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Opinião

Terra em troca da paz

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O embaixador de Israel nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, o chefe de gabinete do Departamento de Estado, Daniel Holler, e a embaixadora do Líbano nos Estados Unidos, Nada Hamadeh, assinando um acordo-quadro no Departamento de Estado americano em Washington, DC, em 26 de junho de 2026. (Saul Loeb / AFP)
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Por Fady Noun
Publicado jul 6, 2026 - 13:17

“Terra em troca da paz.” Em apenas quatro palavras, com uma formulação antiga e ainda atual, resume-se o acordo israelo-libanês firmado em Washington (23 a 26 de junho), desde que se coloque o interesse da população das aldeias destruídas acima de qualquer outra consideração. O restante é detalhe.

Sim, terra em troca da paz, mas não de qualquer paz. Uma paz baseada na concentração das armas nas mãos do Estado libanês tal como ele existe hoje: uma democracia parlamentar, terra de liberdade e de pluralismo.

Também se poderia dizer assim: a terra em troca das armas do Hezbollah. Porque, ao contrário do que muitos pensam, o Acordo de Washington é um acordo de paz, não um acordo de guerra. Ele poderia ser aplicado sem que um único tiro fosse disparado.

O Hezbollah falou em “guerra civil”. Mas quem deseja uma guerra civil? O acordo de Washington permitiria substituir as forças do Hezbollah, profundamente desgastadas, por forças estatais legais e pluriconfessionais, cuja única função seria defensiva, e não ofensiva. De fato, o Líbano não tem qualquer ambição territorial sobre Israel. Tudo o que deseja e reivindica é o respeito às suas fronteiras, algo que está claramente previsto no Acordo de Washington. E apenas isso.

O Irã conseguiu obter um cessar-fogo, ainda que bastante relativo, no Líbano ao lançar uma salva de mísseis balísticos contra Israel. Mas, diante da correlação de forças existente, é irrealista acreditar que Teerã também conseguirá, por meio da ameaça, obter uma retirada israelense total do território libanês. Tudo o que essa dinâmica poderia produzir seria um aumento do número de mortos e da destruição, acompanhado do risco de anexação. Em outras palavras, uma guerra de mil anos.

Trata-se de um acordo de capitulação? Sim, em um sentido estrito da palavra. Porque o acordo de paz que ele impõe corresponde, em sua essência, tanto a uma demanda libanesa quanto israelense, já que o episódio de guerra ao qual põe fim ocorreu contra a vontade do Estado libanês, em decorrência de uma decisão iraniana à qual Beirute era profundamente contrária. Afinal, que restrições desnecessárias ele imporia ao Líbano? A de não possuir capacidade nuclear? Ou não dispõe de uma força aérea militar?

Os idealizadores do Acordo de Washington não apenas não desejavam a guerra, como eram profundamente contrários à ideologia belicista que move o Hezbollah. Essa ideologia deu ao grupo a ilusão de travar uma jihad heroica a serviço de Deus. Mas todos puderam ver como esse combate levou a um massacre e a destruições que talvez sejam irreversíveis.

Além disso, como o Hezbollah pôde imaginar, por um único instante, que sua ideologia político-religiosa seria capaz de conquistar a adesão dos cristãos, sem falar das demais comunidades que compõem o Líbano?

O Líbano faz parte da comunidade árabe, não da comunidade islâmica. Embora a paz com Israel seja estranha à ideologia iraniana, ela não é estranha ao mundo árabe. Parte dele já assinou acordos de paz com Israel, enquanto outra parte, liderada pela Arábia Saudita, condiciona esse passo ao surgimento de um Estado palestino.

A comunidade cristã está ainda mais distante desse horizonte de pensamento porque ela própria pagou o preço desse tipo de aventureirismo durante as Cruzadas. Sem dúvida, pode-se afirmar sem hesitação que o direito à autodefesa continua sendo sagrado. No entanto, a Igreja Católica passou a questionar o conceito de “guerra justa”, que no passado chegou a apoiar, diante da impossibilidade de que suas condições sejam hoje atendidas na era dos algoritmos, das máquinas autônomas e da dissuasão nuclear.

Hoje já não existem armas “convencionais”. Todos conhecem a célebre frase atribuída a Einstein sobre a guerra atômica. Defensor do desarmamento nuclear, ele teria afirmado que, caso uma Terceira Guerra Mundial acontecesse, “a quarta seria travada com paus e pedras”.

Ao contrário, as comunidades cristãs do Oriente, que pagaram um preço muito alto pelo episódio da espoliação da Palestina, aspiram agora a exercer plenamente seu direito de acesso aos seus lugares santos: Jerusalém, Nazaré e Belém, lugares onde viveu seu Salvador e onde ressuscitou, vencedor da morte e da violência. É nesse sentido que podem esperar acreditar na promessa deixada por Cristo: “Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.”

A terra não pertence aos violentos, diz o Senhor. Ela pertence a homens que, como Joseph Aoun, aprenderam com a guerra a “odiar a guerra”. Foi isso que o ouvimos dizer durante sua entrevista à Christiane Amanpour, da CNN. O chefe de Estado faria bem em reservar um espaço na televisão para explicar o acordo de Washington à população libanesa.

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