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Entre a aliança de Meca e o eixo Índia–Emirados–Israel: onde se posiciona o Líbano árabe?

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Por Jad Akhawi
Publicado ago 14, 2026 - 16:33

O Oriente Médio já não atravessa apenas uma fase de reconfiguração das alianças. Parece estar entrando em um período em que o próprio conceito de segurança regional está sendo redefinido. Depois de décadas em que o sistema árabe funcionou, ainda que de maneira frágil, dentro de marcos comuns como a Liga Árabe e o Conselho de Cooperação do Golfo, começam hoje a surgir novos arranjos de segurança e cooperação econômica. Eles ultrapassam as fronteiras do mundo árabe e aproximam Estados árabes e muçulmanos de potências regionais e internacionais com base em interesses estratégicos, e não apenas em uma identidade comum.

É nesse contexto que surge o que ficou conhecido como «Acordo de Meca», assinado por Arábia Saudita, Türkiye e Paquistão em 7 de agosto de 2026. Ele se baseia no princípio de que qualquer agressão contra um dos três Estados será considerada uma agressão contra todos. Em sua formulação, esse princípio se aproxima do princípio de defesa coletiva consagrado no artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte, embora ainda seja cedo demais para falar em uma verdadeira «OTAN islâmica».

A importância do acordo não reside apenas nos três países que o assinaram, mas também no que cada um representa: a Arábia Saudita por seu peso árabe, islâmico e econômico; a Türkiye por seu poder militar e sua condição de membro da OTAN; e o Paquistão por sua condição de potência nuclear. É precisamente essa dimensão nuclear que confere ao acordo, ao menos em teoria, um peso estratégico que vai além da simples cooperação militar convencional.

A relação entre esse acordo e a Organização do Tratado do Atlântico Norte, no entanto, não é de integração nem de dependência. A Türkiye continua sendo membro da OTAN, enquanto a própria Aliança reafirmou, em sua cúpula de Ancara realizada em julho passado, seu compromisso com a defesa coletiva nos termos do artigo 5º. Ao mesmo tempo, a OTAN vem desenvolvendo uma cooperação de segurança cada vez mais estreita com vários Estados do Golfo, entre eles Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein e Kuwait.

É aqui que o quadro se torna mais complexo.

Do outro lado, começa a se delinear uma rede distinta de relações que reúne Emirados Árabes Unidos, Índia e Israel, com vínculos que se estendem à Grécia e a Chipre. É preciso ser rigoroso neste ponto: até o momento, não existe uma aliança militar quadripartite formal que reúna Emirados, Índia, Israel e Grécia no sentido tradicional do termo. O que existe é uma rede crescente de parcerias estratégicas, econômicas e de segurança, além de propostas israelenses formuladas publicamente para construir um eixo que se estenda da Índia, passe pelos Emirados e chegue à Grécia e a Chipre.

A importância desse eixo reside no fato de que ele não se baseia nem na religião nem na identidade, mas nos interesses: comércio, tecnologia, segurança, energia, rotas marítimas e conectividade entre Índia, Oriente Médio e Europa.

É também nesse contexto que deve ser compreendida a disputa em torno do Corredor Econômico Índia–Oriente Médio–Europa, ou IMEC, que deveria ligar a Índia ao Golfo e, em seguida, a Israel e à Europa. As guerras e as divisões regionais, no entanto, tornaram o futuro do projeto mais complexo, enquanto a Arábia Saudita começou a explorar rotas que poderiam contornar Israel.

Estamos diante de uma divisão árabe?

Sim, mas não no sentido tradicional do termo.

Seria mais preciso dizer que estamos assistindo à transição de um sistema árabe único, ainda que por vezes apenas formalmente, para um conjunto de eixos rivais e entrelaçados.

A Arábia Saudita já não quer depender de um único guarda-chuva de segurança. Há anos, os Emirados Árabes Unidos optaram por desenvolver amplas relações estratégicas com os Estados Unidos, a Índia e Israel. A Türkiye atua ao mesmo tempo dentro e fora da OTAN, enquanto busca consolidar um papel regional independente. O Paquistão acrescenta à equação seu peso militar e nuclear. A Índia, por sua vez, age segundo a lógica de uma grande potência que busca seu lugar na nova ordem mundial.

Isso significa que os Estados árabes já não atuam necessariamente como um único bloco.

O maior perigo, no entanto, seria que essa pluralidade de alianças se transformasse em um confronto interárabe entre blocos rivais, transformando os Estados árabes em componentes de eixos opostos, em vez de atores empenhados em um projeto regional independente.

É aqui que a questão libanesa se torna mais urgente.

Onde está o Líbano?

O Líbano não é a Arábia Saudita, nem os Emirados, nem a Türkiye, nem a Índia. É um pequeno Estado situado em uma posição geográfica de extrema sensibilidade, com uma sociedade multiconfessional e uma economia que precisa tanto do mundo árabe quanto do Ocidente.

Por isso, a pergunta «a que aliança o Líbano deveria aderir?» talvez esteja mal formulada.

A verdadeira pergunta é: como o Líbano pode preservar sua identidade e seus interesses nacionais em um mundo no qual as alianças se transformam em redes entrelaçadas?

A Constituição libanesa oferece uma primeira resposta. Seu preâmbulo afirma claramente que o Líbano é «árabe em sua identidade e pertencimento», que é membro fundador e ativo da Liga dos Estados Árabes e que respeita seus pactos. Também reafirma seu pertencimento ao mundo árabe e à esfera internacional.

