
A colina e sua rede de túneis é um bastião estratégico do Hezbollah


O exército israelense anunciou na quinta-feira ter «concluído a limpeza de duas infraestruturas subterrâneas do Hezbollah na crista de Ali al-Taher», no sul do Líbano, informando que «suas forças estão agora empenhadas em neutralizá-las».

Citado pelo Jerusalem Post e em sua conta no X, o exército israelense esclareceu que «as forças da 36ª divisão operaram na região nas últimas semanas e assumiram o controle operacional da crista, tanto na superfície quanto no subsolo. Durante a operação, a área foi desocupada dos combatentes do Hezbollah que lá estavam posicionados, alguns dos quais foram mortos enquanto outros fugiram».
As fontes indicaram ainda que não havia nenhum pessoal iraniano nos túneis, enquanto especialistas afirmavam que pelo menos uma dúzia de membros do Corpo dos Guardiões da Revolução Islâmica estaria entrincheirada no local ao lado de combatentes do Hezbollah.
O Post afirma que, segundo o exército, essas infraestruturas foram construídas ao longo de aproximadamente vinte anos e foram planejadas e financiadas pelo Irã.

Ilustração gerada a partir do relevo da região de Ali al-Taher.
Além disso, de acordo com informações reveladas pela Reuters, os iranianos teriam alertado os Estados Unidos sobre um possível ataque israelense ao local de Ali al-Taher.
Isso demonstra o quanto Teerã continua envolvida na frente aberta pelo Hezbollah, seu aliado, contra Israel desde 2 de março.
Israel libera cinco libaneses e mantém três outros detidos
A quinta-feira começou com uma operação israelense pouco comum, realizada relativamente longe da zona ocupada, na aldeia de Houla, em Hasbaya, no sul do país.
As tropas israelenses se infiltraram nessa aldeia e detiveram três de seus moradores, após cercarem várias casas e impedirem seus ocupantes de evacuá-las, segundo a Agência Nacional de Informação.
Os detidos foram levados para o território israelense, de acordo com testemunhas citadas pela agência.
Essa nova violação israelense, somada às múltiplas explosões provocadas na quinta-feira pelo seu exército em diversos pontos do sul do país, não impediu a outra surpresa do dia: o anúncio, por parte de Israel, da libertação de cinco prisioneiros libaneses detidos em suas prisões, todos arrestados durante este conflito, desde 2 de março, ou durante o anterior, em 2023-2024.
Um jovem foi de fato libertado na quinta-feira e entregue ao exército libanês na fronteira de Naqoura. Segundo o site local al-Modon, a libertação de outros quatro libaneses teria sido adiada para sexta-feira.
«Eu não chamaria isso de guerra»
Em relação ao conflito com o Irã, o vice-presidente americano JD Vance afirmou na quinta-feira que as hostilidades — que geram descontentamento em parte do eleitorado americano às vésperas de importantes eleições legislativas — não constituíam «uma guerra», ao mesmo tempo em que declarou que a passagem pelo estreito de Ormuz havia «praticamente» voltado ao normal.
Enquanto, segundo o Wall Street Journal, o presidente Donald Trump estaria considerando declarar pura e simplesmente o fim do conflito, o vice-presidente tentou minimizar as hostilidades durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca. «Eu não chamaria isso de guerra. No momento, não há troca de tiros», afirmou, embora os Estados Unidos tenham atacado alvos iranianos por duas vezes nos últimos dias.
Um desses ataques, que o Irã prometeu vingar, matou quatro pessoas durante um casamento.
«A mídia estatal iraniana não tem relatado de forma muito confiável o que aconteceu neste conflito até agora, por isso sou extremamente cético a esse respeito», declarou JD Vance em resposta a uma pergunta sobre esse ataque, acrescentando que os Estados Unidos estavam conduzindo, ainda assim, «uma investigação aprofundada».
«Temos um grande controle sobre o estreito de Ormuz. Fazemos passar de 30 a 40 navios por noite», garantiu Donald Trump em uma entrevista ao canal conservador britânico GB News, transmitida na quinta-feira.
Por fim, o sinal mais claro de que a guerra está longe de terminar no Médio Oriente: segundo o Wall Street Journal, o Ministério da Defesa dos Estados Unidos prorrogou discretamente a presença de 50.000 soldados destacados na região.
Ataques iranianos ao Kuwait e aos EAU
No terreno, os Guardiões da Revolução Islâmica anunciaram ter realizado, na noite de quarta para quinta-feira, ataques contra «alvos americanos» no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos.
Em comunicado, os Pasdaran afirmam ter visado «com mísseis e drones os sistemas de comunicação por satélite, os depósitos de equipamentos e os hangares de aviões de combate do exército americano na base aérea Ahmad al-Jaber, no Kuwait».
Nos Emirados Árabes Unidos, foram visados os sistemas de radar americanos da base aérea de al-Minhad.