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Conflito iraniano: negociações da 'última chance'

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O ministro israelita da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, divulgou na quarta-feira um vídeo legendado "Bem-vindo a Israel", mostrando dezenas de ativistas de diferentes nacionalidades da "frota humanitária para Gaza" no convés de um navio militar, de joelhos, as mãos amarradas e a testa no chão, ao fundo do hino nacional israelita. (captura de vídeo via AFP)
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Por LevantTime .
Publicado mai 21, 2026 - 01:11

O sul do Líbano voltou a registrar uma nova escalada durante a noite de terça-feira e novamente na quarta-feira, enquanto no nível regional, o Paquistão continua atuando discretamente para tentar desativar um conflito que ameaça degenerar a qualquer momento, diante das trocas de ameaças entre Washington e Teerã.

O exército israelense realizou nas últimas vinte e quatro horas uma série de ataques mortais, aéreos e de artilharia, contra numerosas posições e infraestruturas do Hezbollah em aldeias e sítios no sul do Líbano.

Segundo o último balanço divulgado pelo ministério da Saúde libanês, esses ataques causaram a morte de pelo menos 20 pessoas nas últimas 24 horas, sendo 13 apenas na aldeia de Deir Qanoun el-Nahr.

Este número tende a aumentar enquanto as buscas prosseguem na quarta-feira nos escombros das residências atacadas.

A situação piorou na quarta-feira de manhã com ataques quase ininterruptos contra posições do partido pró-iraniano nas localidades de Bint Jbeil e Nabatiyeh, enquanto o Hezbollah divulgava, em uma série de comunicados, confrontos violentos no terreno com as forças na zona fronteiriça.

O exército israelense por sua vez anunciou em comunicado que um de seus oficiais foi gravemente ferido em um ataque de drone do Hezbollah. Um soldado também foi levemente atingido, de acordo com o texto.

Este aumento da violência no sul do Líbano frustrou as esperanças de uma desescalada esperada por Beirute após a prorrogação de 45 dias do cessar-fogo, que havia sido negociada em Washington.

Rumo a um desfecho no Golfo?

Ocorre no exato momento em que o Paquistão, mediador-chave entre Washington e Teerã, tenta novamente encontrar um compromisso mínimo para permitir a retomada das negociações entre as duas capitais.

O ministro do Interior paquistanês, Mohsin Naqvi, viajou neste contexto pela segunda vez em menos de uma semana para Teerã.

Esta viagem ocorre em meio a tensões crescentes entre Teerã e Washington. O presidente do Parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf, também principal negociador iraniano nas discussões de Islamabad, alertou que seu país preparou uma "resposta vigorosa" a qualquer novo ataque americano ou israelense.

A Guarda Revolucionária também advertiu que a guerra no Oriente Médio se estenderia "além da região" em caso de ataques.

Respondendo a perguntas da imprensa na Casa Branca, o presidente americano Donald Trump deixou entender que uma retomada dos ataques ainda é considerada em caso de fracasso dos esforços diplomáticos, aliás elogiados pela Arábia Saudita.

"Estamos na fase final das negociações com o Irã. Veremos o que vai acontecer. Ou chegamos a um acordo, ou atingimos com força. Esperamos que isso não aconteça", afirmou, enquanto se dizia contrário a qualquer precipitação. "Não tenho pressa", declarou. "Todos falam sobre as eleições de meio de mandato, mas não tenho pressa. Idealmente, eu gostaria de ver um número restrito de pessoas mortas em vez de vários", completou.

Comboio para Gaza: um vídeo suscita indignação

O presidente Trump também afirmou estar na mesma sintonia com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que enfrenta atualmente uma nova crise provocada pela abordagem vigorosa dos ativistas do "comboio para Gaza".

O comportamento de seu ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, que divulgou um vídeo dele com os ativistas ajoelhados e amarrados após sua colocação em detenção, suscitou reações indignadas na Europa e no mundo, apesar das críticas de Netanyahu e do ministro das Relações Exteriores Gideon Sa'ar.

As reações internacionais foram rápidas. O tratamento dado aos detidos foi considerado "inadmissível" por Roma, que exigiu "desculpas", "monstruoso, indigno e desumano" por Madri, "odioso" por Otava. Dublin declarou-se "consternada e chocada".

A França anunciou ter convocado o embaixador israelense pelos "atos inadmissíveis" do ministro Ben Gvir, conhecido por seus excessos, assim como a Bélgica, que considerou as imagens "profundamente perturbadoras".

A Alemanha, qualificando o episódio como "totalmente inaceitável". A Turquia denunciou a "mentalidade bárbara" do governo israelense.

A ministra britânica das Relações Exteriores, Yvette Cooper, declarou no X que essas imagens "violam os padrões mais elementares de respeito e dignidade quanto à forma como as pessoas devem ser tratadas".

O embaixador americano em Israel, Mike Huckabee, criticou "atos desprezíveis".

Putin em Pequim

Longe do conflito regional, a atenção era focada, nesta quarta-feira, nas discussões em Pequim entre os presidentes chinês e russo Xi Jinping e Vladimir Putin, cuja visita ocorre menos de uma semana após a do presidente Trump.

Os dois países destacaram a necessidade de retomar o diálogo e as negociações assim que possível no Oriente Médio, segundo o texto de uma declaração conjunta divulgada pelo Kremlin, enquanto Teerã anunciava ter autorizado cerca de cinquenta navios-tanque com bandeira de "países que coordenam conosco" a atravessar o Estreito de Ormuz.

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