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Política

Ofensiva israelo-americana: objetivo, «a erradicação do regime dos mulás»

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Fumaça sobe após um ataque de míssil iraniano contra o quartel-general da 5ª Frota da Marinha dos EUA em Manama, no Bahrein. (Stringer/Anadolu via AFP)
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Por Michel Touma
Publicado fev 28, 2026 - 13:08

O povo iraniano, juntamente com outras populações da região do Levante, aguardava há décadas este Dia D. Os intensos ataques aéreos americanos e israelenses lançados nas primeiras horas da manhã deste sábado, 28 de fevereiro, não parecem configurar uma ação pontual e limitada no tempo e no espaço. Ao contrário, indicam o prelúdio de uma ofensiva ampla e radical — tanto no plano militar quanto político — contra o regime dos aiatolás no poder em Teerã.

Isso se depreende não apenas da extensão e da magnitude dos bombardeios conjuntos, mas sobretudo da declaração radio-televisiva do presidente Donald Trump, transmitida pela manhã (provavelmente gravada na noite de sexta-feira).

Com sua franqueza habitual, o chefe da Casa Branca definiu sem rodeios as linhas mestras da operação, batizada por Israel de “Escudo de Judá”, numa referência à proteção divina.

Dando continuidade às declarações particularmente duras feitas nos últimos dias contra o regime iraniano — especialmente durante seu discurso sobre o Estado da União —, Trump anunciou que os Estados Unidos lançaram um ataque “de grande escala” contra o Irã, acrescentando que a operação “prosseguirá para impedir que o Irã represente uma ameaça à América”.

Para destacar o alcance geoestratégico da ofensiva, o presidente afirmou que “garantiremos que os proxies do Irã não representem mais qualquer ameaça à região”, numa referência direta aos braços da Guarda Revolucionária Islâmica no Líbano (por meio do Hezbollah), no Iraque e no Iêmen.

No caso libanês, Trump recordou — numa declaração inédita para um presidente americano — que aliados do Irã foram responsáveis pelo atentado contra os fuzileiros navais dos EUA em Beirute, em 1983, ressaltando que a operação terrorista, patrocinada pelo regime dos aiatolás, causou a morte de 241 militares americanos.

O presidente foi particularmente explícito quanto aos objetivos da ofensiva lançada em 28 de fevereiro. “Destruiremos os mísseis iranianos, arrasaremos a força naval iraniana”, declarou. “Convido a Guarda Revolucionária a depor as armas. Se o fizerem, estarão a salvo; caso contrário, nós os destruiremos.” Dirigindo-se diretamente ao regime, acrescentou: “Depõem as armas e receberão Justiça.”

Em termos claros, Trump exige uma capitulação total do regime, o que implicaria sua queda e erradicação, bem como uma profunda reconfiguração do cenário geopolítico no Oriente Médio.

Por fim, enviou uma mensagem ao povo iraniano: “A hora de sua libertação está próxima.” A declaração foi rapidamente acolhida pela população da região de Al-Ahwaz, no sudoeste do Irã, majoritariamente de origem árabe, que ainda no fim da manhã proclamou uma rebelião contra o poder central “persa” dos aiatolás.

Por sua vez, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também foi enfático ao afirmar, durante entrevista coletiva, que o objetivo de Israel é provocar uma mudança de regime em Teerã.

Expansão das operações militares

Indicando que a ofensiva não tem caráter limitado ou pontual, os bombardeios não se restringiram a Teerã, alcançando diversas grandes cidades, provavelmente visando sistemas de defesa antiaérea e mísseis de longo alcance. Entre as localidades atingidas estão Qom, Tabriz, Kermanshah, Isfahan, Khorramabad, Karaj e Garmdarreh.

Em represália, os Pasdaran lançaram, no final da manhã, cerca de trinta mísseis balísticos em direção ao norte de Israel, Tel Aviv e Jerusalém. De forma significativa, os ataques iranianos também atingiram, em menor escala, Catar, Kuwait, Bahrein, Abu Dhabi, Dubai, Jordânia e até Riad. Segundo Teerã, o objetivo seria atingir bases americanas — embora estas já tivessem sido evacuadas dias antes pelas forças dos Estados Unidos.

A posição do Estado libanês

Enquanto a ofensiva militar americano-israelense prosseguia contra o regime de Teerã, o presidente Joseph Aoun e o primeiro-ministro Nawaf Salam divulgaram comunicados separados ressaltando explicitamente a necessidade de manter o Líbano totalmente à margem do conflito, denunciando qualquer intenção do Hezbollah de se envolver na confrontação.

Na mesma linha, o ministro das Relações Exteriores, Joe Raggi, declarou de forma categórica: “O interesse do Líbano deve prevalecer sobre qualquer outra consideração… Neutralidade, neutralidade, neutralidade.”


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