


Desde os ataques americanos contra o Irã na noite de terça-feira, os primeiros em cerca de um mês, a tensão entre os beligerantes atingiu seu ponto máximo. O Irã respondeu com novos ataques durante a noite de terça e ao longo do dia de quarta-feira, contra países vizinhos, como costuma fazer sempre que é atacado.
A Jordânia afirmou ter abatido vários drones. No Kuwait, um incêndio eclodiu após um ataque de drone, e os próprios iranianos declararam ter atacado as bases de Al-Dhafra e Al-Minhad, nos Emirados Árabes Unidos.
Mais tarde no dia, os Guardiões da Revolução anunciaram ter atacado alvos americanos em Erbil, no Curdistão iraquiano.
Os Estados Unidos, que até o fim da tarde não haviam realizado novos ataques, voltaram a pedir na quarta-feira que seus cidadãos na região redobrassem a vigilância.
Os ataques americanos da noite anterior deixaram marcas profundas. O Irã anunciou pelo menos onze mortos, entre eles quatro durante um casamento no sudeste do país, onde cerca de cinquenta pessoas ficaram feridas, e mais sete na região de Khuzestão, em ataques a mísseis que também deixaram oito feridos. Os Basij, por sua vez, reconheceram a morte de quatro de seus membros nos ataques, além de três integrantes da famigerada polícia da moralidade.
O Ministério iraniano das Relações Exteriores denunciou um 'crime de guerra'. O exército americano, sem comentar diretamente o assunto, limitou-se a garantir que 'jamais tem civis como alvo'.
No entanto, quem se destacou foi o presidente do Parlamento e principal negociador com os americanos nas conversações de Islamabad, Mohammad Bagher Ghalibaf.
Retomando de forma bastante significativa o vocabulário dos primeiros tempos da Revolução Islâmica, o ex-Pasdaran chamou os Estados Unidos de 'grande Satanás' pelo ataque ao casamento na terça-feira, evocando outros ataques, como o da escola de Minab no primeiro dia da guerra, que vitimou dezenas de alunas. Ele ainda lançou uma alfinetada aos israelenses, afirmando que esse grande Satanás protege um 'menor'.
Os israelenses, que não são alvo dos novos ataques contra o Irã, também se manifestaram na quarta-feira. Israel Katz, ministro da Defesa, insinuou que o Estado hebreu dispõe de informações segundo as quais o Irã estaria pronto para atacar seu território. Ele garantiu que os caças estão prontos para decolar ao menor sinal de ataque iraniano.
As 'ingerências externas' de Xi
De qualquer forma, a guerra de palavras está em seu auge. Enquanto os Guardiões da Revolução advertem seus adversários de que possuem uma 'nova estratégia' destinada a 'destruir os alicerces do inimigo', um funcionário americano citado pelo Axios encontrou uma nova fórmula para descrever o que a guerra no Oriente Médio se tornou: um petroleiro contra outro petroleiro. Foi assim que, na quarta-feira, as forças armadas americanas atacaram um petroleiro iraniano, depois que dois navios pegaram fogo ao colidir com minas.
O Estreito de Ormuz permanece no centro desse conflito. E o presidente americano, cada vez mais habituado a rebatizar lugares, propôs chamá-lo de 'Estreito Trump'…
Enquanto isso, com a diplomacia paralisada, uma visita chamou a atenção: a do presidente chinês Xi Jinping ao Egito, na quarta-feira, onde foi recebido com grandes honras por seu homólogo Abdel-Fattah Sissi.
Xi, que anteriormente havia defendido seus laços com a República Islâmica, abordou o conflito durante a visita, conclamando à luta contra as 'ingerências externas' na região, numa alusão pouco velada aos Estados Unidos.
Com o presidente egípcio, ambos apelaram por 'soluções diplomáticas'. O presidente chinês também se disse disposto a garantir a segurança da navegação na região.
Prisão de um tenente de Assad no Líbano
Na outra frente desta guerra, no sul do Líbano, os ataques israelenses não dão trégua, especialmente em torno da estratégica colina de Ali el-Taher. Mais uma vez, o exército israelense justificou na quarta-feira seus bombardeios com um ataque de drones armadilhados que atribui ao Hezbollah (do qual um membro foi morto), enquanto o grupo permanece em silêncio, como tem feito há várias semanas.
O Líbano foi palco de outro acontecimento na quarta-feira, que sinaliza a aproximação das autoridades libanesas de seus homólogos sírios e o enfraquecimento do eixo iraniano no país. As autoridades prenderam um ex-coronel do regime deposto de Bashar al-Assad, informou à AFP um responsável judicial libanês. Ele tramava conspirações contra as atuais autoridades sírias a partir de Beirute. Armas foram apreendidas com ele e seus cúmplices.
Por fim, nos territórios palestinos, a situação não melhora e as declarações israelenses tornam-se cada vez mais desinibidas à medida que se aproximam as eleições legislativas de outubro. O ministro da Defesa chegou a propor a retirada de toda a população de Gaza da Faixa, garantindo que os israelenses "estão bem organizados para fazê-lo". Como que em eco a essas palavras, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu assegurou que seu exército "não se retirará" de Gaza.