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O Essencial do Dia

As negociações com Israel colocariam a vida de Aoun em perigo

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Um comboio da FINUL circulando perto de casas destruídas no sul do Líbano. (Jalaa Marey / AFP)
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By Taline Becharraoui
Published abr 29, 2026 - 20:27

O braço de ferro entre a presidência da República e o Hezbollah, assim como a determinação do chefe de Estado Joseph Aoun em seguir pelo caminho de negociações diretas com Israel sob o patrocínio de Washington, estaria colocando sua vida em risco.

 

Essa revelação surgiu nas últimas 24 horas por meio de uma fonte improvável: os serviços secretos israelenses. Um relatório divulgado pelo Canal 12 de Israel repercute o resumo de uma reunião dos serviços secretos militares israelenses, segundo o qual “o envolvimento do presidente libanês em negociações diretas com Israel colocaria sua vida em perigo”.

 

Segundo informações da emissora local MTV, essas informações estão sendo levadas a sério pelo palácio de Baabda, sede da presidência. Ainda assim, Joseph Aoun não pretende recuar de seu compromisso em favor de um acordo com Tel Aviv para encerrar a guerra na qual o Hezbollah arrastou o país.

 

Essas informações pesaram sobre a reunião que o chefe de Estado, o presidente do Parlamento Nabih Berri e o primeiro-ministro Nawaf Salam deveriam realizar nesta quarta-feira em Baabda para discutir o procedimento das negociações? No início do dia, circularam informações sobre uma “hesitação” de Berri. Pouco depois, ficou claro que ele não iria ao palácio presidencial, sob o pretexto da “escalada israelense no sul do Líbano”. Na véspera, os três dirigentes haviam conversado por telefone.

 

As razões pelas quais a reunião tripartite de Baabda, adiada por tempo indeterminado, não aconteceu nesta quarta-feira permanecem nebulosas. Qual foi o peso da ameaça de segurança? Essa é a verdadeira razão por trás do pretexto da escalada israelense mencionado por Berri? Seria mais prudente pensar que a hesitação do presidente do Parlamento está ligada sobretudo ao temor de ter de se posicionar sobre negociações diretas, o que o colocaria em situação embaraçosa. Nabih Berri, também líder do Amal, aliado do Hezbollah, embora às vezes se distancie por meio de algumas posições públicas, já deixou clara sua preferência por conversas indiretas em vez de diretas. Ora, qualquer reunião com o presidente da República poderia ser interpretada como um afastamento claro pelo aliado miliciano. Isso corre o risco de prejudicar o difícil papel de equilibrista assumido pelo “velho veterano” da política libanesa desde o início deste conflito e, sobretudo, durante as reuniões preparatórias libano-israelenses em Washington.

 

Outro elemento interessante nesta quarta-feira: as informações da emissora local MTV sobre uma “coordenação entre Baabda e a embaixada dos Estados Unidos a respeito da reunião tripartite no palácio presidencial”. Um novo sinal, se confirmado, do envolvimento americano na gestão desta etapa difícil no Líbano.

 

“Antoine Lahd”, mais uma vez

 

Joseph Aoun, por sua vez, continua sendo alvo de uma campanha de difamação que lhe atribui a responsabilidade pelo evidente fracasso do cessar-fogo no sul do Líbano. E isso enquanto os partidários do “eixo da resistência” haviam atribuído sua implementação, em 16 de abril passado, ao Irã. Parece, portanto, que para o Hezbollah e seus aliados o sucesso pertence necessariamente ao Irã, e o fracasso ao Estado libanês.

 

Vozes “resistentes” já não hesitam em chamar os responsáveis libaneses, e o presidente em particular, de “traidores que entregaram a terra aos sionistas”, frase frequentemente vista nas redes sociais. Um deputado do Hezbollah, Hassan Fadlallah, decididamente transformado em porta-voz do grupo e encarregado dos ataques ao chefe de Estado, voltou nesta quarta-feira a comparar o presidente a Antoine Lahd, comandante do Exército do Sul do Líbano desde os anos 80 até a retirada das forças israelenses em 2000.

