


O fogo que arde sob as cinzas… No estágio atual, essa parece ser a percepção que o campo iraniano radical procuraria cultivar em mais de um nível.
No plano das operações militares, primeiramente… A milícia iemenita dos Houthis, que representa um dos principais aliados indiretos do regime dos mulás na região, deu continuidade na terça-feira, 11 de agosto, à sua campanha de desestabilização na zona do Mar Vermelho e de Bab el-Mandeb. A milícia lançou três mísseis balísticos contra um navio mercante iemenita que atravessava esse estreito.
O ataque dos Houthis foi particularmente sangrento. Entre os membros da tripulação, resultou em quatro mortos — três paquistaneses e um indonésio — e quatro feridos.
Segundo o Ministério do Transporte do Iêmen, a milícia pró-iraniana lançou ainda um quarto míssil durante as operações de resgate, «com o objetivo de aumentar o número de vítimas», afirma o ministério, acrescentando que os ataques dos Houthis contra navios comerciais «ameaçam o abastecimento de milhões de iemenitas em produtos alimentícios».
De forma quase simultânea, as forças americanas implantadas na região do Golfo atacaram, por sua vez, no estreito de Ormuz, um navio que tentava romper o bloqueio naval imposto pelo exército dos EUA aos portos iranianos. Disparos foram efetuados contra a embarcação, que navegava sob as cores do Panamá.
A reestruturação do aparelho militar iraniano
Paralelamente a essas operações militares pontuais, são as recentes nomeações no alto comando dos Guardiões da Revolução Islâmica e das forças armadas iranianas que constituem, sobretudo, um sério indício de que o fogo pode estar ardendo sob as cinzas.
Com efeito, depreende-se das análises e comentários divulgados por diversos meios de comunicação iranianos que os seis oficiais superiores designados na segunda-feira para cargos-chave no comando dos Pasdaran e das forças armadas representam a ala radical do regime dos mulás.
As mesmas fontes, citadas pelo site de informação libanês al-Janoubiya (próximo da oposição xiita hostil ao Hezbollah), indicam que as promoções em questão refletem claramente um endurecimento por parte dos tomadores de decisão iranianos, que teriam procedido a essas nomeações para reforçar a postura ofensiva e dissuasiva do regime.
Ainda assim, o ministro paquistanês da Defesa declarou na tarde de terça-feira que os Estados Unidos e a República Islâmica estão próximos de concluir um acordo capaz de pôr fim ao conflito atual.
Essa declaração coincide com a visita realizada na terça-feira pelo ministro paquistanês do Interior a Teerã.
Certamente, não é a primeira vez que responsáveis paquistaneses expressam otimismo quanto à «iminência» de uma saída da crise na região, mas esse otimismo vem acompanhado, nos últimos dias, de uma certa moderação nas posições contundentes habitualmente adotadas pelo presidente Donald Trump.
O chefe da Casa Branca destacou, de fato, em várias ocasiões nos últimos dias, que privilegia, no estágio atual, a ferramenta das pressões econômicas máximas contra o regime, em vez de um relançamento de operações militares em grande escala.
Não deixa de ser verdade que o presidente americano expressou, mais uma vez, críticas severas aos dirigentes iranianos, salientando que os negociadores do regime são «particularmente ardilosos, pois aprovam certas medidas durante as discussões e depois tratam de desmentir publicamente essas mesmas medidas diante da imprensa».
Num plano completamente diferente, cabe registrar que o tribunal penal de Damasco proferiu na terça-feira penas de morte contra o ex-presidente e ditador sírio Bashar al-Assad, seu irmão Maher e seu primo Atef Najib, por crimes contra a humanidade e assassinatos premeditados.
O tribunal decidiu ainda instaurar processos internacionais contra eles. Essas condenações provocaram manifestações de alegria na capital síria.