
A atitude do Hezbollah fortemente estigmatizada na ONU


A população do Líbano, assim como as populações dos países do Levante, do Golfo e do Oriente Médio, está sujeita a um verdadeiro banho escocês. Por um lado, rumores indicam um próximo fim das hostilidades na frente iraniana (sem incluir o Líbano), mas, ao mesmo tempo, uma clara escalada é perceptível no nível das operações militares.
A quarta-feira, 11 de março, e a noite de 10 de março foram marcadas por uma intensificação de ataques e lançamentos de mísseis em mais de uma direção. A aviação israelense, na noite de 10 de março, continuou seus ataques intensivos contra os centros nevrálgicos e as infraestruturas do regime iraniano em Teerã e contra o subúrbio sul de Beirute e várias aldeias no sul do Líbano e no Bekaa. Mísseis também foram lançados contra posições da oposição curda iraniana no Iraque, enquanto a aviação da coalizão americano-israelense lançava ataques contra as bases da milícia iraquiana pró-iraniana, « El Hached en-Chaabi » (« Mobilização Popular »), e do Hezbollah iraquiano, estacionadas no Iraque. Vários alertas de mísseis foram igualmente relatados na quarta-feira em Dubai e Doha, entre outros locais.
Na noite de terça-feira, a marinha israelense teve como alvo um apartamento no bairro de Aïcha Bakkar, em Beirute Ocidental. As Forças de Defesa de Israel indicaram que um líder e uma base da organização fundamentalista sunita « El Jamaa el Islamiya » foram atingidos pelo disparo que teria resultado em quatro mortos. Mais ao sul, cerca de quarenta veículos blindados israelenses teriam tomado posição na região meridional, nomeadamente perto de Taybeh, o que poderia constituir um indício precursor de uma presença prolongada do exército israelense no Sul, a fim de impor uma « zona tampão » visando reduzir a ameaça sobre as aldeias do norte de Israel. Nesse sentido, o estado-maior israelense teria enviado reforços para a fronteira com o Líbano, incluindo uma importante unidade de comando.
Pressões diplomáticas
Diante do recrudescimento da tensão no terreno, o Líbano está sujeito a crescentes pressões diplomáticas. O embaixador da França na ONU leu uma declaração, na presença dos embaixadores da União Europeia, qualificando como « irresponsável » a entrada do Hezbollah na guerra contra Israel. O embaixador francês acrescentou que o partido pró-iraniano deve « cessar seus ataques contra Israel e entregar suas armas ao governo libanês ». Na mesma linha, o presidente do Senado francês, Gérard Larcher (grande amigo do Líbano há muitos anos), sublinhou que a França deve ajudar o poder libanês a desarmar o Hezbollah, o qual « não defende o Líbano, mas serve aos interesses do Irã », observou ele.
Por sua vez, a assistente do secretário-geral das Nações Unidas para assuntos políticos estigmatizou, durante uma reunião (quarta-feira à tarde) do Conselho de Segurança dedicada ao Líbano, a atitude do Hezbollah, observando que este partido « recusou-se a cooperar com o governo libanês para restabelecer a soberania do Estado e aplicar a decisão sobre o monopólio das armas ».
Quanto ao embaixador de Israel na ONU, ele colocou o Líbano diante de uma escolha que não deixa margem para hesitações. « O governo libanês, declarou ele, encontra-se diante da seguinte alternativa: ou desmantela o aparelho militar do Hezbollah, ou nós o faremos nós mesmos »…
O que acontece com o Estreito de Ormuz e Mojtaba Khamenei
Paralelamente a esta tensão nas « frentes » agora tradicionais, um novo ponto de conflito emergiu nos últimos dias: o Estreito de Ormuz. Os Guardiões da Revolução Iraniana não escondem sua intenção de fechar esta passagem marítima estratégica, a ponto de ameaçar miná-la. O presidente Donald Trump não demorou a reagir a essas ameaças, sublinhando sem rodeios que qualquer tentativa de minar este estreito levaria a uma retaliação particularmente firme por parte do exército americano. Neste contexto, a marinha dos EUA prosseguiu com a destruição sistemática da frota militar iraniana e dezesseis navios lança-minas foram afundados.
No nível político, ou geoestratégico global, a atenção das potências regionais e internacionais está atualmente voltada para a configuração do novo poder político em Teerã após a designação de um novo Guia Supremo da República Islâmica, Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, morto durante os primeiros ataques da aviação israelense em Teerã, em 28 de fevereiro.
Confirma-se por diversas fontes concordantes que Mojtaba Khamenei foi ferido durante os primeiros ataques de 28 de fevereiro. Informações contraditórias são divulgadas na mídia sobre a gravidade de seus ferimentos e seu estado de saúde. O novo Guia teria sido praticamente imposto pelos Guardiões da Revolução (os Pasdaran), o que poderia refletir um endurecimento do regime dos aiatolás em relação ao Ocidente, e mais particularmente aos Estados Unidos. De qualquer forma, será preciso esperar que Mojtaba Khamenei se pronuncie publicamente sobre suas grandes escolhas políticas e estratégicas para determinar o curso que os eventos poderão tomar, tanto no que diz respeito ao desfecho da guerra quanto ao futuro do Irã e de toda a região.