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O essencial da semana

Apesar da trégua de Trump, uma ampliação do conflito

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Por LevantTime .
Publicado mar 29, 2026 - 17:48

A semana que acaba de terminar, a quarta desde o início do conflito entre Israel e os Estados Unidos, por um lado, e o Irã, por outro, tornou ainda mais confusas as perspectivas de uma eventual saída da crise. A situação real do regime iraniano permanece uma incógnita, especialmente diante de uma declaração enigmática do presidente americano Donald Trump no fim da semana, ao afirmar que “uma mudança de regime já teria efetivamente ocorrido”, enquanto o destino do líder supremo Mojtaba Khamenei continua desconhecido.

O presidente americano contribuiu, com suas múltiplas declarações, para tornar o cenário ainda mais opaco, embora continue apostando na confiança e, junto com seus assessores, afirme repetidamente que o fim do conflito é uma questão de semanas.

Falou-se muito em negociações ao longo da semana. Ela começou com uma trégua de cinco dias concedida por Trump aos iranianos, após um fim de semana marcado por ameaças contra suas infraestruturas energéticas. O prazo de sexta-feira nem havia sido alcançado quando uma prorrogação já era anunciada, estendendo-o até 6 de abril.

Nesse intervalo, uma lista de 15 exigências americanas dirigidas ao Irã foi divulgada por meios de comunicação considerados confiáveis. Entre os principais pontos estava o fim dos programas iranianos de desenvolvimento nuclear e de mísseis balísticos, além da interrupção do apoio aos aliados regionais de Teerã, como o Hezbollah libanês, o Hachd al-Chaabi iraquiano e os Houthis do Iêmen.

Os iranianos responderam com uma lista de seis pontos, incluindo a exigência de um cessar-fogo prévio às negociações e garantias de um fim total da guerra.

Apesar das repetidas negações iranianas sobre a existência de negociações em curso, a mídia relata esforços de mediação por parte do Paquistão, apontado como mediador, além de outros países, como o Egito. Isso poderia explicar a nova prorrogação concedida pelos Estados Unidos.

Ainda assim, o ritmo da guerra não diminuiu. Os ataques israelenses e americanos continuaram de forma intensa contra as infraestruturas do regime iraniano. No fim da semana, aviões israelenses bombardearam instalações nucleares. Ao mesmo tempo, a possibilidade de uma intervenção terrestre americana também ganha força, e planos envolvendo a tomada de ilhas iranianas são mencionados na imprensa.

Especialistas ucranianos

Um novo aliado se juntou aos esforços contra o Irã. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky enviou especialistas em interceptação de drones para a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.

Por sua vez, o Irã não dá sinais visíveis de enfraquecimento em seus ataques contra países do Golfo e contra Israel. Além disso, os Guardiões da Revolução, que parecem ocupar um papel cada vez mais central no regime, adotaram medidas nesta semana para fechar totalmente o estreito de Ormuz, com o objetivo de impactar de forma mais duradoura a economia global por meio da alta dos preços do petróleo.

Em resumo, a guerra parece estar se expandindo, não apenas em intensidade, mas também geograficamente. O território iraquiano tem sido cada vez mais alvo de ataques, e as milícias pró-iranianas estão mais ativas. A embaixada dos Estados Unidos em Bagdá é frequentemente atacada e voltou a ser alvo neste fim de semana.

No entanto, o desenvolvimento mais dramático da semana foi a entrada em guerra de um aliado do Irã que até então permanecia em silêncio: os houthis do Iêmen. Na noite de sexta-feira, anunciaram que, se os ataques ao Irã continuassem, abririam uma nova frente, ameaçando inclusive fechar outro estreito estratégico, o de Bab el-Mandeb, e paralisar a navegação no Mar Vermelho, como já fizeram durante o conflito em Gaza e no Líbano em 2024.

De fato, nas primeiras horas de sábado, os primeiros mísseis iemenitas foram lançados em direção ao sul de Israel. A intervenção da milícia pró-iraniana nesse momento reforça os esforços dos Guardiões da Revolução para manter a pressão econômica, paralelamente ao cerco crescente sobre o território iraniano.

Impactos econômicos e o G7

Essa estratégia iraniana envolvendo os Houthis ocorre em um momento em que os impactos econômicos do fechamento do estreito de Ormuz se intensificam. O preço do barril de petróleo ultrapassou os 100 dólares, e populações e setores econômicos em todo o mundo já sentem os efeitos.

