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O essencial da semana

De Pequim a Washington, múltiplas incertezas

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Fumaça sobe dos bombardeios israelenses perto da aldeia de Kfar Sir, vista de Marjayoun, no sul do Líbano, em 17 de maio de 2026. (AFP)
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Por LevantTime .
Publicado mai 17, 2026 - 17:10

Entre Donald Trump e Xi Jinping, as declarações refletiam uma atmosfera positiva, mas os bastidores dessa cúpula de gigantes deverão se esclarecer com o tempo. O Irã, por sua vez, mantém suas provocações. Entre o Líbano e Israel, uma prorrogação da trégua e uma futura cooperação militar.

Esta semana foi marcada por negociações cruciais, cujas repercussões serão sentidas na próxima etapa.

Desde o início da semana, os olhares estavam voltados para os preparativos da cúpula sino-americana em Pequim e para a terceira rodada de negociações entre as delegações libanesa e israelense em Washington.

No âmbito da cúpula de Pequim, no plano simbólico, a recepção reservada ao presidente americano Donald Trump foi espetacular, à altura do evento. Em seus estilos distintos, os chefes de Estado americano e chinês transmitiram mensagens cruciais sobre sua futura colaboração econômica e sobre as negociações relativas aos dossiês internacionais de interesse comum.

Entre esses temas, destacaram-se os casos de Taiwan, que a China deseja anexar, mas cuja independência é apoiada pelos Estados Unidos, e o do Irã, aliado tradicional da China. Como esses dois dossiês passam agora a estar ligados? O futuro dirá.

Mas alguns sinais já apontam tendências. Em uma entrevista, o presidente Trump pediu às autoridades taiwanesas que não proclamassem a independência do país apoiando-se no respaldo de Washington, algo que Taiwan ignorou ao divulgar uma declaração reivindicando sua independência logo após o fim da cúpula.

No que diz respeito ao Irã, o tema foi amplamente abordado durante essa reunião, como já era esperado.

Os presidentes americano e chinês exibiram uma posição comum: a necessidade de reabrir o estreito de Ormuz.

O presidente Trump declarou claramente que seu homólogo chinês, que havia recebido alguns dias antes o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, está disposto a contribuir para as negociações.

Outro indicador importante que emerge dessa cúpula é que a China deverá passar a importar petróleo dos Estados Unidos, reduzindo assim sua dependência do petróleo do Oriente Médio e do estreito de Ormuz… e, incidentalmente, de seu aliado iraniano.

Embora ainda não haja distanciamento suficiente para avaliar corretamente os resultados dessa cúpula, as declarações do presidente Trump merecem ser examinadas com atenção.

É verdade que ele afirmou aos jornalistas, ao final da reunião, que poderia aceitar o “congelamento” do enriquecimento de urânio no Irã por um período de 20 anos, caso tivesse “as garantias necessárias”.

O processo de negociações indiretas, aliás, não morreu nesse aspecto, como indica a visita do ministro do Interior do Paquistão a Teerã neste fim de semana.

Mas o tom parece ter mudado bruscamente durante o fim de semana: o chefe da Casa Branca declarou, em meio a uma fala, que “sua paciência com o Irã está se esgotando”.

Em sua rede social, ele publicou no domingo uma imagem gerada por IA em que aparece com o Exército americano ao fundo no estreito de Ormuz, acompanhada da enigmática frase: “A calma antes da tempestade”.

Isso coincide com informações insistentes divulgadas pela imprensa israelense, segundo as quais cresce nos Estados Unidos a convicção de que um retorno à guerra seria necessário; uma probabilidade de “50%”, segundo uma autoridade israelense.

Iniciativas europeias

Em relação ao estreito de Ormuz, os iranianos continuam reivindicando seu direito de administrar essa via marítima.

O Irã afirma ainda ter recebido ligações de líderes europeus para discutir as condições de uma passagem segura pelo estreito. Em troca de quê?

Outro acontecimento de destaque nesta semana foi a reunião dos ministros das Relações Exteriores dos países do BRICS, também realizada na quinta-feira, na Índia.

A conferência ministerial abordou, entre outros temas, o Oriente Médio e foi palco de um confronto verbal entre os ministros iraniano e emiradense. O primeiro aproveitou a ocasião para acusar os Emirados Árabes Unidos de serem “parceiros” no ataque israelo-americano contra seu país… embora, convém lembrar, tenham sido os mísseis iranianos que atingiram os Emirados desde o início do conflito.

Nenhum comunicado oficial conjunto foi publicado sobre a guerra no Irã, precisamente por causa das divergências entre os dois países.

Fato notável: outro aliado do Irã, o presidente Vladimir Putin, conversou no sábado com seu homólogo emiradense, Mohammed bin Zayed, sobre o conflito iraniano, segundo a Reuters.

O comunicado oficial afirma que “as duas partes ressaltam a importância do processo político e diplomático”. Uma tentativa de tirar o Irã de seu isolamento?

