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O Essencial do Dia

Irão: apesar das suas «divergências», Trump e Netanyahu fecham fileiras

Em Houla, uma descoberta de nitrato de amônio desperta dolorosas lembranças

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Netanyahu à sua chegada à Casa Branca. Tirada do lado de fora do perímetro, esta foto, na qual o primeiro-ministro israelense aparece atrás de grades, vai fazer muita gente sonhar… (AFP)
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Por LevantTime .
Publicado jul 29, 2026 - 00:57

O presidente americano Donald Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu realizaram, na terça-feira, uma reunião descrita como "positiva" por ambas as partes, na qual reafirmaram sua determinação em impedir que o Irã desenvolva armas nucleares.

Os dois líderes, que atuam lado a lado em sua campanha contra a República Islâmica, começaram, no entanto, a expor suas divergências desde abril passado.

O inquilino da Casa Branca passa a privilegiar uma solução diplomática para encerrar uma guerra mais longa do que o previsto, que corre o risco de lhe custar politicamente às vésperas das eleições de meio de mandato ("midterms").

Já o primeiro-ministro israelense pretende levar o confronto até o fim, a fim de eliminar o que descreve como a ameaça "existencial" representada pelo Irã.

Em um vídeo divulgado após a reunião, Benjamin Netanyahu garantiu ter tido "a melhor das conversas" com Donald Trump, explicando que os diálogos abordaram, entre outros temas, seu "objetivo comum: garantir que o Irã não adquira armas nucleares".

Ainda assim, esse encontro fechado à imprensa, que durou cerca de uma hora e meia e ao final do qual nenhum dos participantes falou com os jornalistas, não dissipa completamente a impressão de divergências entre Washington e Jerusalém.

Foi o primeiro encontro entre os dois desde o início da guerra regional no Oriente Médio, e o oitavo desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca.

Washington afirma querer dar uma nova chance à diplomacia com Teerã após duas semanas de bombardeios de intensidade sem precedentes, ocorridos antes do cessar-fogo de abril.

A visita do sr. Netanyahu ocorre em um "momento crítico para o Oriente Médio", enquanto o Irã continua, segundo Israel, a "privilegiar o terrorismo em detrimento das negociações" e mantém o bloqueio do estreito de Ormuz, declarou mais cedo na terça-feira Danny Danon, embaixador de Israel junto às Nações Unidas.

"Um sujeito muito difícil"

As relações entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu haviam se deteriorado profundamente em abril, durante as primeiras negociações sobre um cessar-fogo entre Washington e Teerã.

O presidente americano chegou a atacar duramente seu aliado israelense, acusando-o de comprometer os esforços diplomáticos.

Donald Trump chegou a chamar Benjamin Netanyahu de "sujeito muito difícil".

O primeiro-ministro israelense reconheceu existirem "divergências táticas", mas afirmou compartilhar com seu homólogo americano os mesmos objetivos estratégicos.

Questionado na manhã de terça-feira sobre informações a respeito do reforço das instalações iranianas na montanha Kolang ("picareta", em persa), Donald Trump respondeu: "Não preciso que o Bibi me diga isso. Ele me diz porque quer que eu continue envolvido."

"Sei exatamente o que está acontecendo em Kolang. Não é um grande problema. Se não chegarmos a um acordo, destruiremos essas instalações com muita facilidade", declarou na Fox News antes do encontro.

"O principal objetivo é mostrar ao mundo inteiro, ao Irã, mas também ao Líbano e a outros países da região, que não há ruptura nem divergência significativa entre os Estados Unidos e Israel", explicou à AFP Yonatan Freeman, especialista em relações internacionais da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Segundo ele, as eventuais divergências dizem respeito mais aos meios — calendário, intensidade das operações militares ou objetivos imediatos — do que às finalidades.

Contatos iranianos sobre Ormuz com Riade e Mascate

Paralelamente, Teerã continua alternando operações militares e iniciativas diplomáticas junto a seus vizinhos árabes do Golfo, embaralhando as linhas tradicionais do confronto.

