
Os preços do petróleo bruto confirmam a sua tendência de alta


O Golfo e a península Arábica viveram, na quarta-feira, mais um dia de escalada militar, marcado por ataques e represálias, declarações e contra-declarações entre o Irã e seus grupos aliados, de um lado, e os Estados Unidos e seus aliados do Golfo, do outro. Duas notícias, no entanto, dominaram a atualidade: a disparada dos preços do petróleo e as suspeitas de retomada do desenvolvimento da indústria nuclear no Irã.

O Irã afirmou ter atacado, na quarta-feira, mais de uma dezena de navios que tentavam atravessar o estreito de Ormuz, provocando uma disparada dos preços do petróleo, e anunciou que em breve ampliará, para além dessa passagem estratégica, a zona sujeita a autorização de navegação.
Teerã justificou esses ataques com os bombardeios americanos de terça-feira contra petroleiros iranianos e voltou a advertir seu «inimigo».
A poderosa força armada paralela do regime também declarou ter realizado, na quarta-feira, ataques contra uma base aérea jordaniana utilizada pelas forças americanas, com o objetivo de «punir o agressor». O Exército jordaniano informou ter interceptado 18 mísseis.
Desde o início da guerra, o tráfego no estreito de Ormuz está quase paralisado, perturbando os mercados mundiais de energia e provocando frequentes disparadas nos preços do petróleo bruto. O barril do Brent do Mar do Norte era negociado acima do patamar crucial de 100 dólares, após a notícia de navios em chamas na região do Golfo. É a primeira vez que essa marca simbólica é ultrapassada desde julho.
Teerã enumera suas exigências
Agindo segundo uma lógica de vencedores, os Guardiões da Revolução declararam na quarta-feira que a guerra com os Estados Unidos poderia terminar se Washington deixasse de ameaçar o Irã e aceitasse uma série de suas exigências:
-«Abster-se de qualquer nova ameaça.
-Retirar do Líbano as forças do exército do regime israelense.
-Pôr fim ao bloqueio do Iêmen.
-Desbloquear os 24 bilhões de dólares em ativos iranianos congelados e abster-se de qualquer ingerência nas capacidades nucleares e balísticas do país».
Em outras palavras, os Pasdaran rejeitam qualquer solução negociada ao reivindicar «ter paz» para poder fabricar tranquilamente uma bomba atômica com os bilhões que esperam recuperar, ao mesmo tempo em que decidem, incidentalmente, o destino de alguns países da região em nome da luta contra «o Grande e o Pequeno Satã».
Nuclear: «intensificação» dos trabalhos no monte Kolang
A ameaça representada pelo programa nuclear iraniano vem cristalizando há anos as tensões entre o Irã e os países ocidentais. O Center for Strategic and International Studies (CSIS) afirmou que as obras de construção se intensificaram no último ano no monte Kolang, no centro do Irã, suspeito de abrigar um complexo nuclear subterrâneo.
O centro de estudos baseia-se em seis anos de imagens de satélite, e os analistas destacam a passagem «de uma fase de escavação ativa para prováveis obras de construção internas e a continuidade do reforço externo».
Ora, o monte Kolang ("Pickaxe Mountain", em inglês, ou «Montanha da Picareta») é uma instalação fortificada profundamente enterrada no granito; sua destruição seria difícil, mesmo com as munições americanas mais potentes, como a bomba GBU-57», estima o centro de estudos, que defende uma solução diplomática acompanhada de mecanismos de monitoramento.
Evidentemente, o Irã nega a existência de qualquer complexo nuclear subterrâneo secreto sob o monte Kolang.
Ainda sobre a questão nuclear, o Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica decidiu, na quarta-feira, levar ao Conselho de Segurança da ONU a questão do descumprimento, pelo Irã, de suas obrigações no campo nuclear. A medida visa aumentar a pressão sobre o Irã, indicaram dois diplomatas.
A AIEA não tem acesso a instalações nucleares estratégicas no Irã desde que Israel, acompanhado pelos Estados Unidos, realizou em junho de 2025 ataques contra instalações nucleares.
A AIEA reiterou que a falta de informações e de acesso representa um «risco de proliferação», instando o Irã a corrigir a situação «com a máxima urgência».
Além disso, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou na quarta-feira, do monte Hermon, durante uma rara visita a soldados israelenses destacados na Síria, que a República Islâmica do Irã estava prestes a entrar em colapso.
«Ainda há trabalho a ser feito; a principal tarefa é derrubar o regime terrorista no Irã. Estamos muito perto disso. Sabemos que todo esse eixo (com os grupos aliados do Irã, nota do editor) acabará entrando em colapso», declarou ele no lado sírio do monte Hermon, durante uma visita acompanhado do ministro da Defesa, Israel Katz.
«O Irã está em segundo plano», acrescentou Katz. «Nós o atingimos duas vezes e, se necessário, o atingiremos uma terceira vez para continuar a neutralizar as ameaças.»
Exército libanês endurece o tom diante de Israel
Na frente libanesa, o Exército advertiu na quarta-feira que a escalada israelense ameaça a aplicação do acordo-quadro bilateral no sul, onde ataques deixaram pelo menos 29 mortos desde sexta-feira, apesar do cessar-fogo.
Em comunicado acompanhado de um vídeo em sua conta no X, o Exército enumerou as medidas que tomou para aplicar o acordo e registrou, em contrapartida, quase 7.700 violações cometidas por Israel desde a assinatura do acordo-quadro.
O objetivo de Israel é «minar a credibilidade do Exército libanês no Líbano e aos olhos da comunidade internacional», lamenta por fim o comunicado.