 

Trata-se de uma declaração particularmente humilhante, pois insinua que Israel busca instalar uma marionete no Líbano, sabendo que a intenção do presidente e do governo libanês é retirar o país da órbita iraniana.

 

Enquanto isso, é o Hezbollah que continua perdendo terreno no sul do Líbano, embora consiga, especialmente graças a seus drones, impor perdas ao inimigo israelense. A imagem que ficará destas últimas 24 horas é o vídeo divulgado pelo Exército israelense mostrando a explosão de um enorme túnel da milícia libanesa no vilarejo de Kantara. A detonação chegou a provocar um leve tremor sísmico registrado no Líbano.

 

A escalada israelense no sul do Líbano é perceptível há alguns dias. Outras regiões, especialmente Beirute, seguem poupadas desde o cessar-fogo. Bombardeios particularmente mortais foram realizados nas últimas 24 horas. Três socorristas da Defesa Civil na região de Tiro, famílias inteiras, um soldado e seu irmão foram mortos.

 

“Acabou a gentileza!”

 

No nível das negociações entre o Irã e os Estados Unidos, não houve avanços espetaculares nas últimas 24 horas. As sempre numerosas declarações do presidente americano Donald Trump aumentam de tom, até chegar ao estrondoso “no more Mr Nice Guy” (“acabou a gentileza”) nesta quarta-feira ao meio-dia.

 

Diante do rei da Inglaterra, Charles III, Trump assegurou que “os Estados Unidos claramente venceram a guerra contra o Irã”.

 

Em sua rede social Truth Social, o presidente americano publicou uma foto em que simula um disparo de rifle e acusou o Irã “de não ser capaz de tomar decisões nem de assinar um acordo não nuclear”. “Seria melhor para eles ficarem inteligentes logo”, escreveu também.

 

A explicação para a lentidão iraniana em responder às exigências americanas estaria em um importante relatório publicado pela Reuters nesta quarta-feira. O documento revela que a Guarda Revolucionária Islâmica assumiu o controle das decisões de guerra e que o guia supremo, Mojtaba Khamenei, teria como única missão ratificá-las.

 

O problema, portanto, não reside apenas na ausência de posições e decisões unificadas no Irã, mas na incompatibilidade entre as exigências americanas e as concessões que os Pasdaran estão dispostos a aceitar. Fontes paquistanesas, o principal mediador, afirmaram à Reuters que qualquer resposta vinda de Teerã leva de dois a três dias e que a figura central neste momento é Ahmad Vahidi, comandante da Guarda Revolucionária.

 

A Reuters cita Alan Eyre, ex-diplomata americano e especialista em Irã, que avalia que nenhuma das partes realmente quer iniciar um diálogo, que os Pasdaran temem parecer fracos diante dos americanos, enquanto Washington precisa considerar as eleições de meio de mandato. Isso ajudaria a explicar as razões dessa hesitação.

 

As perspectivas da guerra no Irã, contudo, seguem incertas. Segundo o Wall Street Journal, o presidente americano reuniu seus responsáveis de segurança nacional para informar que o Exército deve permanecer preparado para “um longo bloqueio”. Ele também teria demonstrado insatisfação com a proposta anterior de Teerã, que prevê encerrar a guerra, reabrir o estreito de Ormuz e deixar para depois as negociações nucleares.

 

O presidente Trump acredita, por sua vez, que pode levar o Irã a suspender o enriquecimento de urânio por 20 anos e aceitar restrições rígidas posteriormente.

 

No que diz respeito aos objetivos relativos ao Irã e à evolução da guerra, as divisões entre americanos e israelenses começam a vir à tona, embora sempre tenham existido. Enquanto o governo Trump se esforça para dobrar o regime iraniano, os israelenses ainda esperam obter uma mudança de regime.

 

O ministro israelense das Relações Exteriores, Gideon Saar, expressou isso claramente nesta quarta-feira: “Se encontrarmos uma forma de mudar o regime no Irã, agiremos.”

 

Enquanto isso, no Irã, as prisões de opositores continuam em ritmo acelerado, como forma de compensar o impasse em que se encontra o poder. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, 21 pessoas foram executadas e mais de 4 mil detidas desde o início do conflito.

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