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O essencial da semana

Nova semana de desenvolvimentos de alcance estratégico

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O exército israelense atingiu uma ponte estratégica no sul do Líbano no domingo, 22 de março de 2026. A ponte de Qasmiyeh está localizada numa estrada principal que liga aldeias do distrito de Tiro a outras mais ao norte. (Kawnat Haju/ AFP)
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Por Taline Becharraoui
Publicado mar 22, 2026 - 16:35

A morte do homem forte do regime iraniano, Ali Larijani, na terça-feira, 17 de março, assim como a de vários outros altos responsáveis e quadros superiores da Guarda Revolucionária e dos Basij, não reduziu o envolvimento do regime no conflito. Pelo contrário, Teerã lançou, pela primeira vez, mísseis balísticos para fora do Oriente Médio, em direção a Diego Garcia, a 4.000 quilômetros de distância, além de atingir Dimona, no sul de Israel, na noite de sábado. No Líbano, os combates se intensificam na frente sul.

A terceira semana de confronto entre os poderosos exércitos dos Estados Unidos e de Israel, de um lado, e o regime iraniano, de outro, foi tão marcada por reviravoltas quanto as anteriores. O estado atual do regime iraniano é mais do que nunca precário, embora sua capacidade de ataque permaneça significativa.

O regime perdeu, nesta semana, mais precisamente em 17 de março, sua principal figura central desde o assassinato do guia supremo Ali Khamenei, em 28 de fevereiro: o poderoso chefe de segurança Ali Larijani, uma das figuras políticas mais experientes do Irã, considerado o homem forte do regime.

Ele foi morto em um ataque israelense contra um apartamento em Teerã, onde havia acabado de chegar, acompanhado de seu filho e de outros quadros do regime. O assassinato direcionado foi seguido por outros ataques que mataram membros da Guarda Revolucionária e dos Basij, força repressiva sob supervisão dos Pasdaran.

A morte de Larijani, que conduzia o poder desde a morte do guia supremo, levanta inúmeras dúvidas sobre o comando atual do regime. Isso se agrava pelo fato de que o sucessor de Ali Khamenei, seu filho Mojtaba Khamenei, ainda não fez nenhuma aparição pública e seu paradeiro permanece desconhecido.

Ferido no mesmo ataque que matou seu pai, diversos membros de sua família e cerca de quarenta altos responsáveis do regime, o novo guia supremo estaria vivo, segundo um relatório de inteligência dos Estados Unidos divulgado na imprensa internacional nesta semana.

O novo líder publicou uma segunda mensagem na sexta-feira, elevando o tom e afirmando que “o inimigo foi derrotado”.

No plano militar, o Irã continua demonstrando capacidades relevantes, apesar das destruições em seu território, com ataques inéditos no fim da semana que marcam uma possível virada na guerra.

Dois mísseis balísticos de alcance intermediário foram lançados contra a base americano-britânica de Diego Garcia, em uma ilha do oceano Índico a mais de 4.000 quilômetros do território iraniano, de onde partem aeronaves em missões contra o Irã. O chefe do Estado-Maior israelense, Eyal Zamir, afirmou que o ataque demonstra a capacidade iraniana de ameaçar capitais europeias.

Outra ameaça militar que emergiu nesta semana envolve instalações nucleares. Após bombardeios americano-israelenses contra o sítio de Natanz, no Irã, foi a vez da cidade de Dimona, no sul de Israel, que abriga uma instalação nuclear, ser alvo de mísseis iranianos.

O ataque deixou mais de 170 feridos em Dimona e Arad, mas não provocou níveis anormais de radioatividade, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica. Resta a dúvida se esses ataques indicam uma nova fase do conflito.

Ao longo da semana, o estreito de Ormuz e seu fechamento ao tráfego de petroleiros continuaram no centro das preocupações. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encerrou a semana ameaçando destruir as instalações energéticas do Irã caso o estreito não fosse reaberto em 48 horas, o que provocou novas ameaças iranianas contra posições americanas na região.

Um relatório do Axios havia mencionado, dois dias antes, um possível plano de ocupação americana da ilha estratégica de Kharg, crucial para as exportações iranianas de hidrocarbonetos, como forma de pressionar pela reabertura do estreito.