Não se trata de uma fórmula poética inscrita no preâmbulo da Constituição. Ela faz parte da própria identidade do Estado.

Mas a «arabidade do Líbano» não significa que ele deva se tornar parte de qualquer eixo árabe, independentemente de suas políticas. Do mesmo modo, pertencer ao mundo árabe não implica entrar em confronto com a Türkiye, o Irã, o Ocidente ou qualquer outro Estado.

A arabidade libanesa deve ser um quadro de pertencimento, e não um instrumento de alinhamento militar.

É precisamente por isso que o Líbano precisa hoje de uma política diferente: nem uma política de eixos, nem uma política de isolamento, mas uma política de neutralidade positiva e abertura equilibrada.

É cedo demais para definir uma posição?

Sim. Ainda é cedo demais para que o Líbano anuncie sua adesão a um novo eixo de segurança.

Na verdade, fazê-lo agora seria um erro.

Até mesmo o próprio «Acordo de Meca» ainda se encontra em uma fase de formação. Os detalhes de sua aplicação, os mecanismos de defesa coletiva e o grau em que ele poderá evoluir para uma estrutura militar integrada ainda não estão claros.

Quanto ao eixo oposto, ele ainda não constitui uma aliança militar formal, mas sim uma rede de parcerias e interesses estratégicos.

Se o Líbano adotasse desde já uma posição definitiva, poderia se encontrar, dentro de alguns meses ou anos, em uma configuração que já não correspondesse a seus interesses.

Mais importante ainda, o Líbano não pode se dar ao luxo de ser arrastado para uma disputa entre eixos rivais. Ainda tenta superar suas crises internas, recuperar a confiança árabe e internacional, reconstruir sua economia e fortalecer o Exército e as instituições legítimas do Estado.

O que o Líbano deve fazer?

Primeiro, deve afirmar claramente que as decisões em matéria de segurança e defesa são prerrogativa exclusiva do Estado libanês. O Líbano não pode ser um Estado soberano se suas opções de segurança forem determinadas fora de suas instituições constitucionais.

Segundo, deve preservar suas relações árabes, em particular com a Arábia Saudita e os países do Golfo, sem que isso se transforme em um compromisso com um eixo militar.

Terceiro, deve manter suas relações com a Türkiye, a Europa, os Estados Unidos, a Índia e os países do Golfo, recusando-se a ficar preso a uma escolha entre «isto ou aquilo».

Quarto, deve redefinir a «neutralidade» de maneira prática. Neutralidade não significa que o Líbano deva deixar de ter uma posição sobre as causas árabes, a questão palestina ou o direito internacional. Significa que ele não deve ser nem um campo de batalha nem uma plataforma militar a serviço de qualquer eixo regional.

Quinto, o Líbano deve recuperar seu lugar no mundo árabe por meio do Estado, e não por meio de partidos ou organizações armadas.

É aí que reside a questão central.

Se o Líbano realmente quiser preservar o princípio segundo o qual é «árabe em sua identidade e pertencimento», deverá reconstruir sua relação com o mundo árabe por meio do Estado libanês, e não por meio de uma comunidade confessional ou de um partido.

O Líbano não precisa de uma nova aliança

Talvez o maior erro que o Líbano possa cometer na próxima fase seja buscar um «guarda-chuva externo» que o proteja.

O Líbano precisa primeiro de um guarda-chuva interno: a Constituição, o Exército, as instituições, a Justiça e a legitimidade.

Só então poderá construir uma ampla rede de relações externas.

As alianças regionais mudam. A Arábia Saudita pode se aproximar hoje da Türkiye e do Paquistão, enquanto os Emirados podem aprofundar sua parceria com a Índia e Israel. Amanhã, esses alinhamentos poderão mudar novamente. Mas, se o Líbano vincular seu futuro a um único eixo, pagará o preço dessas transformações.

Por isso, um novo princípio orientador da política libanesa deveria ser o seguinte:

Somos árabes, mas não fazemos parte de um conflito árabe contra árabe. Estamos abertos ao Oriente e ao Ocidente, mas não estamos subordinados a nenhum eixo. Somos favoráveis à segurança regional, mas a segurança do Líbano deve ser decidida pelo Líbano.

O próprio mundo árabe está mudando. Talvez a Liga Árabe, sozinha, já não seja capaz de produzir uma arquitetura regional de segurança. A próxima fase poderá ser a de múltiplas alianças: árabes, islâmicas, econômicas, marítimas, tecnológicas e de segurança.

No entanto, em meio a essas transformações, o Líbano pode desempenhar um papel diferente: ser uma ponte e não uma trincheira, um Estado de diálogo, não de confronto, e um Estado árabe independente, não o satélite de nenhum eixo.

Esse é o verdadeiro sentido da expressão «o Líbano é árabe em sua identidade e pertencimento».

Não se trata de um chamado a escolher um eixo contra outro, mas de um convite a devolver ao Líbano seu lugar natural: o de um Estado árabe soberano, aberto a todos, que não permita que ninguém decida em seu nome onde deve se posicionar, quando deve ir à guerra e por quê.

Em um momento em que as alianças estão se reconfigurando, talvez a posição mais forte que o Líbano possa adotar seja não se apressar em escolher uma aliança, mas escolher primeiro o Estado.

Depois, quando o novo mapa da região se tornar mais claro, o Líbano poderá definir suas parcerias com base, primeiro, em seu interesse nacional; segundo, em sua identidade árabe; e, acima de qualquer outra consideração, em sua soberania.

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