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Religião

Conto de Natal: a solução de dois Estados e a estrela da esperança

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Por Fady Noun
Publicado dez 25, 2025 - 19:32

Diz-se que, certa noite, quando as areias antes cruzadas pelos Magos pareciam cansadas de testemunhar tantos passos que nunca se encontravam, uma nova estrela começou a brilhar mais forte do que todas as outras. Os mais atentos ergueram a cabeça e suspiraram ao vasculhar o céu, sentindo que algo novo e misterioso, nascido do Grande Desconhecido, se fazia presente.

A estrela não surgiu sobre uma terra intacta. Brilhava sobre um Oriente Médio marcado por muros, postos de controle, ruínas, orações em conflito e milhares de mortos, viúvas e órfãos.

Naquele mesmo instante, numa rua estreita de Belém, uma família montava um pequeno presépio diante de casa. Nada elaborado: juta reaproveitada de um saco de arroz, algumas figuras de plástico gastas, um menino Jesus envolto em um pano amarelado, ovelhas sem pastores e uma Virgem Maria e um São José de cores desbotadas. Um menino perguntou ao pai:
— Pai, por que ainda fazemos um presépio aqui?
O pai respondeu, simplesmente:
— Porque ainda estamos aqui, meu filho.

Naquela noite, a criança viu a nova estrela. Ela parecia mover-se devagar, como se esperasse que alguém a seguisse. Ao longe, um pastor do deserto da Judeia levava seu rebanho de volta antes do anoitecer. Tivera encontros ruins e ouvira tiros demais nos últimos dias. Ele também olhou para cima. E em outros lugares, em Bagdá, Gaza, Amã, Jerusalém Oriental, homens e mulheres sentiram a mesma inquietação misturada a um chamado estranho: não permanecer imóveis, esperar contra toda esperança.

Assim, todos partiram. Havia pastores que confiaram seus rebanhos a outros; uma professora que queria entender por que “o futuro havia feito as malas”; um sapateiro de Nazaré cuja oficina sobrevivia sobretudo de consertos, porque ninguém comprava nada novo; dois irmãos separados por um muro, mas falando ao telefone; um pastor que conhecia estradas sem placas; um bispo; sapateiros com as mãos ainda cheias de couro, cola e poeira, dizendo a si mesmos que pés cansados logo precisariam de boas sandálias; adultos ansiosos carregando perguntas mais pesadas do que a bagagem.

Eles se encontraram em bloqueios, em ônibus superlotados, em salas de espera. Nem sempre falavam a mesma língua, mas compartilhavam o mesmo silêncio.

No caminho, cruzaram com figuras inesperadas. Encontraram três sábios que já tinham visto de tudo. Não partilhavam a mesma língua, a mesma oração nem as mesmas roupas. Mas todos fitavam a mesma estrela.

A poucos quilômetros dali, em prédios com ar-condicionado, atrás de portas reforçadas, viram líderes políticos cercados de seguranças e discursos. Buscavam a solução de um enigma que remonta ao primeiro Dilúvio. As crianças perguntaram:
— O que vocês procuram?
Os líderes responderam:
— A solução de dois Estados.

Então, um idoso vestido de branco, portando um nome do século XIII, avançou. Ao seu lado caminhava um sábio de Al-Azhar. Falavam entre si por silêncios compreendidos. Por fim, todos chegaram a um lugar muito simples. Não uma fortaleza. Não uma cidadela. Uma igreja danificada no sul do Líbano. Ali vivia uma família. Eles viram uma menina recém-nascida, a quem os pais haviam dado, com carinho, o nome de Esperança.

Os pastores compartilharam leite e mel. Alguém ofereceu azeitonas. Os generais e chefes de Estado, por uma vez, se calaram. Serviu-se café. Palavras foram trocadas em pequenos grupos. Os viajantes então compreenderam que Deus costuma ser encontrado onde ninguém pensou em procurar. Um jornalista cobriu o acontecimento, e um cineasta se interessou pela história.

Quanto à estrela, ela se dividiu em bilhões de pequenas luzes, uma para cada pessoa que corrigia um erro. E o mundo, pouco a pouco, aprendeu a caminhar novamente, como uma criança dando seus primeiros passos.


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