


Caros concidadãos,
Na quinta-feira, 1º de janeiro de 2026, o Líbano será transfigurado. Haverá eletricidade 24 horas por dia, sem geradores nem assinaturas paralelas. Todos os delinquentes e corruptos serão julgados, do menor pardal ao mais velho dos corvos, não importa o quão alto esteja empoleirado. O Estado funcionará no verdadeiro sentido da palavra, e não como mera máquina de extração. Um Estado em que os serviços básicos da República serão eficientes, e não inoperantes.
Ao mesmo tempo, os operadores remotos dos drones estarão tecnicamente desempregados, já que o Hezbollah será desmilitarizado ao norte, ao leste e ao oeste do rio Litani.
A grande pergunta, com letra maiúscula, é: como isso acontece, mesmo que no dia 1º de janeiro você ainda esteja com a cabeça enterrada na carta ou no verbo? Muito simples: porque no Líbano todo Ano Novo é uma promessa de milagre que, inevitavelmente, fica adiada para o ano seguinte.
Agora, acorde.
Tome dois paracetamóis e respire.
Quinta-feira, 1º de janeiro de 2026, é apenas um segundo a mais do que quarta-feira, 31 de dezembro de 2025.
Um segundo.
Não uma ruptura.
Não uma revolução.
Não um “reset” nem um “ctrl + alt + delete”.
Quando a ressaca passar, você poderá voltar a franzir a testa, porque a realidade é angustiante: o mesmo sistema, os mesmos líderes, as mesmas mentiras, ainda que você tenha gritado até perder a voz cantando o eterno sucesso do ABBA na hora psicológica, que no Líbano é antes uma hora psiquiátrica, já que todos acreditam que o ano novo será melhor.
Nada foi consertado à meia-noite.
Nada foi apagado na contagem regressiva.
O Líbano não obedece a calendário algum. Está congelado, preso a um eterno Dia da Marmota há quase quarenta anos.
A Canal Plus lançou seu novo slogan: “Não confie sua imaginação a qualquer um”. Eu sugiro que não confie seus sonhos a ninguém, caso contrário, no melhor dos casos, corre-se o risco da camisa de força; no pior, de ser feito de tolo. E, convenhamos, é melhor o primeiro do que o segundo, sabendo que muitos de nós, sobretudo os que seguem cegamente os preceitos de certos movimentos ou partidos, não correm exatamente o risco da camisa de força.
Então, sim, feliz ano novo.
Feliz continuidade no desastre.
E, acima de tudo, até o próximo 31 de dezembro, para mais uma vez celebrar a passagem do tempo em um país cujos habitantes se recusam obstinadamente a avançar, congelados no passado e depositando sua fé em Deus ou em Alá, e em breve também em Javé.