Durante a semana, Trump alternou sinais contraditórios sobre a intervenção no Irã. Em alguns momentos, afirmou querer reduzir a intensidade da guerra, alegando que os objetivos foram alcançados “semanas antes do previsto”. Em outros, ameaçou uma escalada, sem demonstrar disposição para negociar com Teerã. Paralelamente, o Exército americano deve enviar cerca de 2.000 soldados adicionais ao Oriente Médio, segundo fontes ouvidas pela Reuters.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, multiplicou declarações, defendendo que o país não aceitará um simples cessar-fogo, mas apenas o fim definitivo da guerra.

A reestruturação do Hezbollah pelo Irã

Enquanto isso, não houve trégua na frente do sul do Líbano, aberta pelo Hezbollah contra Israel, palco de ataques coordenados entre combatentes do grupo e forças iranianas. Após uma noite de intensos bombardeios entre terça e quarta-feira, que atingiram o centro de Beirute sem aviso prévio, sinal de operações israelenses direcionadas, e ataques esporádicos à periferia sul já evacuada, o foco dos combates parece ter se deslocado para a fronteira sul do país.

Os nomes das localidades de Khiam e Tibé, na região de Marjayoun, voltaram a aparecer com frequência, assim como Naqoura, na região de Tiro, agora integrada à frente de combate.

Ao longo da semana, o Hezbollah divulgou intensamente suas “operações” contra “soldados inimigos”, tanto em território libanês quanto em israelense. O grupo, no entanto, não comenta suas próprias perdas, enquanto o Exército israelense afirma ter matado mais de 500 combatentes.

Por outro lado, o avanço israelense no território libanês permanece incerto. Oficialmente, Israel aprovou novos planos militares para o Líbano no fim da semana.

A semana também foi marcada pela divulgação de um relatório citado pela Reuters, em 21 de março, sobre a reestruturação do Hezbollah pela Guarda Revolucionária desde o cessar-fogo de 27 de novembro de 2024. O documento indica a fragilidade dos esforços de desarmamento do grupo.

Segundo o relatório, após a derrota sofrida e o assassinato de seu líder histórico em setembro de 2024, o Irã investiu na reorganização do Hezbollah, enviando cerca de cem quadros militares ao Líbano de forma sigilosa.

O Hezbollah que atua atualmente seria, assim, bastante diferente do dos últimos anos, com tropas organizadas em unidades menores e mais autônomas, com menor dependência de comunicação centralizada.

Desmantelamento de redes no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos

Politicamente, o Hezbollah segue isolado no cenário interno, assim como o Irã no plano regional. Uma reunião de ministros das Relações Exteriores de países árabes e islâmicos, realizada na capital saudita na quinta-feira, resultou em um comunicado firme em defesa do direito de autodefesa dos Estados do Golfo, atingidos por ataques iranianos desde o início do conflito.

O Líbano, por meio de seu chanceler Joe Raggi, reafirmou a importância da proposta de negociações diretas com Israel.

A iniciativa, lançada pelo presidente libanês Joseph Aoun em 2 de março, segue bloqueada tanto pela recusa israelense quanto pela oposição de partidos xiitas libaneses, apesar dos esforços diplomáticos franceses.

A França, que enviou seu ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, a Beirute e Tel Aviv, não conseguiu até agora avanços concretos.

A posição oficial libanesa foi reiterada pelo primeiro-ministro Nawaf Salam em entrevista à CNN, na qual pediu a intervenção dos Estados Unidos para viabilizar negociações diretas e encerrar a guerra, que já deixou mais de mil civis mortos no Líbano.

A semana também foi marcada pelo desmantelamento de redes do Hezbollah no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos, que, segundo esses países, planejavam realizar “operações terroristas” em seus territórios.

Apesar do Hezbollah negar qualquer envolvimento, as autoridades libanesas condenaram as ações e reafirmaram apoio aos países do Golfo.

As declarações oficiais, no entanto, perdem força diante do fato de que a iniciativa militar permanece nas mãos de uma milícia considerada ilegal pelo próprio governo libanês desde 2 de março, algo que o grupo pró-iraniano ignora.

O endurecimento do discurso do Hezbollah, incluindo declarações particularmente agressivas de Mahmoud Comati, vice-presidente do conselho político do grupo, que ameaçou represálias contra “traidores” após a guerra, evidencia tanto a radicalização do movimento quanto o aprofundamento das divisões internas no Líbano.

Isso ocorre enquanto mais de um milhão de libaneses do sul seguem deslocados e acolhidos em diferentes regiões do país.

 

 

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