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O Essencial do Dia

Ordem de Netanyahu ao Exército: “Esmaguem” o Hezb

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O Exército israelense realiza cada vez mais ataques de grande escala muito além da autoproclamada “linha amarela”, como nesta imagem em Kfar Roummane, na região de Nabatiyeh. (Abbas Fakih/AFP)
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Por LevantTime .
Publicado mai 25, 2026 - 23:35

Estamos muito longe, nesta segunda-feira, 25 de maio, do entusiasmo demonstrado no sábado sobre um desbloqueio regional iminente, por meio de uma declaração de intenções entre Irã e Estados Unidos que abriria caminho para uma segunda rodada de negociações entre Washington e Teerã.

É verdade que as negociações se aceleraram e que os diferentes atores envolvidos na mediação falam em avanços. Mas não se diz que o diabo mora nos detalhes? Aparentemente, ainda há muitos pontos a resolver, já que nesta segunda-feira continua-se afirmando que um acordo poderá ser concluído “nos próximos dias”. No sábado, Washington e Teerã o apresentavam como algo quase iminente.

Mas o otimismo, ao menos na aparência, continua predominando, ainda que com cautela, já que Teerã reconheceu oficialmente, por meio do porta-voz de seu Ministério das Relações Exteriores, que foi possível chegar a “conclusões sobre grande parte das questões em análise”. Questões que, no entanto, não são as mais importantes. Porque, segundo as últimas informações, o impasse gira em torno do dossiê dos ativos iranianos congelados e do programa nuclear. Ou seja, o essencial.

Em Doha, o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador das conversas de Islamabad, Mohammad-Bagher Qalibaf, assim como o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, mantiveram discussões nesta segunda-feira com o primeiro-ministro do Catar, Mohammad Ben Abdel Rahman al-Thani, sobre possíveis soluções para esses dois temas. Segundo a agência Reuters, que divulgou a informação, as discussões também abordaram o destino do estreito de Ormuz. O governador do Banco Central do Irã participou da reunião na parte relacionada a um eventual descongelamento dos ativos iranianos no exterior, bloqueados devido às sanções americanas. Para Teerã, mergulhado em enormes dificuldades financeiras e econômicas, esse tema é prioritário. O Irã quer que parte desses ativos seja liberada antes de qualquer acordo e exige um mecanismo claro que garanta a liberação do restante dos fundos congelados, segundo a agência iraniana Tasnim. Algo que Washington rejeita até agora, já que o descongelamento dos ativos deveria ser resultado de um acordo.

O Catar está envolvido, junto com Paquistão, Arábia Saudita, Egito e Turquia, na mediação em andamento. Ao final das discussões, o primeiro-ministro catariano entrou em contato com seu homólogo de Omã para discutir formas de apoiar os esforços de conciliação, especialmente para reduzir os riscos de escalada na região. Uma iniciativa que talvez se explique pelo fato de Teerã estar negociando com Mascate uma possível coordenação para a imposição de uma taxa de pedágio em Ormuz. O Irã continua comprometido com essa medida, reafirmou Qalibaf nesta segunda-feira, apresentando-a como “custos de manutenção da navegação”. Mas ela continua sendo rejeitada pelos Estados Unidos e pelos países cujos petroleiros e cargueiros atravessam essa rota marítima regida pelo direito internacional. Isso significa que ainda há um longo caminho até um possível compromisso? Sem dúvida. Porque, embora dê sinais de abertura, Teerã continua evitando parecer que está cedendo à pressão americana e quer manter margem de negociação sobre o tema nuclear e as sanções, como mostram as declarações de Qalibaf e também do secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohammad Bagher Zolghadr. Este último garantiu nesta segunda-feira que “Teerã não recuará, como o terreno e o processo diplomático demonstraram”.

Trump modera o tom

Do lado americano, após as críticas recebidas por sua declaração estrondosa de sábado sobre “um acordo muito próximo”, considerado flexível demais por vários senadores republicanos, o presidente Donald Trump moderou o discurso. Nesta segunda-feira, escreveu em sua rede social Truth Social: “O acordo será excelente e significativo, caso contrário, não haverá acordo.” Donald Trump insistiu que um eventual documento assinado “não se parecerá com o acordo de Viena sobre o programa nuclear iraniano”, concluído em 2015 durante o governo de Barack Obama. Ele voltou a ameaçar com ataques em caso de fracasso das mediações, enquanto informações da imprensa relatavam atividade paramilitar americana na região do estreito de Ormuz.

Donald Trump também interpelou os países árabes envolvidos nas mediações, afirmando que, em caso de acordo, eles deverão aderir aos Acordos de Abraão.

Líbano e a saturação israelense

Resta o Líbano, que Teerã quer incluir em um acordo com os Estados Unidos. Para Israel, essa possibilidade está fora de questão, algo que Donald Trump parece admitir, ainda mais porque o problema do Hezbollah deverá ser resolvido no âmbito das negociações diretas entre Beirute e Tel Aviv. Uma reunião, dentro de um “processo de segurança”, está prevista para 29 de maio no Pentágono.

Segundo diversos meios de comunicação israelenses, Tel Aviv parece inclinada a ampliar o alcance de seus ataques no Líbano para acabar de vez com a ameaça dos drones do Hezb. O site Axios indicou, por sua vez, que o governo Trump apoiaria uma operação militar de grande escala contra o partido xiita. No fim da noite desta segunda-feira, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que havia dado ordem ao Exército para “esmagar” o Hezbollah.

Nesta segunda-feira, o Exército israelense intensificou seus bombardeios no sul do Líbano, atingindo especialmente vários bairros da cidade de Tiro, reduto do presidente do Parlamento e líder do movimento Amal, Nabih Berry, o campo palestino vizinho de Rashidiyeh e a região de Nabatiyeh.

Ao mesmo tempo, o Hezbollah multiplicava ataques com drones explosivos contra militares israelenses posicionados no sul do Líbano. Um soldado morreu e vários outros ficaram feridos, segundo o Exército israelense, cujo chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, defendeu uma resposta dura. Para ele, Tel Aviv deveria realizar ataques diretos contra edifícios nos subúrbios ao sul em represália. A ideia foi retomada pelo ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, enquanto o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, pedia “o retorno a uma guerra intensiva” e “o controle” da área que se estende até o rio Zahrani, localizado ao norte do Litani.

Na prática, tarde da noite de segunda-feira, todas as informações vindas de Tel Aviv apontavam para uma escalada iminente e fulminante contra o Hezbollah, com apoio explícito de Washington.

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