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«Todos os caminhos levam a Roma»...

Por que as negociações se tornaram o destino do Líbano depois da guerra?

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Por Rabih Dandachli
Publicado ago 17, 2026 - 19:48

A expressão «Todos os caminhos levam a Roma» é uma das mais célebres da história política e das civilizações. Não foi apenas uma metáfora literária, mas também uma descrição da realidade do Império Romano, que construiu uma extensa rede de estradas que fez de Roma seu centro político, militar e econômico, de modo que as principais rotas conduziam à capital. A partir da Idade Média, a expressão transformou-se em um provérbio segundo o qual a diversidade dos meios não necessariamente altera o resultado final e caminhos diferentes podem levar ao mesmo destino.

O Líbano talvez ofereça hoje um exemplo político contemporâneo dessa máxima. Desde o fim da última guerra, multiplicaram-se os discursos e os slogans, assim como as opções apresentadas. No entanto, uma única pergunta permanece: o Líbano dispõe realmente de várias opções estratégicas, ou todas acabam levando, de uma maneira ou de outra, à mesa de negociações?

Este artigo não pretende defender as negociações nem se opor a elas, tampouco justificar uma determinada opção política. Busca simplesmente ler a realidade tal como ela é, longe dos slogans e das paixões políticas, para formular uma pergunta simples: resta ao Líbano alguma opção estratégica que não passe, em última instância, pelas negociações?

Da guerra à política

Nas relações internacionais, as guerras não são um fim em si mesmas. Muitas vezes constituem um meio de alterar a correlação de forças com vistas a uma negociação. Raramente as guerras terminam com uma vitória absoluta. Em geral, seus resultados acabam sendo traduzidos à mesa de negociações, seja de forma direta ou indireta.

No caso libanês, a última guerra deu origem a uma nova realidade marcada por vários fatores:

  • a reocupação, por Israel, de partes do território libanês;

  • a crescente pressão internacional pela implementação da Resolução 1701 e de outras resoluções internacionais pertinentes;

  • a vinculação da reconstrução a um novo processo político e de segurança relacionado às armas que escapam à autoridade do Estado;

  • profundas transformações regionais que redesenharam a correlação de forças e abalaram muitas das certezas que moldaram a região ao longo das últimas duas décadas.

Tudo isso coloca o Líbano diante de um desafio que já não pode ser adiado.

Quais são as opções do Líbano?

À primeira vista, as opções parecem numerosas. Mas, quando examinadas de perto, revelam-se muito menos diversas do que aparentam.

Primeiro: a opção da resistência militar

Um setor considera que a continuidade da ação militar constitui uma alternativa a qualquer via de negociação.

No entanto, essa opção se choca com várias realidades:

  • um claro desequilíbrio de forças;

  • um custo humano e econômico que o Líbano dificilmente pode suportar;

  • a ausência de apoio internacional a um confronto aberto;

  • a necessidade interna de reconstruir o Estado e suas instituições.

Portanto, a continuidade do confronto não elimina as negociações. Apenas as adia ou altera suas condições.

Segundo: esperar

Outros apostam em mudanças regionais ou internacionais que possam oferecer, mais adiante, condições mais favoráveis ao Líbano.

Mas esperar não é, em si, uma política. Equivale a suspender a decisão. Enquanto isso, a realidade continua mudando, a correlação de forças se altera e novos fatos consumados se consolidam, até passarem a integrar qualquer futuro acordo.

Terceiro: internacionalizar a crise

Alguns defendem a transferência de todo o dossiê para as Nações Unidas ou para as potências internacionais.

No entanto, nem mesmo os conflitos mais internacionalizados foram resolvidos apenas por meio de resoluções internacionais. Sua implementação e sua tradução em fatos concretos exigiram, em última instância, negociações entre as partes envolvidas.

Quarto: negociações indiretas

É um modelo que o Líbano conheceu em diversas ocasiões, seja por meio do acordo de armistício, das negociações sobre a delimitação da fronteira marítima ou das mediações americanas e internacionais.

Essa opção permite alcançar entendimentos sem que nenhuma das partes tenha de assumir o custo político de um contato direto com a outra.

Quinto: negociações diretas

É a opção politicamente mais sensível. Ainda assim, continua sendo uma possibilidade caso as partes cheguem à conclusão de que as mediações já não são suficientes para alcançar os objetivos desejados.

As negociações que todos se recusam a reconhecer

Os atores que mais categoricamente se recusam a falar de negociações parecem, na realidade, estar entre os mais ligados aos seus resultados.

