


Os rebeldes houthis pró-iranianos apoderaram-se na sexta-feira da costa iemenita do mar Vermelho e das ilhas do estreito de Bab el-Mandeb, após uma ofensiva-relâmpago que consolida o seu controlo sobre esta passagem estratégica que liga a Europa à Ásia.

A vizinha Arábia Saudita, maior exportador mundial de petróleo bruto, encontra-se agora encurralada, enquanto o estreito de Ormuz, do outro lado da península, está bloqueado por Teerão desde o início da guerra no Médio Oriente.
As autoridades sauditas também anunciaram o encerramento temporário do oleoduto Leste-Oeste na sequência dos ataques. Desde o início da guerra no Médio Oriente, Riade tinha intensificado a utilização deste oleoduto, que liga Abqaiq, perto do Golfo, ao porto de Yanbu, no mar Vermelho, a fim de contornar o bloqueio do estreito de Ormuz pelo Irão.

Os houthis procuraram, no entanto, tranquilizar a comunidade internacional. «A navegação é segura para todas as companhias, à exceção dos navios sauditas, cuja passagem já foi proibida», declarou o porta-voz militar do movimento.
Os petroleiros e navios comerciais atravessam o estreito de Bab el-Mandeb para chegar ao mar Vermelho e, depois, ao canal de Suez e ao Mediterrâneo ou, no sentido inverso, para alcançar o oceano Índico.
Em caso de bloqueio, a única alternativa, muito mais longa e dispendiosa, consiste em contornar África pelo sul, passando pelo cabo da Boa Esperança.

Segundo o órgão de comunicação social norte-americano Axios, que cita responsáveis norte-americanos, o presidente Donald Trump recusou ordenar ataques contra os houthis, como Riade lhe havia solicitado.
Por seu lado, o Jerusalem Post afirma que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, se declarou disposto a participar em operações militares contra os houthis e a contribuir para a libertação de Bab el-Mandeb caso fosse apresentado um pedido oficial pela coligação árabe e pelo governo iemenita.
Os «linha-dura» do regime dos mulás ganham novo ânimo
Embora os chefes da diplomacia iraniana e saudita tenham conversado na quinta-feira sobre a situação na região, um conselheiro do líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, classificou na sexta-feira o mais recente avanço dos houthis como uma «vitória retumbante».
A mesma posição foi manifestada pelo comandante dos Basij, a célebre polícia dos costumes: «É preciso pôr de lado as divergências e mobilizar todos os nossos recursos para enfrentar os Estados Unidos e Israel. Se o inimigo exigir a rendição ou negociações, as conversações devem ser conduzidas a partir de uma posição de força, a fim de garantir os nossos direitos.»
Esta declaração confirma, mais uma vez, o fosso que separa a ala dura do regime, representada nomeadamente pelos aparelhos paramilitares fortemente ideologizados, do aparelho político representado pelos responsáveis oficiais.
Assim, o discurso do presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, que se encontra na Índia para a cimeira do fórum diplomático dos BRICS, revelou-se claramente menos triunfalista e otimista. Considerou que as pressões exercidas pelos Estados Unidos contra o seu país «atingiram um nível crítico e perigoso nos últimos meses», salientando ainda que «o mundo atual atravessa um período de complexidade sem precedentes».
O pós-Ali el-Taher
No que diz respeito ao Líbano, uma fonte israelita declarou à Sky News Arabia que cerca de 50 membros do Hezbollah se encontravam na colina de Ali el-Taher. A maioria terá morrido no bombardeamento. A mesma fonte negou qualquer presença iraniana na colina.
Além disso, Washington voltou a afastar as dúvidas quanto à continuação das negociações entre o Líbano e Israel. Um porta-voz do Departamento de Estado garantiu que «as duas partes prosseguem um diálogo construtivo e que a próxima ronda de conversações terá lugar em breve em Roma, em conformidade com as disposições tomadas há várias semanas. Estão em curso discussões em Beirute, Jerusalém e Washington».