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Cultura

O impressionismo libanês: Omar Onsi, mestre da luz (2/4)

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«Na exposição», uma das obras surpreendentes de Omar Onsi.
Retrato do autor
Por Micha Moussallem
Publicado abr 8, 2026 - 14:52

Como vimos em nosso artigo anterior, quatro pioneiros da pintura libanesa moderna, Khalil Saleeby, Omar Onsi, César Gemayel e Mustafa Farroukh, souberam imprimir uma alma libanesa e oriental ao impressionismo ocidental.

Omar Onsi, figura central da pintura moderna libanesa, destaca-se por seu domínio da transparência e da luz. Ao privilegiar a aquarela em suas obras, conseguiu traduzir a poesia das montanhas e da natureza libanesa.

Influenciado por Monet, Onsi eliminou o preto e utilizou, para as sombras, azuis e malvas profundos. Pintando ao ar livre, seu domínio excepcional da luz lhe rendeu o apelido de “mestre da luz” do Líbano.

Com sua observação rigorosa da realidade e sua sensibilidade moderna, Onsi conseguiu libertar a pintura libanesa dos retratos clássicos rígidos e abrir caminho para cenas de vida e para uma natureza libanesa sublimada.

Uma vocação afirmada

Nascido em Beirute em 1901, em uma família sunita culta, aberta às ideias e ao modo de vida europeus, o jovem Omar descobre muito cedo o desenho e a pintura, incentivado por um avô poeta a quem deve seu nome.

Após uma passagem pela faculdade de medicina do Syrian Protestant College, que mais tarde se tornaria a Universidade Americana de Beirute, interrompe os estudos contra a vontade dos pais e escolhe a carreira artística sob a influência de Khalil Saleeby. Inicia-se então na técnica, no retrato e no nu no ateliê deste último.

Em 1921, conquista uma medalha de prata na Feira Internacional de Beirute, primeiro reconhecimento público de seu talento.

Múltiplas influências

No início dos anos 1920, Onsi passa vários anos na Jordânia como professor de pintura e de inglês. Ali descobre a luz intensa e as cores do deserto. Esse contato com o espaço levantino alimenta sua sensibilidade e seu imaginário pictórico. Pinta então cenas beduínas e paisagens áridas em uma abordagem quase etnográfica.

No fim da década, parte para aperfeiçoar-se em Paris, especialmente nas academias Julian, La Grande Chaumière e Colarossi, onde entra em contato direto com o impressionismo, bem como com as escolas de Barbizon e de Fontainebleau. Pinta cenas parisienses, nus, retratos e estabelece amizade com artistas libaneses da diáspora, como o escultor Youssef el-Houwayek.

Em 1933, retorna ao Líbano com sua segunda esposa, após um período de retiro na Síria em decorrência da morte de sua primeira mulher. Essa experiência marca uma transformação decisiva em sua trajetória artística: sua paleta torna-se mais clara e suas cores mais vibrantes. A influência impressionista em sua obra se afirma.

Retorno a Beirute e reconhecimento

De volta ao Líbano, Omar Onsi passa a viver de sua arte. Realiza sua primeira exposição na Escola de Artes e Ofícios de Beirute no início dos anos 1930. Rapidamente, a imprensa o apresenta como um importante paisagista, e as elites de Beirute começam a colecionar suas obras.

Ao mesmo tempo em que multiplica cenas rurais, Onsi aborda temas muito mais ousados e tabus, como o nu.

Nas décadas de 1940 e 1950, expõe na Europa, no Egito e no Oriente Médio, produzindo uma iconografia ao mesmo tempo local e transnacional.

Seu papel na pintura libanesa moderna

Omar Onsi desempenhou também um papel institucional de grande relevância. Cofundador, em 1957, da Associação Libanesa de Artistas Pintores e Escultores, passa a integrar, a partir de 1960, o conselho administrativo do Museu Sursock, que se torna um dos principais espaços da modernidade artística em Beirute.

Até sua morte, em 1969, em Beirute, continua explorando as infinitas variações da paisagem libanesa, ao mesmo tempo em que consolida, por meio de seu ensino e de seu engajamento, a infraestrutura cultural do jovem Estado libanês. Uma grande retrospectiva no Museu Sursock, em 1997, consagrou definitivamente seu lugar como pioneiro da pintura moderna no Líbano.

Suas obras hoje são preservadas em instituições prestigiadas, como o Mathaf, Museu Árabe de Arte Moderna, no Catar. Também podem ser encontradas em coleções privadas, galerias especializadas e em leilões de casas renomadas como Christie’s ou MutualArt.

Uma obra icônica

Uma das obras mais marcantes de Omar Onsi é a tela “À l’exposition”, pintada em seu retorno de Paris, em 1932. Essa pintura a óleo, ousada, combina retratos e cenas de observação em uma tensão cultural impactante entre modernidade e códigos sociais orientais. Simboliza a transição no estilo e no pensamento de Onsi, que se afasta dos retratos clássicos.

Nela, vemos mulheres do Oriente Médio, veladas e vestidas de preto, admirando um nu feminino em um museu, espectadoras orientais de um objeto erótico vindo do Ocidente. Uma cena claramente transgressora para a época.

Em outra sala, uma mulher vestida à ocidental conversa com um homem de terno e tarbuche, encontro e tensão entre modernidade ocidental e tradições orientais.

A composição em múltiplos planos da obra cria uma profunda perspectiva, enquanto as tonalidades violáceas, negras e azuladas intensificam uma atmosfera ao mesmo tempo intimista e dramática, destacando a luz sobre os corpos nus.

O quadro sintetiza o choque de civilizações entre uma sociedade oriental estabelecida e outra em formação, ilustrando de maneira precisa a sociedade libanesa do período entre guerras.

Próximo artigo

Impressionismo libanês: César Gemayel, um pioneiro entre dois mundos

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O impressionismo libanês: da grisalha parisiense à luz do Monte Líbano (1/4)

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