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Política

Mesmo sem armas, o Hezbollah não será “des-hezbolizado”

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Por Youssef Mouawad
Publicado dez 8, 2025 - 14:20

Nem sob bombardeios intensos, nem perseguidos pela vingança síria ou pela Justiça internacional, os militantes do Hezbollah irão simplesmente se diluir no tecido nacional. Eles não agirão como os simpatizantes do Movimento Amal, tão tipicamente libaneses em seus defeitos, na retórica, nas concessões e nos arranjos convenientes. E há, de fato, razões para isso: a história contemporânea oferece um precedente que ainda hoje desperta dúvidas.

Ninguém esqueceu o que aconteceu com as Forças Libanesas quando aceitaram o Acordo de Taif e entregaram as armas. Pagaram um preço altíssimo: seu líder foi preso, seus quadros foram perseguidos e até eliminados. Ainda assim, suas convicções permaneceram intactas e sua base não se reduziu de forma significativa. Sua capacidade de resistência foi amplamente reconhecida e associada ao seu forte doutrinamento ideológico, doutrinamento que, no entanto, não impediu sua reintegração à vida civil e laica.

Isso levanta uma pergunta legítima: a doutrina do wilayat al-faqih, com sua dimensão sagrada, pode realmente se encaixar em um Estado regido pelo império da lei e, em teoria, sustentado pelos princípios das liberdades individuais e do laicismo?

Ingenuidade e cegueira

Enquanto isso, vozes bem-intencionadas seguem repetindo: “Entreguem as armas, voltem para a proteção do Estado, terão o lugar que lhes corresponde”. No entanto, muito antes de se tornar uma milícia com tamanho de exército, o Hezbollah nasceu de um movimento político-religioso secular. Transformá-lo em um partido comum equivaleria a negar sua própria essência.

Além disso, o Hezbollah não tem qualquer intenção de se dissolver. Mesmo que aceitasse entregar as armas e se desmantelar, o partido apoiado pelo Irã não pretende abrir mão do Líbano. Para ele, o país é um troféu, um botim.

O regime iraniano penetrou profundamente na administração libanesa. Suas redes paralelas não só bloqueiam resoluções: elas influenciam decisões centrais do Estado.

O “Estado profundo” controlado pelo Hezbollah atua como “um poder invisível, indetectável dentro das instituições legais da República, mas capaz de influenciar grandes decisões políticas e dinâmicas sociais”. É a advertência repetida pelos enviados norte-americanos que acompanham a situação. As autoridades formais, porém, rejeitam o alerta e preferem se refugiar na negação.

O exemplo alemão da desnazificação

Após a Segunda Guerra Mundial, os Aliados ocidentais iniciaram a erradicação do nazismo nas zonas sob sua ocupação. Investigaram o sistema educacional e profissões como a jurídica, a financeira e a midiática. O processo foi democrático, mas produziu resultados limitados.

Já o método soviético foi muito diferente e, na prática, mais eficaz: expurgos em massa, execuções sumárias e viagens só de ida para o gulag.

Como “des-hezbolizar” o setor público?

Voltando ao Líbano, um país encurralado: a nação não pode se reformar enquanto tolerar a realidade atual. Que sentido faz manter funcionários leais a uma potência estrangeira e ligados ao aparato de Teerã?

Para tirar o Líbano de sua crise, é preciso muito mais do que desarmar e desmontar uma milícia. Sim, é necessário muito mais do que simplesmente desmilitarizar o partido dos aiatolás.

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