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In Memoriam

Mohammad Hussein Shamseddine, este soldado desconhecido

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Saoud el-Maoula, Fares Souaid, Mohammad Baalbacki, Samir Frangieh e Mohammad Hussein Shamseddine, durante uma conferência de imprensa após a proibição pelo aparelho de segurança libano-sírio da reunião em torno do Apelo de Beirute, em 17 de junho de 2004.
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Por Fares Souaid
Publicado abr 9, 2026 - 13:22

Se escrevo estas palavras hoje, não é movido pela ética, pela amizade ou pela cortesia, mas pelo imenso respeito que nutro por um homem que deu muito ao Líbano e que permaneceu um soldado desconhecido.

Este homem chama-se Mohammad Hussein Shamseddine, e pensou e redigiu, de 1992 a 2026, a maior parte da literatura política que constituiu a pedra angular em torno da qual construímos a narrativa da soberania e da independência do país.

Para Mohammad Hussein Shamseddine, a soberania e a independência estavam sempre ligadas à unidade nacional, de que dependiam directamente. E no momento em que essa unidade nacional se quebrava, qualquer que fosse a razão, tal trazia inevitavelmente consigo uma ruptura da independência e da soberania do país.

Dizia que a maioria dos libaneses, comunidades ou partidos, para poderem acertar contas com as outras comunidades e os outros partidos, tinham optado por criar uma parceria com uma força regional ou estrangeira, à qual cediam uma parte da soberania do país em troca de uma força de apoio utilizada no interior do país contra o outro diferente.

Para ele, a independência e a soberania eram indivisíveis, e nenhum benefício podia ser criado à custa da parceria com as outras comunidades, diferentes ou não.

Chamseddine era um soldado desconhecido porque se havia atribuído a grandes pensadores o mérito de terem redigido, por exemplo, a literatura do Congresso Permanente de Diálogo. Havia-se atribuído a grandes pensadores o mérito de terem redigido toda a literatura de Kornet Shehwane, do 14 de Março, da secretaria-geral, dos manifestos políticos elaborados cada ano, das cartas dirigidas ao exterior, aos centros de decisão árabes, etc.

Todo esse património nacional e político era, na verdade, devido ao pensamento de Mohammad Hussein Shamseddine.

Era em torno dele que nos reuníamos na secretaria-geral, cigarro na mão, com um rio de café servido pela Antoinette. Em torno desse sábio, desse homem de uma modéstia extrema que nunca havia tentado, ao contrário de muitos políticos e pensadores políticos, colocar em evidência o que sabia à custa do outro.

Pelo contrário, ensinava, com serenidade, como um sábio. À sua volta, todos, todos escutavam, vendo nele uma fonte de bondade, de coragem, de bom senso, de inteligência e, sobretudo, de uma compreensão profunda da complexidade da sociedade libanesa.

Mohammad, serás para mim, sempre, como o foram Sami Frangieh ou Nassir el-Assad, um homem de saber de quem aprendi a permanecer modesto, a ler intensamente e a ver e conhecer o Líbano de uma maneira diferente.

O Líbano, como dizias sempre, não pode repousar num equilíbrio de força, mas na força do equilíbrio.

Que sejas ouvido, sobretudo nestes momentos terríveis que atravessamos actualmente, e que as tuas palavras e o teu pensamento constituam o pilar filosófico do Líbano de amanhã.

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