

No dia 6 de novembro, o Conselho de Segurança das Nações Unidas, sob liderança dos Estados Unidos, votou pela suspensão das sanções impostas ao presidente sírio Ahmad el-Chareh. A decisão segue uma medida semelhante tomada no início do verão, quando os Estados Unidos e a União Europeia encerraram suas sanções contra a Síria de Bashar al-Assad, adotadas durante a guerra civil iniciada em 2011. A retirada geral das sanções permitirá que o país volte a se integrar ao mundo árabe e à economia global. Isso abre espaço para novos investimentos e para o início de sua reconstrução.
O Caesar Act
Entre as sanções contra o regime de Assad, a mais emblemática foi a adoção do Caesar Act pelos Estados Unidos em 2019. A lei leva o nome de um fotógrafo militar sírio que contrabandeou mais de 50 mil imagens que documentavam abusos cometidos pelo regime baathista durante a guerra civil.
O Caesar Act atingiu setores vitais da economia síria com muito mais rigor do que as sanções anteriores impostas pela ONU ou pela União Europeia. A lei punia qualquer pessoa ou empresa que oferecesse apoio direto ou indireto ao regime de Assad. Os setores mais afetados foram os de armamentos, energia e serviços financeiros.
O Caesar Act estrangulou financeiramente o regime de Bashar al-Assad e seu círculo próximo, que controlava grandes parcelas da economia. A medida acelerou o colapso econômico do país e isolou completamente a Síria do mundo exterior. Também aprofundou a desvalorização da libra síria, paralisou a economia e incentivou o contrabando e a expansão de redes de tráfico de drogas.
Em 30 de junho de 2025, Donald Trump assinou uma ordem executiva revogando o Caesar Act. A revogação ainda precisa ser confirmada pela Câmara dos Representantes. A legislação continuará valendo para Bashar al-Assad e seus aliados e só será suspensa para atividades relacionadas ao governo de Ahmad el-Chareh.
Reabilitação econômica
O primeiro passo para a recuperação econômica do país é seu retorno ao SWIFT, a plataforma usada pela maior parte dos bancos no mundo para transferências internacionais. Mesmo com a existência de sistemas alternativos, a maioria das transações globais ainda passa pelo SWIFT.
Em junho, a Síria fez sua primeira transação na plataforma em mais de 14 anos. O país havia sido excluído do sistema em 2011, no início da guerra civil, e ficou impossibilitado de realizar transferências bancárias internacionais. Nesse período, passou a depender de operações em dinheiro vivo, o que dificultava qualquer verificação sobre a origem ou o destino dos recursos.
A reintegração ao SWIFT aumentará a transparência das transações financeiras. O sistema funciona com bancos correspondentes que atuam como intermediários e seguem regras de conformidade criadas, por exemplo, para impedir operações envolvendo Bashar al-Assad ou pessoas ligadas a ele.
Atividade em alta
A retirada gradual das sanções já mostra efeitos claros. Desde o último verão, diversos fóruns, cúpulas e conferências para investidores interessados no mercado sírio foram realizados em várias capitais árabes.
Segundo Ahmad el-Chareh, o país atraiu quase 28 bilhões de dólares em investimentos. Os principais investidores são a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Catar. A velocidade com que os recursos serão liberados, o engajamento imediato dos países do Golfo e a assinatura de acordos para grandes projetos de infraestrutura, em um cenário de flexibilização progressiva das sanções, são fatores que devem atrair ainda mais investimentos. Isso pode impulsionar a reconstrução e ajudar na reintegração da Síria ao comércio internacional.
A retirada gradual das sanções se apresenta como a base dos esforços de reconstrução. O caminho ainda é longo e há muito trabalho pela frente. Os desafios são numerosos, assim como as oportunidades. Nesse contexto, torna-se essencial analisar e destacar os principais obstáculos e perspectivas que a nova liderança síria terá de enfrentar. Continuação em breve.
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