O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, falou separadamente por telefone com os seus homólogos omanense, Badr al-Busaidi, e saudita, Fayçal bin Farhan, sobre o Estreito de Ormuz, de acordo com a televisão estatal iraniana.

«Insistiram na necessidade de reforçar a cooperação e de fazer avançar os esforços diplomáticos com vista a restaurar a estabilidade na região e pôr fim à insegurança imposta no Estreito de Ormuz pelos atos agressivos dos Estados Unidos», segundo a mesma fonte.

Na noite de terça-feira, Riade anunciou ainda ter intercetado centenas de drones iranianos durante um ataque dirigido a instalações petrolíferas da Aramco no leste do reino…

Continuação das negociações em Roma

No plano libanês, os Estados Unidos confirmaram a realização de novas negociações entre Israel e o Líbano, em Roma, de 4 a 6 de agosto, no âmbito da extensão do mecanismo das «zonas piloto» sob supervisão do exército libanês.

Estas reuniões, essencialmente técnicas, incidirão sobre a ampliação do dispositivo, a resolução das questões fronteiriças ainda pendentes, bem como a elaboração de um acordo global de paz e segurança, indicou um responsável do Departamento de Estado norte-americano à cadeia Al-Hadath.

«Abordamos este novo ciclo de discussões entre o Líbano e Israel com um impulso positivo, após o sucesso das zonas piloto», acrescentou o responsável, que pediu anonimato.

O diplomata afirmou ainda que o «encontro frutuoso» entre os presidentes Donald Trump e Joseph Aoun teve um impacto positivo nas discussões líbano-israelenses.

Apesar de uma relativa acalmia nos combates, o exército israelense continua a realizar ataques pontuais no sul do Líbano. O ministro israelense da Defesa, Yisrael Katz, chegou mesmo a gabar-se, na terça-feira, de ter destruído 24 aldeias libanesas centenárias, acrescentando que o exército israelense aplica no Líbano a mesma tática utilizada em Gaza, onde cerca de 70% da faixa costeira palestina terá sido destruída desde o início das hostilidades em outubro de 2024…

Em Houla… mais nitrato de amônio

No terreno, a Finul anunciou na terça-feira ter descoberto, no início de julho, cerca de quatro toneladas de explosivos em Houla, aldeia do sul do Líbano situada numa zona sob ocupação israelense.

Os capacetes azuis «descobriram 385 contentores abandonados num edifício, contendo cerca de 4 000 quilogramas de explosivos, maioritariamente compostos à base de nitrato de amônio», informou a Força Interina das Nações Unidas no Líbano.

Especialistas da Finul procederam depois à «neutralização desse material, de forma a torná-lo inofensivo e eliminar qualquer risco», sem especificar a quem pertenciam os explosivos.

Houla faz parte de uma faixa de cerca de dez quilômetros de profundidade em território libanês, ao longo da fronteira com Israel, ocupada pelo exército israelense desde a última guerra desencadeada no início de março contra o Hezbollah.

O Hezbollah arrastou o Líbano para o conflito regional a 2 de março, ao atacar Israel em nome do seu apoio ao Irão, provocando uma ampla resposta israelense terrestre e aérea.

A descoberta destes explosivos reaviva inevitavelmente o trauma da explosão do porto de Beirute, em 4 de agosto de 2020. Nesse dia, cerca de 2 750 toneladas de nitrato de amônio armazenadas de forma negligente durante vários anos explodiram, causando mais de 220 mortos, mais de 6 500 feridos e devastando grande parte da capital.

Seis anos depois, as investigações judiciais e as perícias científicas destinadas a determinar as causas da catástrofe e as responsabilidades continuam a não avançar, com magistrados e peritos a serem alvo de fortes pressões políticas.

Muitos observadores consideram que o Hezbollah tem uma grande responsabilidade pelo armazenamento desse material explosivo, já que a organização pró-iraniana exercia então uma influência predominante sobre o porto de Beirute, principal porta de entrada para armas iranianas e diversas mercadorias contrabandeadas destinadas ao seu financiamento.

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