alcançar a tão desejada “neutralidade permanente”, única garantia de estabilidade, soberania, independência e florescimento político, econômico, social e cultural.