Por fim, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu colocou os Emirados em uma situação delicada nesta semana ao afirmar ter realizado uma “visita secreta” ao país no início da guerra.

Abu Dhabi se apressou em desmentir a informação. O país vem atraindo cada vez mais a atenção da mídia, sobretudo desde sua saída espetacular da OPEP, no início de maio.

No Líbano, prorrogação do cessar-fogo

A semana libanesa foi marcada pelas negociações em Washington, na quinta e na sexta-feira, entre uma delegação libanesa presidida pela primeira vez pelo experiente ex-embaixador Simon Karam e uma delegação israelense ainda liderada pelo embaixador israelense nos Estados Unidos, Yechiel Leiter.

Negociações que abordaram tanto a situação política quanto a militar.

Essa terceira rodada, desde o início de abril, começou sob fortes pressões: os combates continuam intensos no sul do Líbano, com um avanço israelense além do rio Litani nesta semana; declarações cada vez mais virulentas do Hezbollah, multiplicando acusações de “traição” contra o presidente da República, Joseph Aoun, e o primeiro-ministro Nawaf Salam; além de relatos sobre “preocupações” americanas em relação a esse processo.

Os resultados dessas conversas, no entanto, não refletiram esse início trabalhoso.

Por um lado, o processo não entrou em colapso, como alguns temiam, já que a próxima rodada já foi marcada pelos americanos para o início de junho.

Por outro, embora os detalhes dessas reuniões a portas fechadas ainda não tenham sido totalmente revelados, delas saíram resultados concretos: uma prorrogação de 45 dias do cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah e o início de um “processo de segurança”, que começará com uma reunião entre militares dos dois países em 29 de maio, no Pentágono.

Infelizmente, a proclamação desse cessar-fogo não foi acompanhada por ações no terreno, mesmo enquanto as autoridades libanesas tentam implementar uma trégua que seria respeitada “por todas as partes”, segundo informações vazadas no sábado.

Segundo essas mesmas informações reproduzidas pela imprensa local, o presidente Joseph Aoun teria pedido ao presidente do Parlamento, Nabih Berri, que convencesse o Hezbollah a cessar seus ataques, para que o cessar das hostilidades fosse observado por ambos os lados.

O partido pró-iraniano teria respondido que o faria caso Israel também se comprometesse.

No entanto, no terreno, a tensão parece ter aumentado ainda mais: os israelenses publicaram ordens de evacuação ao norte do Litani, e as sirenes soam regularmente no norte de Israel por causa dos drones do Hezbollah.

Esses drones, justamente, que realmente incomodam o Exército israelense, segundo a admissão do próprio país, também terão repercussões negativas para o Líbano.

Segundo um relatório reproduzido por meios de comunicação locais, os israelenses consideram uma ocupação mais profunda do que os 10 quilômetros já tomados, já que a ameaça não vem mais apenas de mísseis cuja trajetória pode ser calculada, mas também de drones rudimentares e explosivos, difíceis de detectar pelos sistemas de defesa.

Salam na Síria

Outra personalidade que ganhou destaque nesta semana foi o primeiro-ministro Nawaf Salam, que se distinguiu por uma declaração muito firme reafirmando a posição do Estado libanês em relação ao processo de negociações em Washington, rejeitando todas as acusações de “traição” dirigidas contra ele, assim como contra o presidente.

Além disso, Salam foi recebido em 14 de maio pelo presidente sírio Ahmad al-Chareh, em Damasco.

Em suas declarações após a visita, reiterou que “o Líbano não aceitará mais permanecer como uma plataforma para operações contra países amigos”, apontando claramente para o Hezbollah, ao mesmo tempo em que Damasco desmonta regularmente redes subversivas ligadas ao grupo, acusado de tentar desestabilizar o regime sírio.

Paralelamente, as negociações bilaterais trataram da coordenação de esforços relacionados às negociações com Israel.

O alcance exato dessas conversas também deverá ficar mais claro no período que vem, sabendo-se que a Síria também é alvo de incursões israelenses regulares no sul do país.

Também merece destaque nesta semana, no que se refere à situação no Líbano, um episódio curioso divulgado em 15 de maio, envolvendo uma “queixa” libanesa apresentada à ONU, datada de 21 de abril, que acusa o Irã de interferir nos assuntos libaneses e de ter arrastado o Líbano para a guerra com Israel.

A informação não foi desmentida pelo Ministério das Relações Exteriores do Líbano durante várias horas, antes que o órgão publicasse um esclarecimento que parece refletir uma tentativa de relativizar a informação inicial.

Em um comunicado, o ministério assegura que não se trata de uma “queixa”, mas de uma “carta” à ONU, na qual responde a acusações iranianas indiretas contra o Estado libanês no caso do ataque contra quatro “diplomatas” iranianos em um hotel em Beirute no início da guerra. A denúncia iraniana contra Israel sugere que as autoridades libanesas estavam cientes da relocação dessas pessoas.

Um novo episódio que reacende ainda mais as tensões, agora já bem estabelecidas, entre o Irã e as autoridades libanesas.

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