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O essencial da semana

Acordo com o Irã: diante dos protestos, Trump ganha tempo

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Em sua rede Truth Social, Donald Trump publicou domingo esta imagem, ameaçando o Irã com retomada dos ataques caso as negociações viessem a se complicar ainda mais. (Captura de tela Truth Social)
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Por LevantTime .
Publicado mai 25, 2026 - 00:13

O primeiro rascunho do projeto de memorando de entendimento entre Washington e Teerã que foi vazado para a imprensa e mídia no sábado à noite provocou domingo uma verdadeira onda de protestos generalizados.

Vários senadores republicanos, incluindo alguns grandes nomes do Congresso americano, assim como analistas, comentaristas e grupos de influência alertaram sobre as graves consequências geopolíticas desse projeto. Alguns não hesitaram em denunciar nas redes sociais o que qualificaram, em uníssono, como uma "capitulação dos Estados Unidos diante da República Islâmica do Irã".

Essa onda de protestos e alertas que vinham de todos os lados na internet fizeram o presidente Trump dar uma frenada séria no processo de aprovação do projeto de memorando, ou o chefe da Casa Branca percebeu que algumas cláusulas eram realmente inaceitáveis e prejudiciais ao prestígio dos Estados Unidos como superpotência?

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Em sua rede Truth Social, Trump publicou uma imagem de IA de um F-15 carregando uma bomba em que está escrito, em inglês, "obrigado pela sua atenção a este assunto": uma ameaça de um possível retorno à guerra se o Irã não aceitar as condições americanas.

É, sem dúvida, difícil responder a essa questão, mas isso não muda os fatos: durante o domingo, o presidente Trump indicou claramente que havia instruído os negociadores americanos a "não agirem com precipitação" na conclusão do memorando.

"As duas partes (EUA e Irã) devem levar seu tempo para chegar a um texto bem estudado", esclareceu o presidente americano, que indicou que "as negociações continuam sobre certos detalhes e questões". "O tempo está a nosso favor", afirmou sem outras precisões.

Se o projeto de memorando provocou tantas críticas foi porque parecia, segundo o rascunho que chegou à mídia, satisfazer o Irã completamente, ou seja: cessação das hostilidades e desbloqueio de parte dos ativos iranianos (cerca de 25 bilhões de dólares) sem nenhum compromisso formal e oficial iraniano sobre as principais demandas americanas referentes ao nuclear, enriquecimento de urânio, mísseis balísticos, sorte dos aliados iranianos, estabilidade dos países da região, ou também o caso — completamente ocultado pelos próprios negociadores americanos — dos prisioneiros políticos e das execuções em massa de adolescentes, jovens e estudantes universitários.

Segundo a versão do acordo divulgada sábado à noite, os dossiês sobre nuclear e urânio enriquecido deveriam ser "discutidos" apenas durante um período de trégua de 30 ou 60 dias.

Considerando que esses dossiês estão sendo discutidos há 20 anos, o projeto de memorando não apresentava nenhuma garantia quanto a uma solução definitiva dessa disputa que se arrasta há mais de duas décadas. Daí a onda de críticas que surgiu durante o domingo.

Convém notar nesse contexto que o projeto de acordo preliminar previria a reabertura, sem condições, do Estreito de Ormuz durante o período de negociações de 30 a 60 dias, assim como um cessar-fogo efetivo no Líbano, o que Israel contesta.

No Líbano, o cessar-fogo em questão

As questões continuam em aberto, principalmente no que diz respeito à outra frente, entre o Hezbollah e Israel no Líbano.

O que se sabe é que existe uma cláusula nesse acordo-quadro sobre um cessar-fogo no Líbano, "com o direito concedido a Israel de impedir o Hezbollah de reconstituit seu arsenal".

Segundo observadores, Israel, que havia ignorado até então os cessar-fogos negociados com as autoridades libanesas diretamente em Washington, dificilmente poderia contradizer uma diretiva vinda diretamente do presidente americano no contexto das negociações sobre a frente principal no Irã.

Todos os relatos vindos de Israel mostram uma preocupação crescente com o desfecho deste conflito.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu voltou à carga, garantindo que "o Irã nunca possuirá armas nucleares".

