


É o dia das negociações por excelência. Em Roma, a terceira e última reunião da sétima rodada de negociações diretas entre Beirute e Tel Aviv terminou com uma nota mais ou menos positiva, mas ainda sem conclusão definitiva.
No Golfo, Teerã e Mascate estariam prestes a anunciar um acordo provisório sobre a navegação no estreito de Ormuz.
Nos dois casos, um desfecho definitivo certamente não está próximo, especialmente porque o problema de fundo — ou seja, o poder desestabilizador do Irã na região, e mais particularmente o das milícias pró-iranianas — persiste, como ressaltou com razão o ministro sírio das Relações Exteriores, Assaad al-Chibani, em visita na quinta-feira a Ancara.
Os acontecimentos recentes no Iêmen também confirmam essa tese. Na quinta-feira, a milícia houthi reivindicou ataques contra as forças governamentais em resposta, segundo seu líder, ao recente reforço das tropas iemenitas apoiadas pela Arábia Saudita.
Esses ataques causaram pelo menos 38 mortos, o balanço mais mortal desde o cessar-fogo de 2022, que havia encerrado mais de sete anos de uma guerra devastadora neste país da península arábica.
Assaad Chibani anunciou, após sua reunião com o homólogo turco, Hakan Fidan, que Damasco e Ancara concordam em "apoiar os esforços voltados para o fortalecimento da estabilidade no Iraque e no Líbano", partindo do princípio de que "o restabelecimento do monopólio das armas nesses dois países favoreceria a estabilidade em toda a região".
Ao mesmo tempo, destacou a importância de "um reforço da coordenação em matéria de segurança com os países vizinhos e do controle das fronteiras, a fim de enfrentar as ameaças representadas pelos grupos armados que atuam fora da autoridade do Estado".
Enquanto o Iraque está plenamente engajado em um processo — certamente complexo — de desarmamento das milícias, que teriam recentemente reposicionado suas forças no terreno em meio a temores de uma nova escalada de segurança no país, o Líbano parece ter colocado esse dossiê em segundo plano.
Para Beirute, a prioridade continua sendo o sul do Líbano e toda a problemática em torno das devastadoras consequências da guerra na qual o Hezbollah arrastou o país.
De acordo com as informações divulgadas pela mídia libanesa sobre a última rodada de negociações diretas — realizada ao longo de três dias e distribuída em três reuniões: política, jurídica e militar —, a delegação libanesa insistiu na continuidade da retirada gradual israelense da parte sul do país, com base no acordo bilateral de junho e na cessação das operações militares.
Nenhum acordo definitivo pôde ser alcançado sobre o dossiê das "zonas piloto", que hoje se limitam a três e que Beirute deseja ampliar para novos setores, incluindo Zawtar al-Charkieh.
A agência al-Markaziya, que cita fontes do palácio presidencial de Baabda, esclarece que a delegação israelense solicitou uma apresentação detalhada dos setores propostos a fim de examinar suas características geográficas.
O documento libanês deve ser entregue à autoridade política em Israel, segundo al-Markaziya, que, citando as mesmas fontes, acrescenta que, em contrapartida, foi possível chegar a um acordo sobre as referências e os procedimentos que deverão nortear os mecanismos de coordenação entre as três partes (libanesa, israelense e americana) para a fase de implementação do restante do mecanismo.
As duas delegações também concluíram o dossiê do "terceiro garante", ou seja, a parte responsável por verificar no terreno que as medidas adotadas estão em conformidade com as disposições do acordo libano-israelense de junho.
Elas chegaram a um acordo sobre uma lista "restrita" de candidatos, entre os quais será escolhida a entidade chamada a assumir esse papel.
Elas também concordaram em submeter o caso ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, com o objetivo de obter a adoção de uma nova resolução que servirá de quadro jurídico para o período posterior ao mandato da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL).
O dossiê dos prisioneiros, examinado longamente, revela-se mais problemático, uma vez que envolve uma troca, segundo as mesmas fontes. O Líbano dispõe de uma lista precisa de nomes que entregou à delegação israelense, a qual, por sua vez, lhe transmitiu uma lista com os nomes de israelenses e judeus libaneses dados como desaparecidos.
No entanto, Beirute não possui dados a esse respeito.
De qualquer forma, as discussões de Roma são consideradas «positivas», segundo Baabda. Há inclusive diligências em curso para associar o Comitê Internacional da Cruz Vermelha ao processo.
As negociações seriam retomadas no dia 1º de setembro. Essa data permanece, no entanto, provisória. Será confirmada em função da evolução dos contatos diplomáticos e dos preparativos dos dossiês em análise.
Graças a uma intervenção americana, as negociações de Roma não foram comprometidas pela escalada militar no sul do Líbano, onde o exército israelense realizou sucessivos ataques violentos contra Mansouri e Bourj Chemali, no distrito de Tiro.
Esse recrudescimento da violência, que se seguiu à morte de dois soldados israelenses num edifício armadilhado em Majdal Zoun, pôde ser resolvido no âmbito do mecanismo de acompanhamento instaurado desde 27 de novembro passado, após a funesta «guerra de apoio» ao Hamas, igualmente desencadeada pelo Hezbollah contra Israel.
À margem das negociações, o presidente da República, Joseph Aoun, reconheceu diante dos jornalistas acreditados em Baabda que «o caminho será longo» antes de se chegar a um acordo que colocasse o Líbano a salvo de novas destruições, mas que o Estado está «determinado a prossegui-lo».
Um acordo irano-omanense?
No plano regional, o Irã e o Sultanato de Omã parecem estar prestes a anunciar um acordo sobre a gestão da navegação no Estreito de Ormuz.
Segundo o canal pan-árabe Al-Hadath, o acordo em questão, do qual Washington estaria informado, consiste em obrigar os navios a seguir um corredor ao longo da costa iraniana na ida e das costas omanenses no retorno, mediante o pagamento de taxas denominadas de serviço.
As discussões estariam em sua fase final, segundo o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaïl Baghaï, citado pela agência de notícias oficial Irna.
No entanto, qualquer reabertura de Ormuz, bloqueado por Teerã, dependerá das ações de Washington, que impõe um bloqueio aos portos iranianos, precisou ele.
Ora, essa reabertura corre o risco de ser problemática se as informações fornecidas pela agência iraniana Fars se confirmarem. Segundo essa plataforma, um projeto de lei está atualmente em análise no Parlamento iraniano para que os navios que arvoram bandeira israelense ou americana, bem como os pertencentes a países que acolhem bases americanas, sejam proibidos de passar.
Esse desenvolvimento, caso se confirme, seria um indicador adicional das dissensões internas iranianas, as quais estariam na origem, segundo o vice-presidente americano JD Vance, das complicações nas negociações bilaterais que, aparentemente, prosseguem de forma indireta, por meio dos mediadores do Qatar e do Paquistão.
O ex-presidente iraniano Hassan Rouhani criticou duramente, nesse contexto, «uma minoria que busca arrastar o país para uma guerra», enquanto informações divulgadas por diversos meios de comunicação dão conta de nomeações e tentativas de reestruturação destinadas a consolidar a autoridade da ala dura no Irã.