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O Essencial do Dia

Eliminação de Larijani e chefe do Basij aumenta pressão sobre o Irã

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Israel continua o envio de reforços para a fronteira libanesa em vista de uma provável intervenção terrestre em larga escala. (Odd Andersen/AFP)
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Por Tilda Abou Rizk
Publicado mar 17, 2026 - 17:55

A eliminação por Israel de Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã e uma das principais figuras de poder da República Islâmica, junto com o comandante da milícia Basij, a poderosa força policial iraniana, Gholamreza Soleimani, deve marcar um ponto de inflexão na guerra entre o Irã e o eixo Israel-Estados Unidos.

 

Ambos foram mortos em ataques israelenses direcionados contra a capital iraniana durante a noite de segunda-feira, anunciou oficialmente na manhã de terça-feira o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz. Até o fim da tarde, no entanto, Teerã não havia confirmado nem negado as informações. A mídia iraniana limitou-se a anunciar um “discurso televisionado iminente” de Ali Larijani, repetindo o padrão observado antes da confirmação oficial da morte do ex-líder supremo Ali Khamenei, também morto em ataques israelenses em 28 de fevereiro de 2026, antes de exibir uma mensagem manuscrita atribuída a Larijani. Isso foi acompanhado por uma declaração do novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, prometendo “continuar a guerra até a derrota dos Estados Unidos e de Israel”.

 

Esses são os fatos. Na prática, Israel desferiu mais um golpe significativo contra o Irã, cujos efeitos vão além da estrutura militar e policial da República Islâmica. Após a morte de Ali Khamenei, autoridades iranianas indicaram que uma cadeia de sucessão em quatro níveis havia sido estabelecida dentro dessa estrutura, mensagem dirigida tanto a Tel Aviv e Washington quanto à população iraniana, que busca desesperadamente o fim da ditadura dos aiatolás.

 

No plano militar, o assassinato de Larijani volta a evidenciar a superioridade do eixo Israel-Estados Unidos, que parece se aproximar gradualmente de seus objetivos de guerra: eliminar ou ao menos enfraquecer significativamente o atual regime em Teerã e impedir que a República Islâmica adquira ou desenvolva armas balísticas ou nucleares no futuro.

 

Neste conflito, Tel Aviv e Washington mantêm a iniciativa estratégica, como demonstram os assassinatos direcionados e as operações militares. Dessa forma, ampliam de maneira constante a pressão sobre Teerã, que permanece em grande parte na defensiva, seguindo uma abordagem que, ao contrário de seus adversários, não parece obedecer a uma estratégia claramente definida. Dezoito dias após o início do conflito, a República Islâmica continua realizando ataques aéreos rotineiros contra bases americanas, além de atingir alvos civis em países do Golfo e também em Israel, enquanto o Hezbollah atua a partir do Líbano.

 

Segundo a AFP, a embaixada dos Estados Unidos foi alvo de dois ataques, com poucas horas de intervalo, entre segunda e terça-feira.

 

Um projétil também atingiu um hotel localizado na altamente protegida Zona Verde de Bagdá. Mais tarde, drones iranianos atacaram um dos principais campos petrolíferos do sul do Iraque, atualmente fora de operação e já atingido na última sexta-feira, segundo a AFP.

 

Mesmo ao perturbar a navegação de petroleiros e navios de carga no Estreito de Ormuz, para frustração de Washington, que tenta mobilizar seus parceiros europeus para proteger esse ponto estratégico do comércio internacional, Teerã ainda parece incapaz de produzir qualquer mudança significativa capaz de alterar o rumo da guerra ou, ao menos, levar os Estados Unidos à mesa de negociações.

 

Além disso, o assassinato de Ali Larijani tem um peso político particular, na medida em que parece confirmar o que o presidente Trump vem reiterando nos últimos dias: que as negociações com Teerã não são, neste momento, uma prioridade, sendo dada precedência ao cumprimento dos objetivos militares declarados.

 

Embora integrasse a ala mais dura do regime iraniano, Ali Larijani, próximo de confiança de Ali Khamenei, desempenhou papel central nas negociações conduzidas pelo Irã sobre seu programa nuclear e suas relações com os países do Golfo. Sua morte priva Teerã de um interlocutor-chave com a comunidade internacional e pode enfraquecer sua capacidade de negociação, caso o regime se mantenha, em eventuais diálogos futuros no contexto do “novo Oriente Médio” que começa a se delinear. “Estamos moldando um novo Oriente Médio, forjado pela força”, reiterou na terça-feira o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, segundo a imprensa local.

 

A eliminação do comandante do Basij, milícia responsável por reprimir violentamente os protestos populares contra o regime dos aiatolás no Irã, também se alinha aos objetivos do eixo Israel-Estados Unidos de promover mudanças no país.

 

A perda de sua liderança, enquanto seu sucessor, seja quem for, permanece na mira de Israel, pode abrir espaço para que a população iraniana retome seus movimentos de protesto.

 

A grande questão, no entanto, é como o Irã responderá a esse novo golpe. Fechará o Estreito de Ormuz para aumentar a pressão sobre os Estados Unidos? Intensificará, por meio do Hezbollah, os ataques contra Israel? Até agora, o grupo demonstrou que, além de provocar respostas mais agressivas de Israel nas áreas onde atua, é incapaz de ajudar seu aliado iraniano a alterar o curso dos acontecimentos.

 

Pelo contrário, uma escalada das operações militares do Hezbollah contra Israel apenas aumentaria o risco de uma incursão terrestre israelense em larga escala no Líbano, uma opção que Tel Aviv vem discutindo abertamente há algum tempo e para a qual, segundo a imprensa israelense, já teria mobilizado cerca de 450 mil reservistas.

 

Nessa lógica de escalada potencialmente suicida, o Hezbollah corre o risco de arrastar o Líbano ainda mais para uma espiral mortal de violência, servindo exclusivamente aos interesses de seu aliado iraniano.

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