O Hezbollah, que rejeita qualquer discussão sobre negociações diretas entre o Líbano e Israel, hoje faz parte de uma equação regional que ultrapassa amplamente as fronteiras libanesas. Muitos de seus cálculos estratégicos parecem estar atualmente vinculados ao desfecho das negociações entre o Irã e os Estados Unidos. O futuro das sanções, o programa nuclear e o papel regional do Irã são fatores que repercutem, direta ou indiretamente, sobre a posição e as opções do Hezbollah.

Isso significa que, embora o Hezbollah não esteja sentado à mesa de negociações, ele aguarda seus resultados e baseia boa parte de seus cálculos neles. Rejeitar negociações em Beirute não significa rejeitá-las em termos absolutos. Significa apenas que a negociação se deslocou para outra capital e para outro dossiê.

Israel, por sua vez, apesar de sua superioridade militar, enfrenta um dilema semelhante. A força militar pode destruir ou enfraquecer as capacidades militares do adversário, mas, sozinha, não pode gerar uma estabilidade duradoura na fronteira norte.

Em última instância, Israel precisa de arranjos que garantam a segurança de seus assentamentos no norte, permitam o retorno de seus habitantes e impeçam o ressurgimento da ameaça. Qualquer que seja o nome dado a esses arranjos, eles não poderão ser alcançados apenas pela força. Exigirão entendimentos políticos ou de segurança, diretos ou indiretos, com o Estado libanês ou por meio de mediação internacional.

Em outras palavras, apesar de seus discursos diferentes, ambos os lados se movem dentro do mesmo espaço de negociação, ainda que não estejam sentados à mesma mesa.

O Hezbollah aguarda o resultado das negociações entre o Irã e os Estados Unidos, enquanto Israel busca arranjos negociados capazes de assegurar sua frente norte. Ambos sabem que a guerra, por si só, não pode gerar uma estabilidade duradoura.

Existe uma verdadeira alternativa às negociações?

É aí que reside o grande paradoxo.

Depois de examinar os diferentes cenários, fica claro que a verdadeira divisão não se dá entre negociar e não negociar, mas entre a forma, o momento e o nível das negociações.

A guerra pode ser um meio de melhorar as condições de negociação.

A dissuasão também é um instrumento de negociação.

A mediação é uma forma de negociação.

As resoluções internacionais exigem negociações para serem implementadas.

E esperar, no fundo, nada mais é do que adiar as negociações.

Mesmo a continuidade da ocupação ou de confrontos limitados não pode constituir uma solução permanente. Trata-se apenas de fases transitórias que, cedo ou tarde, desembocam em alguma forma de acordo.

Portanto, a verdadeira pergunta já não é: haverá negociações? Mas sim: que tipo de negociações? Quem representará o Líbano? E com que cartas contará?

O que isso significa para o Líbano?

O problema fundamental não está no princípio das negociações em si, mas na preparação do Estado libanês para conduzi-las.

Os Estados não são avaliados apenas por sua capacidade de entrar em negociações, mas também por sua capacidade de definir seus objetivos antes de se sentarem à mesa.

O que o Líbano quer recuperar?

Quais são suas prioridades?

O que pode aceitar?

E do que não pode abrir mão?

São as respostas a essas perguntas que determinarão o resultado de qualquer processo de negociação, e não o simples fato de as negociações ocorrerem.

Um Estado que entra em negociações unido e capaz de definir uma posição nacional torna-se parte ativa na construção do acordo. Um Estado dividido, ao contrário, transforma-se em uma arena onde outros negociam e moldam os arranjos.

Talvez a expressão «Todos os caminhos levam a Roma» já não seja apenas uma descrição da rede de estradas do Império Romano, mas uma descrição particularmente precisa da situação atual do Líbano.

Os caminhos diferem, os slogans mudam e os discursos se transformam, mas o resultado parece continuar o mesmo.

O Hezbollah, apesar de rejeitar negociações com Israel, aguarda os resultados de outras negociações que determinarão uma parte importante de seu futuro. Israel, apesar de sua superioridade militar, também busca arranjos negociados capazes de lhe garantir a segurança que a força, por si só, não conseguiu assegurar. E o Estado libanês, por mais que tente adiar essa questão, acabará se vendo diante da mesma pergunta.

A pergunta já não é: o Líbano negociará?

Agora é: como negociará? Quem negociará em seu nome? Com base em que visão nacional? E entrará nas negociações como um Estado capaz de decidir por si mesmo, ou como uma arena onde se cruzam as negociações dos outros?

Porque, na política como na história, a questão não é simplesmente que todos os caminhos levem a Roma. A questão é saber por que se escolhe determinado caminho e ter a capacidade e a coragem de definir o próprio rumo antes que outros o escolham em seu lugar.

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