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Opinião

Teríamos traído o nosso país no passado dia 26 de junho? *

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Por Youssef Mouawad
Publicado jul 18, 2026 - 13:57

Quando recuamos diante do fogo inimigo, quando o adversário atacou nossas cidades, arrasou tantas localidades e expulsou nossos compatriotas de seus lares, quando provou ser capaz de avançar repetidamente até cercar nossa capital e, sobretudo, quando, esgotados pela guerra, os instigadores do conflito imploraram por um cessar-fogo, é óbvio que à mesa de negociações não se pode fazer exigências e que é preciso ceder em certos princípios, como a soberania nacional e a integridade territorial!

A França derrotada foi obrigada a ceder a Alsácia-Lorena ao império do Kaiser em 1871; da mesma forma, a Alemanha foi forçada, com a assinatura do Tratado de Versalhes em 1919, a aceitar, entre outras medidas humilhantes, a desmilitarização da Renânia e a redução de seu exército a cem mil homens!

O Hezbollah obteve uma vitória retumbante sobre Israel? Pelo que sei...

Não adianta nada pavonear-se para ganhar um fôlego momentâneo, nem sacrificar-se numa batalha de retaguarda para melhorar a posição do Irã nas suas negociações com Washington. Basta que mais de quatro mil libaneses tenham dado a vida para garantir a Teerã uma margem de manobra diplomática.

Com efeito, somos obrigados a reconhecer que sofremos uma pesada derrota no campo de batalha, e os libaneses, independentemente do lado a que pertençam, devem admiti-lo e tirar as devidas conclusões.

Se nossas tropas tivessem tomado Metula, Nahariyya ou Haifa, se tivessem avançado até ameaçar Dimona, aí sim poderíamos acreditar que teríamos conseguido impor nossas condições a Israel.

O que seria absolutamente natural: afinal, se o inimigo quisesse recuperar sua integridade territorial, teria de ceder em certos atributos de sua soberania. Mas não é esse o caso — pelo contrário, é exatamente o inverso!

Portanto, reprovar a delegação libanesa por querer libertar o território libanês ao preço do desarmamento do Hezbollah pró-iraniano* é um exagero inadmissível!

Exagero que rende frutos… mas tão pernicioso

A paixão pode extraviar as mentes mais esclarecidas. Daí as reações de certos 'pesquisadores associados' e observadores políticos — esses histriões da integridade territorial — ao anúncio do acordo-quadro em 26 de junho passado, em Washington!

Esses soberanistas de última hora acusam o Estado libanês de capitulação: indignam-se como Caifás na Semana Santa, rasgam as vestes e gritam traição.

Mas essa onda de protestos esconde um jogo sujo que não honra em nada os patriotas. Se a dupla xiita e sua nebulosa querem torpedear o acordo trilateral, é para entregar o dossiê libanês aos cuidados de Teerã e incluí-lo numa negociação mais ampla, aquela que os beligerantes do Golfo Pérsico conduziriam em Islamabad ou algures na Suíça.

E, para cúmulo do cinismo, os detratores da convenção de 26 de junho alegam não ter outra preocupação senão a soberania nacional e seus princípios intangíveis!

Sigamos o exemplo de Abu Ammar

Para Hafez al-Assad, já desde os anos setenta, o alvo a abater não era o cristão libanês, rebelde à sua lei, mas o palestiniano. A OLP era o primeiro inimigo a eliminar, muito antes da Frente Libanesa ou das Forças Libanesas.

Na grande reconfiguração do espaço do Levante, e caso uma conferência internacional viesse a realizar-se para resolver o conflito israelo-árabe, o tirano de Damasco recusava que o 'trunfo' palestiniano lhe escapasse das mãos. Aos seus olhos, os palestinianos não eram mais do que sírios do Sul, e cabia a ele decidir o seu destino.

Mas Yasser Arafat queria permanecer o único senhor a bordo e jogaria de gato e rato com a Síria e o autocrata instalado às margens do Barada. Jogado de um país a outro, da Jordânia ao Líbano, depois à Tunísia, Abu Ammar recusou abdicar das suas prerrogativas. Acabou por assinar em nome do seu povo em Oslo! Não ia deixar um oficial golpista de Qardaha, de legitimidade duvidosa, representar a sua nação de deslocados.

Vamos ceder a "carta libanesa"?

Nós, libaneses, encontramo-nos na mesma situação. Vamos conceder a carta libanesa ao Irão para reforçar o seu poder à mesa das negociações com Donald Trump? O que é mais soberano: enfrentar o adversário israelense em Washington ou Roma, ou confiar graciosamente essa carta ao império dos mulás, que, segundo alguns, saberia defender melhor os nossos interesses nacionais?

Lembremo-nos de que, com a queda do regime dos Assad, pai e filho, o destino nos sorriu e o Líbano conseguiu arrancar sorrateiramente a sua carta, que havia sido confiscada por Damasco. Mas eis que uma milícia às ordens do Irão quer, com a mais declarada impudência, entregar-nos a Teerão e incluir-nos como um item na ordem do dia de negociações conduzidas exclusivamente entre iranianos e americanos!

A carta libanesa não está à venda nem pode ser endossada por ordem de um patrocinador do golfo aquemênida. E, para ser completamente franco, a carta libanesa nunca trouxe sorte aos piratas!

*Recordemos que o acordo-quadro assinado a 26 de junho passado pelo Líbano, Israel e os Estados Unidos tem como objetivo último libertar o território nacional de toda e qualquer ocupação, seja ela israelense ou iraniana! Seria criticado por proceder por etapas? Aguardemos para ver o que resultará das conversações em Roma, onde se reúnem as delegações.

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