


Se acreditarmos nos rumores, não haverá nada de grave a assinalar nas próximas semanas. Pois, se nos fiarmos nas declarações de Abbas Araghtchi, Teerã e Washington teriam chegado, durante os seus encontros em Genebra, a um amplo acordo sobre um conjunto de « princípios diretores, com base nos quais avançarão e começarão a trabalhar no texto de um acordo potencial ». Entretanto, o Irã está a reabastecer-se de armas e munições, o que não é de molde a tranquilizar Israel, exigindo este último, aliás, que as negociações em curso excedam o estrito quadro nuclear para incluir as duas questões dos mísseis e dos proxies.
Dito isto, os países árabes do Golfo, que insistiram para que Trump fizesse prevalecer as vias diplomáticas sobre a opção militar, podem temer que Netanyahu faça o palhaço e deite lenha na fogueira.
E se houvesse algo de errado
Enquanto reunia uma armada ameaçadora na região, o presidente americano socorreu o regime dos aiatolás, concedendo-lhe um adiamento. Ele salvou-o, mantendo-o com a cabeça fora da água, assim como o preservou da fúria de Israel, cujo braço vingador ele tem retido até agora. Mas será que o reterá ainda depois da « viagem de persuasão » que Netanyahu realizou a Washington a 11 de fevereiro passado e cujo objetivo era partilhar as apreensões israelenses com a Casa Branca?
Donald Trump é mais astuto do que se pensa. Prova disso é a sua intervenção imprevista, e para alguns intempestiva, em junho passado. Recordemos que Israel tinha desencadeado, a 13 de junho de 2025, um ataque surpresa contra o Irã e que, na noite de 21 para 22 do mesmo mês, a Força Aérea e a Marinha dos EUA tinham entrado na dança e bombardeado vários locais nucleares. Este ataque interromperia brutalmente a sexta rodada de negociações, que deveria ser retomada entre o Irã e os Estados Unidos, três dias após o início dos combates.
Hoje, o que impediria um remake baseado no mesmo cenário? Não estamos na véspera das negociações cujos « princípios diretores » foram estabelecidos recentemente em Genebra? E não é este o momento ideal para atacar o Irã, que pensa ter vencido a partida, enganando os americanos? Seria um pouco a resposta à altura, e Trump é bem capaz disso!
É não contar com a pusilanimidade
Alguns chegaram a acusar a política americana de inconsistência. Ben Samuels, correspondente do diário Haaretz em Washington, ainda não consegue explicar a política de ziguezague (ou ioiô) da Casa Branca, quando tudo é arbitrário, de humor ou de fantasia de um homem. No entanto, J.D. Vance, o vice-presidente americano, não se conteve e declarou que Donald Trump não tinha « o hábito de revelar publicamente as suas posições para preservar o seu espaço de decisão ».
É que Donald Trump é um empresário que não quer cair na armadilha da guerra, onde caíram muitos dos seus antecessores. É também, e não sou eu que o digo, um fanfarrão capaz de gesticulações, mas que se esquiva na hora do confronto.
Numa tomada de decisão, entram em jogo tanto os interesses de uma pessoa como o seu caráter! E se o presidente americano declara que quer esgotar a via diplomática com o Irã antes de qualquer ação militar, é por « failure of nerve and want of courage », ou seja, por covardia e pusilanimidade.
Mas nesta hora precisa, em que dois porta-aviões tomaram posições na região, nada está dito e o diabo pode sempre surgir da caixa!