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O Novo Mundo

Mohammed VI deixa os números falarem

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Foto de arquivo/MAP/AFP)
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Por Khairallah Khairallah
Publicado jul 31, 2026 - 15:05

Há sucessos que geram outros sucessos. O Marrocos vem demonstrando isso desde a ascensão de Mohammed VI ao trono, há vinte e sete anos. A primeira dessas conquistas continua sendo a consolidação da marroquinidade do Saara, à qual se somaram grandes projetos que hoje são uma realidade. Entre eles destacam-se a transformação do porto de Dakhla em uma das principais portas atlânticas da África, o gasoduto africano que ligará a Nigéria ao Marrocos e a rodovia de mais de mil quilômetros que conecta Tiznit a Dakhla e que hoje leva o nome de Donald Trump.

O soberano marroquino dificilmente precisaria insistir nesses resultados em seu discurso por ocasião da Festa do Trono, sobretudo após a adoção da Resolução 2797 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em 31 de outubro de 2025. A resolução marcou um ponto de inflexão ao reconhecer explicitamente a marroquinidade do Saara e confirmar que a única solução realista continua sendo a defendida por Rabat desde 2007: uma ampla autonomia para as províncias saarianas no âmbito da soberania marroquina.

Mohammed VI preferiu deixar que os números falassem por si. Ainda assim, fez questão de lembrar àqueles dispostos a ouvir que os avanços do Reino repousam sobre bases sólidas, porque o Marrocos é, segundo suas próprias palavras, “um Estado-nação antigo”.

Como afirmou:

“O Marrocos é um Estado antigo que extrai sua força de tradições profundamente enraizadas como Estado-nação. Suas instituições cumprem plenamente seu papel em um ambiente de harmonia e complementaridade. É isso que confere ao Estado a eficácia necessária para dar continuidade às suas realizações e enfrentar os desafios apesar das dificuldades e limitações. O Marrocos demonstrou isso por meio da organização exemplar de grandes eventos continentais e internacionais, conquistando admiração e reconhecimento em todo o mundo e despertando, às vezes, a inveja de alguns.”

É natural que o Marrocos desperte “a inveja de alguns”. Os avanços alcançados transformaram o Reino em um fator de estabilidade em uma região que necessita de um ambiente completamente diferente para promover o desenvolvimento e a integração, longe dos slogans, das promessas vazias, das ilusões e da exploração dos povos e de seu futuro.

Por ocasião do vigésimo sétimo aniversário de sua ascensão ao trono, Mohammed VI tinha todas as razões para olhar para o futuro com confiança. Seu discurso voltou-se para o futuro promissor do Marrocos, um futuro que já não se apoia apenas em aspirações, mas em conquistas concretas firmemente ancoradas na realidade. Esses resultados são fruto, destacou ele, “da segurança, da estabilidade e da eficácia das instituições”. Disso decorre “a multiplicação dos indicadores positivos em todos os setores, fortalecendo a dinâmica do crescimento econômico e consolidando a soberania nacional”.

Retomando a linguagem dos números, ou seja, dos fatos concretos e verificáveis, o soberano marroquino destacou que “a taxa de crescimento atingiu cerca de 4,9% em 2025 e deverá manter-se nesse patamar, ou até mesmo superá-lo, em 2026”.

Ele observou ainda que, “no setor agrícola, o Marrocos foi beneficiado por chuvas abundantes e por uma excelente safra, o que contribuiu para fortalecer a segurança hídrica e alimentar”. Ao mesmo tempo, o Reino consolidou sua posição como polo de investimentos industriais, turísticos e financeiros, como demonstram a melhora contínua de seus indicadores, especialmente no setor industrial.

As indústrias automobilística e aeronáutica, as energias renováveis e a indústria de alimentos constituem hoje a espinha dorsal do aparato produtivo marroquino. Elas desempenham um papel decisivo tanto na atração de investimentos estrangeiros quanto na geração de riqueza e de empregos.

O Marrocos é hoje o maior exportador de automóveis da África, com uma capacidade de produção próxima de um milhão de veículos por ano. As exportações dos setores automobilístico e aeronáutico representam atualmente mais de 40% das exportações totais do Reino, superando inclusive as de fosfato.

Como parte dessa mesma estratégia, Mohammed VI lembrou ter presidido, no início deste ano, a inauguração de novas unidades industriais que permitiram ao Marrocos ingressar no seleto grupo de países que contam com grandes centros de produção de motores aeronáuticos e sistemas de trem de pouso.

O desenvolvimento de uma indústria integrada de baterias elétricas também reflete a capacidade do Reino de antecipar as transformações tecnológicas e integrar-se às cadeias globais de produção das indústrias estratégicas.

Com esse mesmo espírito de inovação e modernização, o Marrocos segue desenvolvendo grandes projetos destinados a transformar as energias renováveis em um dos pilares de sua segurança energética e em um poderoso fator de atração para indústrias que buscam energia competitiva e de baixo carbono. Como parte dessa estratégia ambiciosa, o Reino iniciou a implementação de seu programa de hidrogênio verde, autorizando uma primeira série de grandes projetos.

Tudo isso representa apenas uma pequena parte do que o Marrocos conquistou, em um país que hoje recebe vinte milhões de turistas por ano.

O discurso proferido este ano por Mohammed VI por ocasião da Festa do Trono foi uma mensagem dirigida a todos: aos que querem compreender e aos que se recusam a fazê-lo. Sua ideia central é clara: o Marrocos tem uma visão e aposta em seu povo. Confia na capacidade dos marroquinos de continuar impulsionando o desenvolvimento do país e de colocá-lo entre as nações capazes de desempenhar um papel construtivo tanto no plano regional quanto no internacional, longe dos confrontos ideológicos, das ilusões e das estéreis disputas retóricas que não oferecem qualquer horizonte político, econômico ou civilizacional.

No fundo, a mensagem é simples: o Marrocos compreendeu plenamente que o mundo mudou. Mudou de forma ainda mais profunda do que muitos imaginavam há menos de cinco anos, primeiro com o início da guerra entre a Rússia e a Ucrânia e, depois, com a onda de violência desencadeada pelos ataques de 7 de outubro de 2023 e pela guerra que mergulhou o Oriente Médio em um novo ciclo de conflitos.

O mundo mudou, e o Marrocos está determinado a assegurar seu lugar entre os países que estão redesenhando as cadeias globais de abastecimento, diversificando sua produção e conectando suas capacidades nacionais à economia mundial. Para isso, o Reino apoia-se em suas infraestruturas, em seus recursos naturais, na qualidade de sua diplomacia e de sua ação política, bem como na preservação de uma estabilidade que hoje constitui um de seus maiores trunfos, tanto no plano nacional quanto no regional.

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