


A guerra entre a República Islâmica Iraniana, por um lado, e o eixo americano-israelense, incluindo por ricochete a Europa e os países do Golfo, assim como a Turquia, por outro lado, completa, neste sábado, 14 de março, sua segunda semana. Esta primeira fase do conflito foi essencialmente focada, do lado ocidental, na eliminação, nas primeiras horas da ofensiva, em 28 de fevereiro, de cerca de quarenta membros do alto comando militar e político iraniano, incluindo o Guia Supremo Ali Khamenei, seguida de um bombardeio aéreo massivo e contínuo visando destruir as infraestruturas militares e administrativas do regime.

Do lado iraniano, as operações militares consistiram em lançamentos de mísseis balísticos e drones direcionados contra o território israelense, mas também contra os países do Golfo, paralelamente à reativação, ao amanhecer de 2 de março, da frente do Sul do Líbano.
O fim desta segunda semana de guerra foi marcado por um desenvolvimento importante de grande alcance estratégico: o bombardeio pela aviação americana das instalações militares e civis e da estrutura de defesa aérea da ilha iraniana de Kharg, localizada ao norte do Golfo Pérsico, a cerca de vinte quilômetros da costa iraniana.
Frequentemente qualificada como a «joia da coroa» da indústria petrolífera iraniana ou também como o «calcanhar de Aquiles energético» do Irã, a ilha de Kharg sempre representou o verdadeiro pulmão econômico do Irã. E por uma boa razão: quase 90 por cento das exportações de petróleo do Irã passam por esta ilha, facilmente acessível por grandes superpetroleiros devido às suas águas profundas, ao contrário de outros portos. A ilha oferece ainda uma infraestrutura que permite acolher vários superpetroleiros de forma concomitante e de armazenar não menos de 35 milhões de barris de petróleo.
A importância altamente estratégica da ilha de Kharg permitiu ao presidente Donald Trump obter uma carta mestra no braço de ferro surgido há alguns dias em torno do Estreito de Ormuz e das intenções dos Pasdaran de bloquear a livre circulação marítima nesta via de transporte vital. O chefe da Casa Branca sublinhou assim claramente, no sábado, que a aviação americana efetivamente destruiu as instalações militares, aéreas e marítimas da ilha, mas absteve-se de atacar a infraestrutura petrolífera.
Para o presidente Trump, a equação é clara: se o regime iraniano tentar fechar o Estreito de Ormuz, a aviação dos EUA destruirá as instalações petrolíferas de Kharg, o que terá como consequência provocar a asfixia econômica e financeira da República Islâmica. As exportações de petróleo representam, de fato, a principal fonte de receita do Irã.
Para juntar a ação à palavra, o exército americano decidiu enviar como reforço para a região do Oriente Médio e do Golfo 2500 fuzileiros navais, o que acentuou os rumores que circulavam, no sábado, sobre um possível desembarque dos EUA em Kharg para resolver o problema do Estreito de Ormuz. Parece evidente, neste contexto, que o resultado desta delicada queda de braço terá um impacto certo no preço mundial do petróleo e, consequentemente, no preço da gasolina na bomba e dos produtos de grande consumo. Este impacto já se faz sentir devido ao fato de o Irã continuar os seus lançamentos de mísseis contra os países petrolíferos do Golfo, incluindo os Emirados Árabes Unidos, onde a atividade no porto de Fujairah foi interrompida no sábado devido a um incêndio provocado por um lançamento de míssil.
Os outros “pontos quentes”
No nível dos outros «pontos quentes» do conflito, a noite de sexta-feira e o dia de sábado foram marcados pelos já tradicionais ataques aéreos e lançamentos de mísseis, tendo como alvo a periferia sul e várias aldeias do Sul do Líbano, ou também o norte de Israel e a Galileia. Paralelamente, o exército israelense prosseguiu sua lenta avançada em alguns setores da região meridional do país. O ministro da Defesa israelense sublinhou a este respeito que «o conflito entrou numa nova fase», o que credita a tese de uma possível ocupação prolongada por Israel da zona do Sul do Líbano situada a sul do Litani.
A nível regional, a embaixada dos Estados Unidos em Bagdá foi alvo de um lançamento de mísseis que provocou ligeiros danos materiais, enquanto o governo iraquiano anunciava a adoção de medidas especiais visando impedir qualquer nova agressão contra os interesses franceses no Iraque, como foi o caso há dois dias.