A questão esteve no centro da reunião dos ministros das Relações Exteriores do G7, realizada na França nesta semana. O comunicado oficial destacou a necessidade de interromper os ataques contra civis e de trabalhar pela reabertura do estreito de Ormuz. Nos bastidores, o secretário de Estado americano Marco Rubio, em sua primeira viagem ao exterior desde o início da guerra, foi questionado por seus homólogos sobre as perspectivas do conflito. Ele próprio declarou que buscaria incentivá-los a participar dos esforços para reabrir Ormuz.

A guerra contra o regime iraniano também gerou tensões dentro do bloco ocidental. A recusa europeia em se envolver diretamente tem sido motivo de insatisfação para Trump, que insinuou, em declaração recente, que os Estados Unidos poderiam deixar de apoiar os países da aliança atlântica após o fim do conflito.

Incursão israelense no sul do Líbano a partir do Golã

Paralelamente, a situação no Líbano se deteriora rapidamente. O avanço israelense no sul do país se intensifica, com informações confirmadas sobre uma infiltração de vários quilômetros em território libanês e o início da ocupação de pontos estratégicos.

A principal novidade de domingo foi a infiltração de soldados israelenses a partir do Golã, mais precisamente do Monte Hermon, território ocupado por Israel em 2024. Essa movimentação visa claramente cercar ainda mais os combatentes do Hezbollah no sul do Líbano, ampliando operações já em curso em regiões como Khiam, Bint Jbeil e Naqoura.

Enquanto isso, o conflito se torna cada vez mais letal no Líbano, onde o número de civis mortos ultrapassou 1.100 nesta semana. O Hezbollah não divulga seus números, mas o exército israelense fala em centenas de mortos, além de combatentes capturados e levados para Israel. Também há registros de mortos e feridos entre suas próprias tropas.

Um episódio misterioso ocorreu nesta semana no céu do Kesrouan, ao norte de Beirute. Na terça-feira, fortes explosões foram ouvidas sobre Jounieh, com destroços caindo em áreas residenciais, sem vítimas. A única certeza é que o míssil era iraniano, mas sua origem e destino permanecem desconhecidos. A hipótese mais plausível é que tenha sido interceptado no ar, possivelmente por um sistema lançado do mar. Entre os possíveis alvos estariam a embaixada dos Estados Unidos em Awkar ou o aeroporto de Hamate, onde há presença americana.

“Congresso para a salvação do Líbano” em Meerab

O principal desenvolvimento político da semana no Líbano foi a decisão, tomada em 24 de março, de retirar a acreditação do embaixador iraniano Mohammad Reza Shibani e expulsá-lo do país, além de convocar o chefe da missão diplomática libanesa em Teerã.

A medida foi motivada por ingerências iranianas nos assuntos internos do Líbano, incluindo o desencadeamento da guerra em 2 de março por uma milícia pró-iraniana cuja atividade foi declarada ilegal pelo governo.

Como esperado, a decisão provocou a reação do Hezbollah e do movimento Amal, cujos ministros boicotaram a última reunião do gabinete. A partir de 29 de março, o embaixador é considerado persona non grata e pode até ser detido por autoridades locais. Resta saber se o Irã e seus aliados insistirão em mantê-lo no país, o que parece provável, embora sem intenção de provocar o colapso do governo.

Do lado iraniano, não houve reação oficial clara, mas alguns sinais chamam a atenção. Na sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi conversou por telefone com o presidente do Parlamento libanês Nabih Berri para expressar solidariedade ao Líbano. No mesmo dia, os Guardiões da Revolução publicaram um documento incomum anunciando a morte de seis “diplomatas” iranianos em um ataque israelense, apresentados com uniformes militares.

Outro evento relevante foi a realização de um encontro político em Meerab, sede das Forças Libanesas, reunindo diversas lideranças contrárias ao Hezbollah. O comunicado final defendeu a criação de um tribunal especial para julgar os responsáveis por levar o país à guerra e exigiu indenizações do Irã pelos danos causados.

À margem do encontro, o líder das Forças Libanesas afirmou que nenhum recurso público será destinado à reconstrução ou ao apoio aos deslocados, argumentando que os responsáveis pelo conflito devem arcar com seus custos, e não o Estado libanês.

 

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