

Uma Lebanese Pop-Up Store está sendo organizada nos dias 30 e 31 de maio, em Paris, na galeria Aalamuna, pela empresa ELFAN, para promover artistas libaneses. Essa nova iniciativa da ELFAN faz parte de um movimento global mais amplo voltado ao apoio aos artistas libaneses por meio do fortalecimento da presença cultural do Líbano na França e na Europa. Antes de apresentar o contexto dessa nova Pop-Up libanesa, parece útil, sob diversos aspectos, fazer um breve panorama das dinâmicas globais em curso, das quais o ministro da Cultura, Ghassan Salamé, participa ativamente.
Há vários anos, especialmente desde os acontecimentos de 2019 e a explosão no porto de Beirute em agosto de 2020, a cultura libanesa vem ganhando impulso no exterior. Evidentemente, as iniciativas culturais libanesas fora do Líbano não são novidade: a diáspora sempre desempenhou um papel essencial na promoção e valorização da identidade cultural libanesa. Hoje, porém, esse fenômeno parece estar assumindo uma nova dimensão.
Muitos artistas, criadores, intelectuais e profissionais da cultura deixaram o Líbano nos últimos anos, às vezes por necessidade, às vezes em busca de oportunidades que o país já não podia oferecer. Durante muito tempo, a cultura no Líbano permaneceu em segundo plano diante das urgências políticas, econômicas e sociais. Ainda assim, apesar dessa fragilidade estrutural, a cena cultural libanesa continua a se reinventar e a se projetar internacionalmente.
Nesse contexto, parece importante observar as iniciativas culturais libanesas na França, onde, há vários anos, assistimos à multiplicação de eventos e projetos relacionados ao Líbano. Atualmente, as iniciativas culturais se multiplicam para promover o país no exterior, mas também para apoiar artistas libaneses, preservar o patrimônio do Líbano e manter um vínculo vivo com o país durante este difícil período de crise e guerra.
Uma forte presença libanesa
O prestigioso Festival Internacional de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand é um exemplo marcante. Há dois anos, o Líbano recebeu destaque por meio de uma programação especial dedicada ao cinema libanês. Muitos diretores, produtores e profissionais do setor participaram da ocasião e contribuíram para o programa, ilustrando a crescente importância do cinema libanês no cenário cultural internacional.
O Instituto do Mundo Árabe (IMA) também desempenha um papel importante nessa dinâmica de valorização do patrimônio e da criatividade libaneses. A atual exposição sobre Biblos, adiada há dois anos devido à guerra e finalmente mantida apesar da ausência de algumas obras ainda retidas em outros locais, é outro exemplo significativo. O ministro da Cultura, Ghassan Salamé, esteve presente, demonstrando a importância cada vez maior atribuída a essas iniciativas culturais no exterior.
Dentro dessa mesma dinâmica, a exposição Fotografando o Patrimônio do Líbano 1864-1970, após sua passagem por Paris, está aberta ao público em Marselha até setembro. O concerto de Ibrahim Maalouf e Hiba Tawaji no IMA, acompanhado por diversos artistas vindos do Líbano, bem como a presença de Khaled Mouzanar e Nadine Labaki no Festival de Cannes, onde Khaled Mouzanar também integrou o júri da seção Un Certain Regard, demonstram o espaço cada vez mais relevante ocupado pelas figuras da cultura libanesa nos palcos internacionais.
Essa dinâmica também foi ilustrada recentemente em Saint-Malo, onde o Líbano foi o convidado de honra do festival Étonnants Voyageurs. Escritores, artistas e intelectuais libaneses participaram de diversos debates sobre memória, exílio e criação contemporânea libanesa. Ghassan Salamé também esteve presente no evento.
“Quanto mais as tragédias se sucedem, mais o povo libanês se acostuma a expressá-las. Enquanto falo com vocês, pintores libaneses estão na Bienal de Veneza, cineastas libaneses estão no Festival de Cannes e escritores libaneses estão no festival de Saint-Malo”, observou com pertinência Ghassan Salamé em seu discurso no festival de Saint-Malo. Há vários meses, o ministro vem multiplicando viagens e encontros no exterior para promover o patrimônio cultural e a influência do Líbano.
Paralelamente, numerosos eventos artísticos são concebidos como espaços de solidariedade concreta com o Líbano. É o caso, em especial, do Moments for Lebanon, uma iniciativa artística e humanitária sediada em Paris, fundada por um coletivo de membros da diáspora libanesa. Sua segunda edição já está prevista para junho de 2026, na Cidade Luz, para dar continuidade à mobilização artística e humanitária em torno do Líbano.
A nova iniciativa da ELFAN
É essa dinâmica mais ampla que também impulsiona o trabalho da ELFAN na promoção de artistas libaneses. A empresa estabeleceu como uma de suas missões a formação de futuros profissionais da cultura, para que possam apoiar e desenvolver esse setor em rápida expansão. É nesse contexto que uma nova Lebanese Pop-Up Store está sendo organizada nos dias 30 e 31 de maio, em Paris, na galeria Aalamuna.
O evento reunirá criadores, artistas e empreendedores para destacar o know-how libanês, ao mesmo tempo em que apoia o Líbano e a Cruz Vermelha Libanesa.
Com o mesmo objetivo, uma semana temática dedicada ao Líbano será organizada em julho próximo, em Clermont-Ferrand, por iniciativa da ELFAN, na galeria Atelier Reine Mathilde. Na programação: exposições de pintores libaneses, oficinas de caligrafia e dabkeh, exibições de filmes e brunch libanês. O objetivo é apresentar a cultura libanesa a um público majoritariamente francês, tendo como meta paralela apoiar a Cruz Vermelha Libanesa.
Diante dessa proliferação de iniciativas, uma questão importante surge cada vez mais no campo cultural: estamos testemunhando o estabelecimento de uma diplomacia cultural libanesa? Ou trata-se antes de uma forma de resistência cultural? Porque, diferentemente da diplomacia cultural institucional, concebida e estruturada pelo Estado, muitos desses projetos nascem hoje de iniciativas individuais ou associativas, em nível local ou dentro da diáspora, de maneira muito semelhante ao próprio Líbano. São artistas, coletivos ou organizadores de eventos que garantem a visibilidade do país no exterior, frequentemente sem apoio oficial.
Essa reflexão, aliás, começa a aparecer até mesmo nos debates no âmbito do Ministério da Cultura. Recentemente, o ministro Ghassan Salamé declarou que “o que salvou a cultura no Líbano foi o fato de ela estar enraizada na sociedade e não no Estado. Quando o Estado entrou em colapso, a cultura continuou viva”. Ainda assim, suas numerosas participações nesses eventos culturais mostram que a cultura começa a ocupar um lugar significativo no trabalho e no pensamento do Estado libanês.
Além da influência internacional ou da preservação da identidade cultural, surge agora outra questão essencial: qual pode ser a contribuição real da cultura e da arte para o desenvolvimento do Líbano? A cultura pode participar da reconstrução econômica, da criação de oportunidades e da manutenção do vínculo entre o Líbano e sua diáspora?
São reflexões que também abrem o debate sobre a própria política cultural libanesa...
Próximo artigo: A política cultural do Líbano