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O Essencial do Dia

48 horas para evitar um novo « inferno » no Irã

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O interior danificado do palácio histórico de Golestan, um dos locais mais antigos da capital iraniana. Tendo servido de residência à dinastia Qajar, ele é classificado como Patrimônio Mundial da Unesco. (Atta Kenare/ AFP)
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Por Michel Touma
Publicado abr 4, 2026 - 21:29

Era de se esperar, naturalmente… Brandindo a ameaça de um dilúvio de fogo que poderia em breve cair sobre as infraestruturas estratégicas iranianas, o presidente Donald Trump lembrou aos líderes da República Islâmica que é em 48 horas (ou seja, segunda-feira) que expira o último prazo de 10 dias que ele lhes havia concedido para avalizar o plano de 15 pontos apresentado por Washington ou para garantir a livre circulação marítima no estreito de Ormuz. «O Irão tem um prazo de 48 horas antes de enfrentar o inferno», declarou o presidente Trump.

Na noite de sábado, 4 de abril, nenhum indício permitia ainda prever um possível desbloqueio suscetível de evitar uma escalada de grande envergadura nas operações militares, mas as reviravoltas de última hora não são obviamente de excluir neste tipo de situação.

O Corpo da Guarda Revolucionária reiterou no sábado a sua posição de ponta, afirmando que não estava disposto a encontrar-se com os negociadores americanos «nos próximos dias», afirmando, em todo o caso, que as exigências americanas (formuladas no plano de quinze pontos) são «inaceitáveis». Os próximos dias permitirão saber se se trata de uma atitude de princípio para reforçar a posição do negociador iraniano ou se, pelo contrário, esta atitude reflete realmente uma linha de conduta intransigente baseada numa base ideológica rígida que tem por essência ir até ao fim no braço de ferro travado com os Estados Unidos e o Ocidente em geral.

A questão que se coloca igualmente neste contexto é saber até que ponto os Pasdaran se tornaram os únicos senhores da situação no Irão e em que medida o campo qualificado de «moderado» e «pragmático» perdeu toda a influência na cena interna, sob o peso esmagador dos radicais.

A nível americano, a pequena frase lançada no sábado pelo presidente Trump incita à reflexão e pode abrir caminho a todo o tipo de especulações. O chefe da Casa Branca deu de facto 48 horas ao regime dos mulás para «concluir um acordo» (o plano de quinze pontos) ou restabelecer a livre circulação no estreito de Ormuz. O «ou» faz toda a diferença… Isso significa que a Casa Branca se contentaria com este último ponto para pôr fim à guerra? Nesse caso – muito pouco provável, mas num tal contexto nada é realmente impossível – o presidente Trump teria abandonado os seus objetivos várias vezes proclamados, referentes ao programa nuclear, ao arsenal balístico e ao abandono do expansionismo regional desestabilizador, mantido por meio de proxies enfeudados aos Guardiões da Revolução.

Para além de uma capitulação total do poder em Teerã – também pouco provável – seria difícil ver o presidente Trump resolver-se a pôr fim às operações militares com base numa solução coxa que não resolveria nenhum dos contenciosos que estão na base desta guerra e que, por esse mesmo facto, manteria as raízes do mal e mergulharia, a mais ou menos breve prazo, a região e a comunidade internacional numa nova crise existencial aguda, ou mesmo num novo conflito armado.

No final da noite de sábado, algumas fontes indicavam que Washington teria informado Tel Aviv que os contactos com a República Islâmica estavam num impasse. Como para confirmar esta informação, as fontes oficiais israelitas afirmavam que a Administração dos EUA poderia dar «esta semana» o seu aval a ataques contra as instalações energéticas, o que representaria um golpe muito severo para a economia iraniana, e por ricochete para o regime em vigor.

A grande indústria já é alvo

Enquanto se aguarda o fim do prazo fixado pelo presidente dos EUA, os desenvolvimentos nas operações militares indicam, na fase atual, que a balança pende mais, claramente, para a escalada. Prova disso é que as Forças Aéreas americanas e israelenses visaram, nas últimas quarenta e oito horas, um setor altamente estratégico que tinham tido o cuidado de poupar desde o início da guerra, nomeadamente a grande indústria. As importantes infraestruturas petroquímicas foram assim duramente bombardeadas e danificadas. É o caso, mais particularmente, do grande complexo petroquímico da região de Ahwaz que assegura, segundo diversas fontes, nada menos que 70% das necessidades do mercado iraniano em gasolina e combustíveis. Os golpes infligidos a este setor vital terão um impacto desastroso na economia iraniana como um todo, que já atravessa uma fase crítica há vários meses.

Paralelamente, a aviação israelense desencadeou-se na noite de sexta-feira para sábado contra as instalações militares, estratégicas e administrativas do vasto aparato dos Guardiões da Revolução na região de Teerã. A escalada nos ataques atingiu ainda os complexos siderúrgicos que constituem outro pilar vital da economia iraniana. Fato notável neste contexto: postos iranianos na fronteira com o Iraque foram bombardeados pela aviação israelense.

À margem destas operações militares, as forças especiais dos EUA continuaram durante todo o dia e a noite de sábado as suas buscas para encontrar o segundo piloto do avião F 15 que tinha sido abatido no fim de semana. Unidades de elite foram destacadas em território iraniano no âmbito destes esforços de salvamento e operam há dois dias em profundidade no interior do Irão sem serem minimamente incomodadas por uma força hostil, o que diz muito sobre o estado das unidades armadas e de segurança da República Islâmica.

Novos ataques contra os subúrbios do sul

Na frente libanesa, o exército israelense indicou no sábado que a sua aviação bombardeou nos subúrbios do sul as infraestruturas do Hezbollah, bem como posições da «brigada do Líbano, no seio da brigada de Jerusalém». É apenas desde meados da semana passada que se fala abertamente desta «brigada do Líbano» no seio da «brigada de Jerusalém», que constitui o braço armado dos Pasdaran no Médio Oriente.

De forma concomitante aos ataques contra os subúrbios do sul, a aviação israelense concentrou sobretudo os seus bombardeamentos no sábado em algumas localidades importantes da Beqaa-Ocidental, novo ponto quente da «frente libanesa» que corre o risco de em breve estar no centro das operações israelenses, paralelamente à zona meridional.

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