Segundo informações divulgadas a meios de comunicação israelenses durante o domingo, Netanyahu teria insistido junto a Trump pela liberdade de ação em todas as frentes, particularmente no Líbano, e teria recebido sua aprovação.

As questões permanecem em aberto. O que significa a cessação das hostilidades? Incluirá a retirada israelense dos territórios ocupados durante este conflito? O que significa esse direito concedido aos israelenses de impedir o rearmamento do Hezbollah? Isso manterá o Líbano em um eterno estado de nem guerra nem paz? E quanto ao desarmamento do Hezbollah decidido pelo governo libanês, se esse partido considerará que o cessar-fogo se deve ao seu aliado iraniano e não às autoridades libanesas?

E, principalmente, qual é o futuro dessas negociações diretas entre Líbano e Israel? É preciso lembrar que antes dos desenvolvimentos dramáticos deste domingo, os olhares estavam voltados para a primeira reunião de segurança líbano-israelense-americana em Washington, em 29 de maio, e as futuras negociações diretas em 2 e 3 de junho.

Rubio ameaça Qassem

Em Beirute, o líder do Hezbollah, Naïm Qassem, afirmou em um discurso que "o povo tem o direito de descer às ruas, derrubar o governo e resistir com todas as suas forças a este projeto israelo-americano".

Qassem novamente apelou ao governo libanês para abandonar as negociações diretas com Israel, vendo nisso um "ganho sem contrapartida para Israel", e reafirmou a recusa do Hezbollah em se desarmar.

Os comentários de Qassem provocaram uma reação contundente do chefe da diplomacia americana Marco Rubio, que condenou "com a maior firmeza o apelo irresponsável do Hezbollah pelo derrubada do governo libanês democraticamente eleito". Ele denunciou o que chama de "uma campanha deliberada para desestabilizar o país e se manter no poder". Rubio estimou em comunicado que o movimento "está ativamente tentando mergulhar o Líbano novamente no caos e na destruição".

Segundo Rubio, "as ameaças de violência e derrubada proferidas pelo Hezbollah não ficarão sem resposta". A era em que um grupo terrorista mantinha todo um país refém está chegando ao fim". Sanções americanas

Esta semana também foi marcada por sanções americanas contra várias personalidades do Hezbollah, nomeadamente deputados e ex-ministros, assim como, pela primeira vez, contra responsáveis militares do Exército libanês e da Segurança Geral. Os militares sancionados são todos considerados próximos do Hezbollah ou do movimento Amal, tendo o comunicado americano precisado que eram leais tanto a esses partidos quanto às suas instituições, e que transmitiam informações sensíveis a eles.

A mensagem ao Hezbollah não é nova, mas a mensagem endereçada ao presidente do Parlamento e líder de Amal, Nabih Berry, é clara. Sua posição "cinzenta" nos últimos desenvolvimentos no Líbano lhe valeu este aviso americano.

A mensagem também é endereçada ao Exército libanês, que enviará uma delegação a Washington na próxima semana, e que frequentemente foi criticado por "suspeitas de conivência" com a milícia xiita. O Exército será obrigado a reconsiderar sua delegação e revisar suas posições?

Quanto à Segurança Geral, o ministro do Interior Ahmad Hajjar pediu ao diretor-geral para realizar investigações sobre os oficiais envolvidos.

Enquanto isso, no terreno, a situação permanece explosiva no Sul enquanto civis pagam o preço: dezenas de mortes foram registradas nesta semana.

 

Entre-temps, sur le terrain, la situation reste explosive au Sud alors que les civils payent le prix: on déplore des dizaines de morts cette semaine.

A Defesa Civil anunciou no sábado o colapso de seu prédio principal em Nabatiyeh sob bombardeios israelenses. O exército israelense declarou durante toda a semana ter destruído infraestruturas do Hezbollah e ampliou suas operações na Bekaa, enquanto reconhecia vítimas entre seus soldados e oficiais devido aos drones do partido xiita. Durante este fim de semana, os avisos de evacuação israelenses se multiplicaram para dezenas de aldeias e cidades, tanto no Sul quanto na Bekaa.

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